A vida não é só café

Outro dia ofereci meus préstimos – ainda existe essa palavra? – a uma colega de trabalho que seria transferida para outra cidade: “Depois vou te passar uma lista de lugares legais para tu conheceres por lá. Vai te ajudar na adaptação”.

Ela respondeu: “Ah! Já sei, tu vais fazer uma lista de cafés, né?”. Claro que minha lista não seria só de cafés. Provavelmente ela disse isso baseada nos meus stories do Instagram. Foi uma forma que achei para “contabilizar” a quantidade de cafés/cafeterias que procuro, visito e/ou frequento.

Se fizermos um ranking lá no apartamento 302 – onde residimos três pessoas, a mais interessada na bebida é a adolescente que manda mensagem desde o quarto pedindo cafééééé pelo menos cinco vezes ao dia e a mãe dela, a estudiosa, responde todas às vezes com todos os efeitos dos exageros do café, incluindo os prejuízos ao sono se consumido da metade da tarde em diante. E a outra pessoa sou eu. 

Recentemente, encontrei uma colega de décadas passadas que me perguntou: “Tu ainda tomas aqueles baldes de café?”. Hoje meu consumo é razoavelmente moderado.

A mais recente prova do peso do café nas nossas vidas, foi minha participação em um concurso cultural em Santa Catarina, no qual meu projeto de livro foi contemplado. E qual o nome do livro? O mesmo desta coluna: “Papo no cafezinho”, que será uma coletânea de crônicas de não-ficção publicadas nesse espaço – e inéditas.

O livro não será vendido e sim distribuído nas escolas de ensino médio e bibliotecas de Jaraguá do Sul, onde resido. Vamos providenciar alguns exemplares para sorteio entre os leitores / seguidores de @umcafezinho.

A vida não é só café, mas ele está presente na minha rotina e a partir de 2020 também estará como um filho – com café no nome – acompanhando a minha biografia para sempre, algo que jamais imaginaria quando sugeri o nome de Papo no cafezinho para esta coluna, quando me inscrevi para ser voluntário a ocupar este espaço, lá em 2017.

Quando convidei a Fernanda Haddad, a idealizadora e editora do @umcafezinho para escrever o prefácio do livro, fiquei sabendo que fui o primeiro candidato que apareceu.

Sou muito grato pelo compartilhamento das vivências das pessoas que viraram personagens das crônicas que tiveram o café como estrela ou coadjuvante e que foram passadas adiante em alguma conversa acompanhada de @umcafezinho por aí.

Este é o nosso objetivo desde sempre: Verdade & Crônica & Papo & Cafezinho.

Obrigado pela companhia e que tenhamos todos boas histórias para contar em 2020 – regadas a bons cafés.

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Marcelo Lamas autor de “Papo no cafezinho”, livro de crônicas a ser lançado em 2020, entre outros.

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Barista profissional

Estávamos em um final de semana cheio de compromissos e aqui perto de casa, em Blumenau, a Blum’s Kaffee, havia preparado um sábado repleto de atrações cafeínadas para comemorar seu primeiro aniversário.

Conseguimos reorganizar a agenda para pegar o finalzinho da festa: Um bate-papo com a Paula Varejão (Tá na hora do café – Canal Mais Globosat).

Chegamos, tomamos um suco – numa cafeteria da terra da cerveja (!) – e fomos pagar a conta. O bate-papo seria numa tenda externa e queríamos um lugar legal.

Depois de pagarmos, ganhamos 2 bilhetes para participar de um sorteio. Como havia duas urnas, a Ingrid colocou um ticket em cada uma delas.

Assistimos a palestra, tomamos os espressinhos que foram distribuídos, cantamos parabéns e ficamos um pouco mais para acompanhar o sorteio.

Quando disseram que uma urna era para os apreciadores de café e a outra para os “profissionais” do café, a Ingrid me olhou com os olhos castanhos arregalados. Não somos profissionais! E um de nós poderia ser sorteado. Até brinquei com ela, eu sou “meio” profissional do café, sou cronista do @umcafezinho.

No primeiro sorteio “não-profissional” alguém levou o prêmio. No segundo… ouvimos: “Ingrid é a vencedora!”. Lá foi ela fazer a foto oficial com a Varejão e receber as congratulações pelo prêmio (dois cursos de barista).

Por sorte, ninguém lembrou de perguntar: “Profissional de onde? Faz o quê?”.

Sempre achei o café dela excelente. É estudiosa, segue receitas a risca e tem alguns cursos da nossa bebida preferida no currículo. Depois da especialização que está por vir, ninguém sabe onde iremos parar. Voluntário e cobaia para experimentar os cafés, ela já tem.

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Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis”, entre outros.

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@marcelolamasbr

Tenho medo de coach

Antes de escrever “medo” no título desta crônica fui checar meu dicionário Aulete:

Medo: emoção que se sente diante de um perigo ou ameaça.

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A colocação me pareceu correta, pois é realmente o que sinto quando vejo um coach por perto.

Não quero generalizar, mas tenho observado muita fluência para falar de quaisquer assuntos, passando por cima de profissionais especializados e experientes, dando a impressão de que resolvem qualquer problema, de todas as naturezas.

Quando publicamos a recente crônica “Não existe viagem perdida” em @umcafezinho, falamos sobre o hábito de ir em busca de novas cafeterias e uma leitora indagou: “Qual tipo de café vocês tomam?”.

Expliquei que era o pretinho básico – ou com leite, nada daqueles cafés cheios de “gororebas”, os que costumamos chamar de “não-cafés”.

Acontece que minha resposta não foi tão simples assim. Redigi um textão no bloco de notas e colei no comentário.

Depois fiquei com a consciência pesada, me sentindo meio coach.

Semana passada estava num restaurante com mesas muito próximas e sentou-se ao meu lado um sujeito que deixou a vida convencional e virou coach.

Eu só o cumprimentei e não olhei mais pra ele. Depois, fazendo uma analogia com outras situações de relutância social minha, matei a charada:

Há um ano, perdi uma votação caseira sobre a adoção de um pet. Como tive bronquite na infância, não podia ter bicho, nem tapete, nem cortina lá em casa.

Está escrito na cartilha que guardo até hoje. Então, partimos para resgatar uma felina cinza do OLX, a Berenice.

Desde o dia que ela chegou lá em casa, não consigo fazer nada sozinho. Nem tomar banho.

Não pude mais comprar minhas – preferidas – camisas pretas. Dizem que a gatinha me escolheu.

Imagine se me acontece o mesmo convivendo com um (uma) coach. Depois de fazer a primeira consulta não conseguir fazer mais nada sozinho?

Precisando de alguém para me ajudar a resolver um problema que eu nunca – nem – tive.

Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis”.

@marcelolamasbr

marcelolamasbr@gmail.com