Gran Caffè Defilla funciona desde 1914, em Chiavari

O Gran Caffè Defilla foi a primeira cafeteria histórica que conheci neste retorno à Itália. Fica no centro histórico da cidade de Chiavari, na costa da Ligúria, região bastante badalada durante o verão europeu especialmente. As praias são lindas e, independentemente da época que você for visitar, não tem como não gostar.

A história do Gran Caffè Defilla

O Gran Caffè Defilla foi fundado em 1914 por Gaspero Defilla, integrante de família vinda da Suíça para a Itália. Ele comprou o restaurante dos irmãos Sanguineti e começou, então, a reestruturar o espaço, que conta com 15 lindas e grandes janelas com vista para as arcadas do Corso Garibaldi.

 Frequentado pela burguesia, políticos importantes e pelos intelectuais do começo do século XX, o lugar é ainda hoje conhecido pelos produtos e serviço de alta qualidade mesmo tendo passado por diversos donos.

O café é divido em salas, todas bem decoradas no estilo clássico e floral e mesas em madeira, além dos candelabros de vidro do final do século XIX. Destaque para a sala de chá e a enoteca, que foi implantada algum tempo depois, e que hoje oferece bons rótulos para degustar ali ou levar para casa. Na calçada também há mesas com aquecedores no período de inverno.

O cardápio é farto não só de cafés, acompanhamentos e vinhos, mas de boa comida também. Vale a parada para qualquer refeição do dia. Na confeitaria, destaco a torta de maçã com sorvete de baunilha (famosa!) e todos os doces com chocolate (só porque eu amo chocolate). O cappuccino, o chocolate quente e o toast de queijo são maravilhosos!

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Gran Caffè Defilla

Endereço: Corso Garibaldi, 4 – Chiavari (Ge)

Horário de funcionamento: aberto todos os dias das 7h30 a meia-noite. Aos feriados, podem ocorrer alterações.

Telefone: +39 0185 309829

Conte nos comentários a sua opinião sobre o Gran Caffè Defilla. Tem vontade de conhecer? Já visitou? Coloque no seu roteiro de viagem para a Itália. Ali no canto direito você pode fazer a sua reserva de voo e hospedagem pelo Booking. Facilitamos a sua vida e você ajuda o blog a continuar trazendo conteúdos interessantes sobre as cafeterias históricas pelo mundo. Vai compartilhar? Use a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo.

Fotos: Fernanda Haddad ©

App Coffee Match usa café como ferramenta de networking

Quantas vezes você já marcou um café com alguém para falar sobre trabalho? Seja qual for a resposta, esse comportamento é uma tendência. As cafeterias oferecem cada vez mais benefícios para manter ali os trabalhadores remotos ou aqueles que escolhem o local para uma simples reunião. Atentos a tudo isso, o empresário brasileiro Nicolas Romano e seus sócios Fernando Epelman e Henrique Emídio apostaram suas fichas no Coffee Match.

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Entenda o que é e como funciona o Coffee Match

O Coffee Match foi lançado em abril e, antes de mais nada, não tem nada a ver com Tinder e é diferente de LinkedIn. Essa é uma ferramenta que gera conexões entre pessoas que têm um interesse em comum. “Minha ideia era de criar um aplicativo que conectasse pessoas em cafeterias, mais precisamente a Starbucks, sempre com o intuito de fazer negócios”, conta Nicolas.

Com os testes iniciais, eles perceberam que faltava um propósito para que as pessoas se conectassem de fato para fazer negócios e networking.

“A proposta nunca foi ser um aplicativo de paquera. Para evitar que houvesse essa confusão, lançamos uma nova versão. De um lado estão cadastrados os projetos e suas necessidades e do outro as pessoas e suas habilidades para ajudar na execução de determinadas tarefas dentro desses projetos”, explica.

Aí quem combina um encontro de negócios nas cafeterias parceiras diretamente pelo App ganha cafezinhos, entre outros benefícios. Outro ponto interessante é que os benefícios são constantes e não só para o primeiro encontro. O objetivo principal é fazer com que as pessoas entendam o poder do networking e frequentem mais cafeterias. “Mesmo sendo o maior produtor mundial de café, por aqui só 1% das pessoas frequentam cafeterias”, diz.

O que as cafeterias parceiras ganham com isso? O Coffee Match quer ajuda-las a entender o comportamento desse consumidor para, então, colaborar com essa aproximação. Assim, as cafeterias têm acesso a uma base de dados e podem trabalhar com publicidade e promoções direcionadas para atrair ainda mais o consumidor para o ambiente.

Em São Paulo, Octávio Café e Suplicy Cafés Especiais também já fazem parte do projeto. Ele está disponível para iOS. Para Android deve estar em abril/maio de 2018. Clique aqui para baixar o Coffee Match.

O que achou do App Coffee Match? Gosta da ideia do café como ferramenta de networking? Conte nos comentários e compartilhe com os amigos pelas redes sociais usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo. 

Foto: Fernanda Haddad (umcafezinho.com.br)

Cold brew: de onde surgiu, como é feito e muito mais

Café frio ou gelado ainda causa estranheza em muitos brasileiros, mas aos poucos essa forma de consumir a bebida vai ganhando espaço e o coração dos coffeelovers. Hoje eu vou falar do cold brew.

A história do cold brew

Apesar de a gente ter ouvido falar muito do cold brew nesse último ano, sua história começou já tem um bom tempo. E não estou falando de quando a bebida apareceu nas cafeterias dos EUA e Europa. Historicamente, surgiu em meados do século XVII.

A partir da necessidade de transportar o café em viagens e guerras, os holandeses tiveram a ideia de produzir um tipo de extrato de café. Os japoneses relacionaram o método com a forma de produzir chá, sempre muito presente em sua cultura, fazendo com que essa bebida também ficasse bem conhecida na terra do sol nascente.

Porém, naquela época a forma de consumo era um pouco diferente. O extrato era misturado em água quente e dali saía um café quentinho. Se a gente pensar bem, era quase como o café solúvel de hoje em dia.

Somente por volta de 1837, na França, é que a bebida passou a ser consumida gelada, mais parecida com a que fazemos atualmente. Depois disso e do auge desse formato que aconteceu no Japão na década de 60, as técnicas foram se aperfeiçoando até chegarem às latas a garrafinhas de cold brew que a gente vê nas prateleiras.

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Como é feito o cold brew?

O cold brew nada mais é que a extração de café a frio. Ele é feito a partir de duas maneiras: infusão ou gotejamento. Para ambas, a moagem do café deve ser grossa.

Na primeira, basta deixar o café infusionado em água gelada durante algumas horas – o tempo exato e a proporção (café x água) vão depender de cada receita. Depois, é só fazer a separação do líquido.  Um equipamento que a gente pode usar para fazer o cold brew em casa é a prensa francesa. Ao final do período em infusão, basta abaixar o êmbolo. Se você não tiver a prensa ou quiser uma bebida com menos resíduo, dá para usar um coador de pano.

A segunda maneira, gotejamento, já demanda um equipamento próprio, que é um tipo de torre composta por três recipientes: um para a água gelada (em cima), outro para o café moído (meio) e um vazio (base) para receber a extração. No recipiente em que colocamos a água, tem uma torneirinha. É ali que a gente controla o fluxo do gotejamento, que deve ser bem lento.

Sim, nós temos cold brew!

Apesar de não ser um assunto super novo, falar de cold brew é legal porque ainda tem gente descobrindo a bebida por aqui. Se a gente prestar um pouquinho de atenção, vai perceber que o mercado cresceu nesse último ano e continua evoluindo. Até a Starbucks lançou sua bebida há uns meses.

Falando nisso, a gente não pode deixar de citar a True Coffee Inc., que foi uma das pioneiras na produção de cold brew no Brasil. Eles começaram em 2014 e até hoje são referência no assunto, seja pela inovação ou pela qualidade.

Uma marca mais recente é o Amigo Cold Brew, que vale ser citada por seu diferencial na criação de sabores diferentes.  Sempre usando ingredientes naturais e livre de aditivos, a gente pode beber cold brew de limão siciliano e alecrim e até maracujá com canela!

As novidades não param por aí. Tem até clube de assinatura de cold brew, que você recebe a bebida em casa todo mês. O Sede de Café, por exemplo, tem produção artesanal e faz todo um trabalho informativo, dando detalhes sobre o produto que eles estão enviando, além de sugerir formas de consumo.

Muitas cafeterias também fabricam seu próprio cold brew, seja para oferecer ao seu cliente como produto final ou para usar como ingrediente nos drinks da casa. Aproveite que o verão está aí e prove o café gelado!

Sozinho ou acompanhado

Sempre uma boa pedida cafeinada no calor, o cold brew vai bem de qualquer jeito. Pode ser só com gelo, misturado com tônica e até com gim, por que não? 😉

O legal é criar e dar uma chance para o café gelado. São outras sensações de aromas e sabores. Para se ter uma ideia do que o cold brew é capaz, confira duas receitas que a Revista Espresso publicou há um tempinho: Cold Citrus e Coconut Coffee. A gente se refresca só de ler!

E vocês, gostam de cold brew? Alguém tem outra receita para compartilhar? Conte nos comentários.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Fotos: Depositphotos

Negócios virtuais

Por conta da mudança para outro apartamento, minha namorada precisou se desfazer de algumas coisas. Ela tem uma boa coleção de quadros sobre café, inclusive o de uma embalagem estampada, sobre o qual, até o cafeicultor dono da marca, ficou espantado ao saber.

Num dia que eu estava de folga, ela me ligou do trabalho:

– Marcelo, podes entregar um quadro que vendi pela internet?

– Posso, qual deles?

– Aquele branco, que tem uma flor! Anturium ou lírio..

– Não é de café?

– Claro que não! (risos)

Parti para a operação. Era um pouco mais complicado do que pensei. O quadro era grande. Para tirá-lo do lugar tive que subir na mesa, contrariando meus conhecimentos sobre a NR 35 (Trabalho em Altura).

Além da minha descoordenação habitual, tinha o agravante de o quadro ser todo de vidro, até a moldura. Consegui remover o corpo, colocar no carro e fazer o carreto.

Chegando ao destino, lá estava eu na portaria de um condomínio fechado. Tive que fazer um cadastro de entregador e foi difícil convencer o porteiro que eu não tinha nota fiscal, tampouco CNPJ ou nome da firma.

Enquanto fazia o procedimento, pensava o que levaria uma pessoa que mora num lugar tão requintado, querer comprar um quadro de segunda-mão de outrem? Vai ver o quadro era uma obra de valor e eu estava por fora.

Quando finalmente cheguei à residência 8, fui recepcionado por uma moça vestida de empregada de novela. Confirmei a compra e ela me pediu para colocar dentro da casa.

Começou um novo drama. Não encontrava um lugar para colocar o quadro, num primeiro momento achei que a casa era tão grande que eu não via as paredes. Depois observei que o lugar era extremamente decorado. Só achei um cantinho para coloca-lo no chão, de costas, com a gravura para cima.

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Fui embora decepcionado, pensei que nesses lugares também se oferecia   @UmCafezinho, já fazia umas três horas que estava na labuta e já começava minha crise de abstinência.

Em tempo: minha namorada é a coffee lover, colecionadora de quadros e latas de café, mas o viciado da relação sou eu.

Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis”. Ao observar seus “negócios virtuais” comprovou o ditado popular “Ninguém é tão feio quanto o RG, nem tão bonito quanto nas redes sociais”. Com base na foto, nunca encontraríamos a pessoa na rodoviária.
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Tipos de café: conheça quais são eles

Hoje em dia a gente ouve falar muito do café arábica. Talvez seja o primeiro que muitos imediatamente se lembram quando pensam sobre os tipos de café. Para algumas pessoas, só essa informação é sinônimo de alta qualidade. O café, no entanto, é mais que isso. Ele tem sua origem e determinados processos até chegar à nossa mesa.

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Sempre que vou falar sobre esse assunto lembro da minha viagem ao Espírito Santo. Ouvi falar que lá há um produtor de Robusta que, em uma sessão de cupping, teve seu café pontuado com mais de 80, ou seja, classificado por eles como café especial.

No Brasil, a classe de cafés especiais é, sem dúvida, composta basicamente por Arábica e a BSCA certifica apenas cafés dessa origem. Essa história nos permite pensar que precisamos analisar outras variáveis para saber se o que estamos consumindo realmente tem tanta qualidade assim.  O que vai definir se um café é bom pra gente, independente de pontuação, vai ser o nosso paladar. Porém, vale dar uma olhada no pacotinho se há informações como: produtor, fazenda, região, altitude, torra e variedade. E é nesse ponto que eu queria chegar. Vamos desmistificar um pouquinho alguns dos nomes relacionados ao café que a gente ouve por aí.

Conheça um pouco mais sobre os tipos de café

Coffea

O café é uma árvore da família Rubiaceae e do gênero Coffea, do qual algumas de suas espécies nos possibilitaram criar uma bebida incrível. Foram classificadas 124 espécies, mais do que há 20 anos, o que significa que outras variedades estão surgindo.

As espécies Coffea são encontradas principalmente na África, Ásia e Austrália, mas apenas duas delas são cultivadas para o mercado consumidor: C. Arabica e C. Canephora – mais conhecidas por nós como Arábica e Robusta.  

Robusta

A C. Canephora é nativa da África Ocidental. Primeiramente, suas mudas foram plantadas em Java e, posteriormente, espalhadas praticamente para todos os países produtores.

Assim como o Árabica, o Robusta também desenvolveu diversas variedades, sendo que muitas são resultado do cruzamento com o Arábica. Plantadas geralmente em altitudes mais baixas, pois é onde elas melhor se desenvolvem. Estão mais sujeitas às pragas, o que influencia o seu teor de cafeína, que é mais alto se comparado ao Arábica.

Ao contrário de países como Indonésia e Índia, onde cafés Robusta são conhecidos por sua alta qualidade, no Brasil é cultivada a variedade Conilon, usada principalmente para baratear o custo dos cafés industrializados. Visto por muito tempo como sinônimo de baixa qualidade, esse cenário vem mudando nos últimos anos e gerando uma certa discussão no mercado.

Em agosto deste ano, na Feira Sabores da Terra que aconteceu em Vitória (ES), a Fazenda Venturim apresentou seu café 100% Conilon. Os irmãos Isaac e Lucas acreditam que um Robusta de origem conhecida e de produção feita com foco na qualidade, pode, sim, levar ao consumidor uma ótima bebida. Através do projeto Robusta Especial, eles vêm aperfeiçoando seu processo produtivo.

O Coffee Quality Institute possui em seu programa de identificação e classificação de cafés de qualidade uma vertente focada em cafés Robusta chamado Q Robusta. Para mais detalhes, visitem o site dedicado ao programa.

Arábica

As informações sobre como a C. Arabica se espalhou pelo mundo são divergentes, o que torna incerta a sua verdadeira história. Sabe-se que, das árvores nativas da Etiópia e do Sudão, somente algumas foram levadas para fora da África. Chegaram ao Iêmen para depois se espalharem pelos outros países. As árvores eram da variedade Typica, também conhecida na época como o café comum. No Brasil, era chamada de Café Nacional ou Crioulo.

Em nosso país, são produzidas muitas variedades de Arábica, como Catuaí, Bourbon, Mundo Novo, Catucaí, entre outros. O Arábica é conhecido por sua complexidade aromática e acidez. Os brasileiros, destacam-se principalmente por sua doçura e corpo marcante.

São cultivadas em altitudes mais altas, acima de 800m. Seu teor de cafeína é de 1%, enquanto o Robusta apresenta mais de 2%. Considerando a safra 2016/2017, o Arábica representa cerca de 62% da produção mundial e teve um aumento de 32% na última década. O Robusta cresceu quase 22%.

Devo admitir que quando se trata dos tipos de café tenho bebido bem mais Arábica a Robusta, até mesmo pela praticidade, já que este chega com mais qualidade às nossas xícaras de uma maneira mais fácil. Porém, escrever esse texto me deixou curiosa e com a mente mais aberta.

Costumo dizer que não existe uma verdade única e absoluta quando o assunto é café. Cada produtor utiliza de uma técnica. Cada mestre de torra desenvolve o perfil de um jeito. Cada cafeteria desenvolveu ou aderiu a uma certa maneira de preparar os cafés e assim por diante. Falar sobre tipos de café, para mim, comprova mais uma vez essa forma de pensar. O próximo passo agora é tentar comprar um pacotinho de Conilon pra experimentar.

O que vocês acharam dos tipos de café? Será que realmente tem Robusta de alta qualidade no Brasil? Alguém aqui já provou um café 100% Conilon?

 

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: depositphotos

Vizinhança

A vida em condomínio não é fácil. Comecei a sentir isso quando precisei mudar de cidade e fui dividir apartamento com dois colegas do novo trabalho. 

Já era perto do final do ano quando a Dona Brunilde tocou a campainha do 703 e sem formalidade alguma, nem educação, esbravejou: “Onde está a guirlanda?”.

Eu nem fazia ideia do que ela estava falando, e respondi:

– O quê?

– A guirlanda de Natal que estava lá na portaria…

Demorei para deduzir que tratava-se de uma alegoria e que, por sermos os únicos solteiros do prédio éramos os suspeitos.

Ficamos os dois sem acreditar. Eu na desconfiança dela e ela na minha resposta. 

Foi a minha primeira (má) impressão sobre a vida em comunidade. E a dona Brunilde apareceu por lá algumas outras vezes.

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Semana passada, no condomínio que estou atualmente, uma moradora disparou a seguinte mensagem no grupo de mensagens prédio:

“Boa tarde, gostaria de saber que planta é aquela no hall de entrada? Desculpem, mas achei de extremo mal gosto, tanto a planta como o vaso. Se é para fazer decoração, tem que chamar um profissional, pois isso desvaloriza o prédio”.

Fiquei curioso para ver e quando o fiz, concordei plenamente com a vizinha reclamante,  alem de feia a planta artificial tem quase dois metros.

Acredito que os outros também, porém ninguém manifestou-se. Talvez para evitar uma indisposição com o dono(a) da obra de arte.

Como se não pudesse piorar, no dia seguinte, apareceram umas flores vermelhas gigantes que remetiam a uma árvore de natal. Mais dois dias e brotaram  umas miniaturas de passarinhos dentro de uns ovos quebrados, o que piorou muito o mau gosto anterior.

Nunca saberemos se foi reação do dono(a) da árvore ofendido por ter sido criticado; se foi a vizinha que enviou a mensagem vingando-se de todos que se omitiram e que agora tomarão alguma ação, porque do jeito que está não dá pra ficar; se foram os três moradores do prédio que ostentam passarinhos em cativeiro, querendo expandir seu hobby; ou ainda o sindico querendo mostrar algum investimento que justifique o reajuste que era pra uma reforma e ficou permanente.

Espero que desta vez, não esteja na lista de suspeitos.

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No seriado americano “Desperate Housewives” (Donas de Casas Desesperadas), os moradores de um vilarejo, recepcionam novos vizinhos com um bolo, inserindo os novatos na pequena sociedade.

Essas vivências que relatei poderiam passar batidas, caso a fórmula americana tivesse sido aplicada aqui. E se a “correria” fosse usada como desculpa para escapar do encontro de boas vindas, a saída seria o convite para um cafezinho, bem quente e sem açúcar, por favor!

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Parafraseando nosso filósofo brasileiro Millôr Fernandes: “Se o homem das cavernas soubesse o que ia acontecer, teria ficado lá dentro”.

 

Marcelo Lamas é cronista e autor de “Indesmentíveis”. Nunca será sindico.
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Foto: depositphotos

Como fazer café na cafeteira italiana

A cafeteira italiana – ou moka, como também é conhecida – foi inventada em 1933 por Alfonso Bialetti. A história conta que sua inspiração veio de mulheres lavando roupa em um tanque que distribuía sabão e água quente através de uma tubulação central. A partir daí, surgia a ideia da cafeteria a vapor, que pouco mudou desde sua criação.

Dentre os métodos, esse é o que mais se aproxima do espresso, por levar às nossas xícaras um café encorpado e de sabor intenso. Perfeito para pessoas que, assim como eu, precisam de uma boa dose de cafeína para acordar de manhã.

Como fazer café na cafeteira italiana (moka)

Falando sobre a parte um pouco mais prática, vamos, então, explicar como fazer café na cafeteira italiana. Caso você tenha alguma dúvida sobre esse equipamento, vai ver que é muito fácil de usá-lo. Se você ainda seguir nossas dicas de ouro, aí não vai ter pra ninguém. 😉

A água fervente da parte inferior gera vapor, que pressiona a água quente para fora desse compartimento. Assim, a água passa pela parte central, onde está o café e, por fim, chega à parte de cima, que é quando veremos nosso cafezinho pronto. É um processo que depende da pressão do vapor e da gravidade.

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A marca mais conhecida é a Bialetti, claro. No entanto, é possível encontrar outras marcas, diferentes tamanhos e preços. Se você gosta da ideia de fazer café na moka, opções não faltam no mercado.

E você, já provou café feito na cafeteira italiana? Gostou das dicas como fazer café na cafeteira italiana? Tem mais alguma dica para compartilhar com a gente? Escreva nos comentários.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: Pixabay

Blue Box Café serve Breakfast at Tiffany´s em Nova York

Se você é fã do filme Bonequinha de luxo,  da atriz Audrey Hepburn e de café vai gostar da novidade. A joalheria Tiffany & Co. acaba de inaugurar o Blue Box Café no 4º andar da sua loja conceito na 5ª Avenida, em Nova York. Isso significa que agora todos podem ter o prazer de conhecer o verdadeiro Breakfast at Tiffany´s (esse é o título original do filme de Truman Capote, de 1961).

O que tem no Blue Box Café?

O Blue Box Café tem um cardápio simples e inspirador, sem deixar a exclusividade de lado. Os itens vão mudar de acordo com a estações do ano. São servidos clássicos americanos feitos com ingredientes de melhor qualidade sempre de origem regional.

Além do café americano (US$ 6), tem chás, espresso (US$ 5), cappuccino (US$ 7) e latte (US$ 7). Tem também opções para almoço, sobremesas e o clássico Breakfast at Tiffany completo (US$ 29).

Confira o cardápio do Blue Box Café na íntegra (em inglês) aqui. 

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No mesmo piso do café também é possível conferir a nova coleção Home & Acessórios, com peças de decoração, uma linha de baixelas de prata esterlina, uma boutique infantil, uma seleção de livros vintage com curadoria da Assouline e um laboratório de fragrâncias.

A decoração é cheia de detalhes industriais, mármore e pedra amazonita, que reforçam o trabalho manual e artesanal da marca. Da escada que leva ao quarto andar dá para apreciar o lustre, que é uma instalação artística de quase 15 pés de altura, criado pela dupla de designs franceses Ronan e Erwan Bouroullec. O corredor é cercado pela letra “&” caligrafada e desenhada à mão. Um retrato de Charles Lewis Tiffany,  criado com 8 mil parafusos pintados a mão, dão um toque contemporâneo ao espaço.

O filme Bonequinha de luxo (Breakfast at Tiffany´s)

O filme de 1h55 é dirigido por Blake Edwards e conta a história de Holly Golightly, interpretada pela atriz belga Audrey Hepburn. Ela é uma garota de programa de Nova York que quer se casar com um milionário e ser rica, mas acaba se apaixonando pelo jovem escritor Paul Varjak, seu vizinho. Dividida entre o verdadeiro amor e suas ambições e futilidades, Holly escolhe tomar seus cafés da manhã em frente joalheria Tiffany. Por isso, o nome original do filme é Breakfast at Tiffany´s. 

A obra teve cinco indicações ao Oscar em 1962 e venceu em duas categorias: melhor canção original e melhor trilha sonora. Está disponível no Netflix para quem quiser ver.

Blue Box Café – Tiffany & Co

727 Fifth Avenue, New York

Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 10h às 17h30. Aos domingos, do meio-dia às 16h30.

Telefone: +1 212 605 4270

Tiffany & Co é a joalheria mais prestigiada do mundo e berço do design americano, fundada em 1837 em Nova York. São mais de 300 lojas em 28 países. O novo piso Home & Acessórios foi inaugurado no dia 1º de novembro e o The Blue Box Café, no dia 10 de novembro.

Alguém aí está com viagem marcada para a Big Apple e quer conhecer o Blue Box Café? Coloque no roteiro e compartilhe com seus amigos pelas redes sociais usando a #UmCafezinhoPeloMundo. 

Fotos: Divulgação

Pontuação do café

Você sabia que, assim como os vinhos, os cafés também são classificados e pontuados? É dessa forma que a gente sabe se um café entra  para a categoria de especiais, por exemplo. No texto de hoje, vou explicar como funciona a pontuação do café.

A avaliação é feita por especialistas que analisam todos os aspectos do café. Essa prova é feita através de um procedimento o qual chamamos de cupping.

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Cupping

Essa técnica garante que não haja interferência do método utilizado e nem do filtro. Além disso, há padronização de moagem e proporção e, para esse ritual, são necessárias algumas amostras. Pode ser que a ideia seja avaliar um único café, mas é interessante ter também exemplares de outros tipos para que possa haver uma comparação.

Fazer uma boa análise requer muito treino, pois é necessário um sensorial bem desenvolvido para entender as qualidade do café e, principalmente, seus defeitos, que podem passar despercebidos por quem não tem experiência.

O passo a passo do cupping a gente pode falar em uma outra ocasião. Apesar de isso ser utilizado mais entre os profissionais, é legal fazer o teste em casa, pelo menos para perceber as diferenças entre os tipos de café e ir aprimorando o paladar.

O que é avaliado no cupping?

Basicamente, são avaliados 10 itens, com notas de 0 a 10. Ao final, é feita a soma de cada um desses aspectos, que vai resultar na nota final do café. Para ser especial, ele precisa atingir o mínimo de 80 pontos. Para auxiliar, existe um formulário de avaliação sensorial, desenvolvido pela SCA (Specialty Coffee Association), que também utilizamos aqui no Brasil.

  1. Fragrância/Aroma

Nada mais é do que o cheirinho do café. Bom, talvez seja um pouco mais complexo que isso, já que o café pode desenvolver inúmeras fragrâncias, desde frutas, especiarias e flores até aromas não tão bons assim como borracha e fumaça . Em um processo de cupping, deve-se sentir o aroma dos grãos, do café moído e depois de umedecido.

  1.  Sabor

São as sensações que o café vai fazer a gente sentir na boca. Nessa parte do processo deve-se pegar uma quantidade de café com uma colher própria para cupping e sugar o líquido. Você pode cuspir depois de provar, pois no caso de uma quantidade grande de provas, ingerir muito café pode fazer mal.  Aqui, além do gosto em si, a gente começa a ter uma percepção dos demais aspectos.

Foto: Reprodução
  1. Finalização (aftertaste ou sabor residual)

É o sabor que permanece na boca depois do consumo da bebida. Se for bom e permanecer por um tempo considerável, maior a nota.

  1. Acidez

Sim, acidez no café é algo muito bom. Desde que não lembre vinagre… Acidez como a de frutas cítricas, por exemplo, é muito bem-vinda em uma prova de cafés.

  1. Corpo

É aquela sensação de contato tátil que a bebida causa na língua. Um bom corpo faz com que você sinta o café passando suave e vagarosamente.

  1. Uniformidade

Analisamos se todas as amostras de um mesmo café possuem exatamente as mesmas características. Se uma delas estiver diferente, é necessário descontar pontos.

  1. Balanço/Equilíbrio

Nesse quesito devemos avaliar se algum aspecto se sobressai ou se há o equilíbrio na bebida como um todo. Quanto mais equilibrada, maior sua pontuação. Deve haver acidez, por exemplo, mas também precisaremos encontrar doçura em proporção similar.

  1. Xícara limpa

É a ausência de defeitos nas amostras, os quais podemos citar odor ou sabor de remédio, impurezas, falhas no processamento o que pode ocasionar uma bebida fermentada em excesso, entre outros.

  1. Doçura

Café de boa qualidade é naturalmente doce. Por isso, alguns baristas que trabalham com bebidas desse nível, sugerem aos clientes para, pelo menos, provarem o primeiro gole sem colocar açúcar.

  1. Geral

Aqui é uma avaliação geral e pessoal do café. Quanto mais cafés a gente prova, mais referências criamos.

A ideia não é que você vire um especialista depois de ler este texto, mas sim que entenda um pouco mais sobre o mundo dos cafés e o que está por trás de uma pontuação. O importante é você apreciar sua bebida da forma que você mais gosta. Porém, de vez em quando, permita-se experimentar novos aromas e sabores.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: Pixabay

A parábola do café

Na casa dos meus pais não tem hora para tomar café. Vez por outra, estou falando com eles, perto da meia-noite, e minha mãe diz: “Vou lá tomar um cafezinho” e dá tchau! E nesse caso, não é desculpa para encerrar a ligação. Posso garantir que não interfere em nada no sono deles. Contrariando o que dizem os especialistas.

Os meus velhos tomam tanto café, que usam um método regional muito peculiar, chamado de “essência”, que consiste no preparo de um café passado no filtro de papel ou de pano, de modo que fique superconcentrado. Essa essência fica numa jarra, e toda vez que dá vontade de tomar um cafezinho, é só pegar uma dose e preencher a xícara com água quente. Assim eles consomem um café amargo e oxidado. Contrariando a sugestão dos especialistas.

Outro dia recebi uma parábola – aqueles textos que fazem uma volta e tem uma moral no final – que contava a história de um professor que convidou para uma conversa, seus ex-alunos que reclamavam de “stress”. O mestre ofereceu café aos bem-sucedidos profissionais. De posse de um bule, ele pediu que cada um pegasse uma xícara. Havia uma de cada tipo: porcelana, plástico, vidro e cristal. Depois que todo mundo tomou seu café, o professor concluiu: “Viram? Todos vocês pegaram a melhor xícara que puderam. Isso é natural, todo mundo prefere o melhor. E é isso que gera o stress de vocês. Asseguro que nenhuma delas acrescentou qualidade ao café. O que vocês queriam era o café, mas institivamente ficaram preocupados com a embalagem e deixaram de lado o que mais importava”.

Depois de ler esta parábola, fui consultar a Cinthia Bracco, da Coluna Litros de Café, minha “vizinha” aqui no @UmCafezinho: “O ideal é usar xícara de porcelana, pois não vai interferir no sabor da bebida e vai manter a temperatura por mais tempo. Antes de servir o café, o legal é aquecer a xícara com água quente para que ela também fique quentinha, ajudando ainda mais a manter a temperatura”. Nesse caso foi a especialista que contrariou o profeta.

Contrariando Millôr Fernandes, em “A Bíblia do caos”: “O especialista é o que só não ignora uma coisa”.

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Marcelo Lamas é cronista. Aos questionar seus pares sobre qual seria a “especialidade” do autor, ouviu: contar histórias e mudar de assunto repentinamente.
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