Autodidata

Toda vez que escuto alguém dizer que é autodidata fico com vontade de rir. Não é questão de soberba. Na hora que ouço a palavra, lembro da máxima do Mario Quintana: “O autodidata é o ignorante por conta própria”.

Também fico com a consciência pesada, pois escolhi fazer minhas formações técnica e superior na área de exatas, embora tivesse orientação profissional à época que sugeria migrar para humanas.

Assim, para exercer meu hobby de escrever, procuro participar de oficinas de literatura anualmente. Lembro de uma ocasião em que fui visitar um escritor renomado, já passado dos setenta anos, que durante nossa conversa me perguntou várias vezes: “Mas onde mesmo que fizeste jornalismo?”, e eu tinha que explicar que era apenas um contador de histórias.

Nas últimas duas semanas, tirei férias do meu trabalho formal numa indústria vital e fui atrás de mais um curso de criação literária. Como minha agenda não estaria toda ocupada – e assombrado pelo Mario Quintana – fui atrás de outro curso.

Ocupando o espaço da crônica do cotidiano neste projeto @UmCafezinhoque tem café como ponto de partida”, resolvi investir num curso sobre a bebida e, além de ter contato com pessoas de várias tribos – e estados , encontrei três pluralidades importantes sobre o café:

  1. Ciência: há muito estudo desde o plantio do fruto, as condições de solo, altitude, forma de colheita, entre outros;
  2. Exata: é possível fazer um café excelente, com temperaturas, quantidades e tempos, seguindo as receitas dos baristas;
  3. Humana: faz parte do estilo de vida de empreendedores, baristas e entusiastas que formam uma classe unida, heterogênea e sem preconceitos, na qual a palavra concorrente parece não fazer sentido.

A propósito: No próximo final de semana, este cronista vai participar de um curso de literatura de cordel. Caso algum dia, resolva se aventurar por ali, não poderá ser acusado de ser “autodidata” pela concorrência.

 

Marcelo Lamas é cronista. Já visitou mais de cem cafeterias, e as melhores foram aquelas recomendadas pelo visitado anteriormente.
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Foto: Pixabay

Tomar água com gás antes ou depois do café?

E aí, o certo é tomar água com gás antes ou depois do café? Eu poderia acabar com essa dúvida escrevendo apenas duas linhas: a água com gás vem antes do café. Porém, essa questão não é tão simples quanto parece, ainda mais porque existe uma terceira opção: nem antes, nem depois.

A ideia da água com a gás é limpar e aguçar as papilas gustativas, fazendo com que você tenha uma experiência melhor ao beber o seu café. Por outro lado, o seu paladar estará mais sensível e isso pode não ser exatamente algo positivo, já que ele é acostumado a provar alimentos e bebidas de uma maneira mais natural, sem que seja estimulado dessa forma.

Isso quer dizer que, ao invés de ajudar, a água com gás pode atrapalhar o seu sensorial e, assim, você não conseguirá sentir todo o potencial da sua xícara.

Há quem afirma que água gelada também entra nessa mesma situação. Por isso, alguns profissionais da área do café indicam água sem gás e em temperatura ambiente para limpar a boca.

Eu devo confessar que já tomei muita água com gás em dias de dificuldade na regulagem do espresso. Começava com água filtrada, mas depois de um tempo provando, o paladar não sentia mais nada e aí eu acabava apelando para o gás, dando uma boa limpada no paladar. Até hoje, dependendo do que eu tiver comido antes de tomar café – já que gosto de comidas bem condimentadas e sabores intensos – aceito a água com gás. Em uma situação casual, às vezes prefiro comprometer um pouco meu sensorial a criar uma miscelânea na minha boca.

Agora, falando da terceira opção, há um outro grupo de pessoas que acredita que o café deve ser o destaque da experiência, sem coadjuvantes. Nenhum tipo de água e sem biscoitos. O conceito é que o café seja tão bom, que qualquer outro item perca a importância. Sem contar que tudo isso, querendo ou não, gera um custo para a cafeteria. Por esses motivos, alguns locais optam por não servirem o copinho com a água.

Como a minha curiosidade é inquieta – algumas amigas dizem que isso se deve ao fato de eu ser geminiana – tentei procurar uma explicação científica para essa questão, mas não encontrei. Então, acho válida as nossas próprias descobertas, provando muito café e, nesse caso, muita água também. A partir daí, vamos descobrir a nossa maneira de beber café, aquela que mais nos agrada.

No fim das contas, eu tenho a impressão que eu não ajudei muito. Ao invés disso, levantei mais questionamentos. Por isso, se eu tivesse que dar uma dica sobre por onde você deve começar, eu diria o seguinte: beba água sem gás e em temperatura ambiente antes do espresso. Se ele for ruim, beba água com gás logo em seguida. Se ele for incrível, da próxima vez, esqueça a água.

Você gosta de tomar água com gás antes ou depois do café? Como costuma tomar o seu espresso? Conte nos comentários.

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Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto: Pixabay

Museu do Café é passeio imperdível para coffee lovers

Já pensou em fazer uma visita ao Museu do Café, em Santos? Esse é um dos principais pontos turísticos da cidade e, para quem gosta da bebida, garanto que é um super passeio. Hoje vou contar um pouquinho de tudo o que você pode encontrar por lá. Vamos juntos?

A história do Museu do Café

O café e a cafeicultura no Brasil têm uma presença forte quando se considera o desenvolvimento econômico, político e cultural do país, iniciado em meados do Século XVIII. A proposta da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, ao restaurar o prédio e criar o museu em 1998, é justamente contar essa história.

Entre objetos e documentos, o museu tem exposições permanentes e temporárias e é lá dentro que fica a Bolsa Oficial do Café, inaugurada em 1922 como parte das comemorações dos 100 anos da Independência do Brasil. O Salão do Pregão, onde eram negociadas as cotações das sacas de café na época, funcionou até a década de 50. A partir daí, tudo passou a ser operado do Centro de São Paulo.

A mesa e as setenta cadeiras dos corretores ainda estão lá, envoltas de obras importantes de Benedicto Calixto. Merece destaque o vitral no teto, chamado de “A Epopeia dos Bandeirantes” que, entre uma série de representações, reproduz uma lenda cabocla do início da colonização brasileira relacionada à busca pelo ouro.

O Museu do Café conta ainda com o Centro de Preservação, Pesquisa e Referência Luiz Marcos Suplicy Hafers, que abriga documentos e publicações sobre café. O acervo é aberto ao público.

A Bolsa Oficial do Café é tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa), pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Centro de Preparação de Café

Em meio a tanta história é que foi criado o Centro de Preparação de Café (CPC) dentro do Museu. Com o apoio técnico do Sindicato da Indústria do Café no Estado de São Paulo (Sindicafé) e o objetivo de trazer educação qualificada para profissionalização, o CPC atua na formação de baristas para o mercado com cursos e oficinas regulares.

Confira aqui a agenda dos próximos cursos e oficinas do CPC. 

Aos finais de semana, o CPC tem degustação de café gourmet ministrada pelo barista do museu. São R$ 10 por pessoa em vários horários: 10h30, 12h, 15h e 17h.

A Cafeteria do Museu

Em um espaço como esse, não podia faltar uma cafeteria, é claro! A Cafeteria do Museu foi inaugurada no ano 2000, no piso térreo. Por sete anos consecutivos eleita a melhor da Baixada Santista pela Revista Veja, o consumidor que entra ali tem uma experiência diferente e pode, inclusive, levar cafés diferentes para fazer em casa.

São servidos cafés especiais de várias partes do país, das melhores regiões produtoras, em diferentes métodos de preparo. Tem o Blend do Museu, café orgânico e também o famoso Jacu Bird, um dos cafés mais caros do mundo.

Aqui no Brasil, o Jacu Bird Coffee é produzido no Espírito Santo com autorização do Ibama. A ave, que é vegetariana, já escolhe os melhores e engole os grãos de café inteiros, sem mastigar. Depois de um rápido processo de digestão, que é natural do animal, o café é retirado das fezes para o consumo. A mágica ocorre no estômago do pássaro, onde o café passa por um processo de fermentação, que garante doçura e acidez.  Hoje, esse é considerado o café mais caro do Brasil.

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Museu do Café de santos

Rua XV de Novembro, 95, Centro Histórico, Santos/SP
Funcionamento: de terça a sábado, das 9h às 17h; aos domingos, das 10h às 17h.
Telefone: +55 (13) 3213-1750
E-mail: museudocafe@museudocafe.org.br
Ingresso: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada)

Aos sábados a entrada é gratuita. Atividades e visitas especiais para grupos podem ser agendadas por telefone ou e-mail.

Vamos todos para o Museu do Café? O que acha de programar um passeio em família? Quem mora em São Paulo pode ir e voltar no mesmo dia. Se você já foi, conte nos comentários e compartilhe com seus amigos usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo.

Fotos: Divulgação/Museu do Café

illy lança cafeteira italiana de alumínio no Brasil

Quem aí gosta de preparar um cafezinho na cafeteira italiana? Confesso que a mokinha é um dos métodos de preparo que eu mais faço em casa e amo. Aprendi a fazer direitinho mesmo, lá na Itália, no ano passado e, desde então, não parei mais. Essa da foto é a nova cafeteira italiana de alumínio que a illycaffè está trazendo para o Brasil.

A cafeteira é obra idealizada pelo designer Michele de Lucchi em parceria com a marca de utensílios Alessi. A Pulcina, como é chamada, é cheia de curvas, com o cabo e o topo na cor vermelha.  Um design super diferente para embelezar o seu cantinho do café. A mokinha tem capacidade para fazer até 6 xícaras de café por vez.

O alumínio é um excelente condutor de calor e o preparo do café pode ser em fogões a gás, elétricos e vitrocerâmicos. O formato interno permite que o aquecimento e a filtragem ocorram no momento ideal, garantindo as qualidades da bebida.

A Pulcina é obra do designer Michele de Lucchi em parceria com a marca de utensílios Alessi, também italiana.

A nova cafeteira italiana de alumínio da illy pode ser encontrada no showroom em São Paulo e também na loja virtual da marca por R$ 272,00*.

Showroom illycaffè em São Paulo

Endereço: Rua Bela Cintra, 1870, Cerqueira César.

Horário de funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h30; Aos sábados, das 11h às 17h; Aos domingos, é fechado.

Telefone: +55 (11) 3087-3888.

*O valor foi checado na data de publicação e pode sofrer alterações.

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O que achou da cafeteira italiana de alumínio da illycaffè? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe com os amigos pelas redes sociais usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo.

Fotos: Divulgação

Água e café: entenda a importância dessa relação

Falamos muito sobre a qualidade do café, sua origem, tipos de torra, formas de extração. Porém, você já parou para pensar que a maior parte da sua bebida na xícara é composta por água?

Nesse momento, talvez, você pode estar pensando: “Água não é tudo igual: inodora, insípida e incolor?”. É aí que você se engana!

Vamos falar mais a fundo sobre a relação entre água e café?

Coisa de gente grande

Esse é um assunto tão sério que, hoje em dia, existe gente especializada: sommelier de água. Esses profissionais, entre outras atividades, até participam de degustações competitivas para escolher a melhor água.

Falando mais especificamente de café, é possível encontrar cursos focados em como esse líquido influencia no resultado da bebida.

Que tipo de água devo usar?

Na hora de fazer um cafezinho em casa, muitas pessoas têm dúvida sobre qual tipo de água deve ser usado para a extração. Da torneira, filtrada, mineral?

Você pode usar a filtrada, assim como eu, ou a mineral. Jamais a da torneira, que possui cloro, o que diminui as características aromáticas de seu café. Além disso, um estudo recente realizado pela Orb Media comprovou que há microplásticos na água da torneira de todo o mundo, incluindo no Brasil.

Água e café: a temperatura ideal na hora do preparo

Entre 92°C e 96°C, essa é a temperatura indicada para preparar o café. Água muito quente pode realmente alterar o sabor da sua bebida, dando aquele gostinho de queimando. Se muito fria, possivelmente você não conseguirá extrair todo o potencial do café.

Agora vamos lembrar um pouco das aulas de ciências. O ponto de ebulição da água está relacionado à pressão atmosférica. Ou seja, a água ferve em temperaturas diferentes dependendo da localização com relação ao nível do mar. Quanto maior a altitude, menor será o ponto de ebulição. Por isso, aquela história de que você deve desligar o fogo assim que as bolinhas começarem a se formar, não é necessariamente verdade.

Eu moro na cidade de São Paulo e sim… Já usei termômetro para saber qual é a temperatura de ebulição na minha casa. Fervendo, ainda com o fogo ligado, marcou 95°C.

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Faça o teste

Se você é movido a curiosidade – como eu sou – faça o teste. Devo confessar que me surpreendi quando fiz degustação de água. Essa é uma variável muito importante da sua bebida na xícara, a qual não deve ser ignorada.

Agora você tem mais um motivo para tomar café! Já coloca na lista do mercado uns três tipos de água e depois fala pra gente o que achou da experiência.

Gostou de saber da importância da relação entre água e café? Conte nos comentários.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto: Pixabay

Invenções

Qual foi a principal invenção da humanidade? A resposta dos (as) leitores (as) pode ser a mais variada, desde a roda até a internet. É provável que os seguidores de @UmCafezinho possam ter respondido pelo impulso cafeinólatra e terem bradado: “Foi o filtro de café!”.

Em uma publicação recente a revista National Geographic fez uma lista com as dez mais importantes invenções, a saber:

  1. Tipografia
  2. Lâmpada
  3. Avião
  4. Computador Pessoal
  5. Vacina
  6. Automóvel
  7. Relógio
  8. Telefone
  9. Geladeira
  10. Câmera Fotográfica

Para surpresa de muitos, ela apontou a TIPOGRAFIA em primeiro lugar. A publicação explicou a lógica: “A tipografia permitiu a difusão da palavra impressa e da alfabetização, o que, por sua vez, facilitou o compartilhamento das ideias e a invenção de outras coisas”.

Lembro dos meus primeiros contatos com a tipografia: Eram os anúncios de revistas e jornais que meu pai recortava e me ajudava a decorá-los, relacionando a marca (os tipos gráficos) ao produto. Para os leigos, eu já sabia ler aos 5 anos.

As pessoas ficavam espantadas quando me viam andando pela rua, de mãos dadas com a mãe e “lendo” em voz alta as fachadas. Fazia de propósito. Numa esquina, havia uma loja com prédio imponente, cujo nome, nunca erraria. Ali, não eram os tipos gráficos da logomarca que chamavam minha atenção. Não era uma questão visual. A sensação vinha antes de avistá-la. Era o cheiro da torrefação de cafés da cidade. Ficava entorpecido. Por vezes, até me culpo, pois a minha primeira lembrança de café é daquele aroma, enquanto a maioria lembra do café que suas avós faziam no fogão à lenha.

A propósito, todos dizem que aquele café da -sua- vovó era o melhor do mundo. Por sorte, antigamente não haviam os concursos, muita gente ficaria magoada.

Parafraseando João Chiodini: “Utilizando as versões romanceadas de nossas vidas, editadas pela nossa cachola, vamos dizendo o quão eram especiais nossas datas, nossas ocasiões e nossas experiências (…)”.

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Marcelo Lamas é cronista e acredita que a maior invenção foi o lápis, tanto que mantém o seu projeto original desde 1564.
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Coador de pano ou de papel?

Os coados estão com tudo! Em diversas cafeterias do país já é possível tomar um cafezinho passado na hora. Até o nostálgico coador de pano voltou a ganhar força e hoje ainda habita muitos lares brasileiros. Na hora de escolher o que beber ou qual comprar, pode surgir a dúvida: coador de pano ou de papel? Se essa pergunta já passou pela sua cabeça ou se você é um coffeelover curioso, esse post é para você!

Coador de pano ou de papel: dicas para ajudar na escolha

Vamos falar agora sobre algumas características de cada um deles para você ter mais informações na hora de decidir.

Coador de papel

É inquestionável a sua praticidade. Usou, jogou fora. O odor e resíduo do papel é eliminado quando molhamos o filtro com água quente, antes de colocar o café para fazer a extração.

O uso dele não requer cuidados de higiene para prevenir bactérias. Em termos de grana, vai sair mais caro. Sob a ótica da sustentabilidade, considerando não só o tempo de vida na natureza, mas também o seu processo de produção e quantidade utilizada, vai ser mais agressivo ao meio ambiente.

Na xícara, o papel vai absorver um pouco mais os óleos e deixar o café menos encorpado. Mesmo assim, o resultado será de uma bebida saborosa, aromática e limpa.

Coador de pano

Só de escrever essas palavras, já imagino a vida no campo, o fogão de lenha e o cheirinho de café. Consequentemente, eu lembro da minha avó, que vivia me contando histórias do interior. Para mim, o coador de pano tem algo a mais: afeto.

Indo dessa calmaria para o nosso dia-a-dia, coador de pano acaba sendo inviável na opinião de algumas pessoas. Não é nada prático. Também é recomendado umedecê-lo antes do colocar o café para a extração.

O uso do coador de pano requer limpeza e cuidados de armazenamento para evitar o acúmulo de bactérias. Deve ser lavado somente com água, sem fazer uso de sabão ou outro produto, e mantido submerso em água dentro da geladeira.

Mesmo seguindo todos esses os cuidados, o filtro de pano deve ser trocado periodicamente. Dependendo da frequência de uso, a cada dois ou três meses.

Na xícara, eventualmente pode apresentar poucos resíduos e leve sabor do café que foi extraído ali anteriormente. A bebida será levemente mais encorpada, quando comparada ao papel, e vai conter mais óleos. Aroma e sabor também serão somados ao resultado final.

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Outras opções

Hoje já existem algumas opções de filtros permanentes, feitos de aço inoxidável ou titânio, por exemplo, como é o caso de produtos oferecidos pela Able Brewing e pela dinamarquesa Bodum. Não são facilmente encontrados no Brasil, mas se você tiver oportunidade de beber uma café a partir desses equipamentos, certamente vale a experiência.

Esse tipo de filtro não vai reter os óleos essenciais do café, como acontece com o pano e papel. Conserva melhor a temperatura da bebida e é fácil de limpar. O problema aqui para algumas pessoas, além do investimento, é que ele deixa passar resíduos.

Uma das coisas mais legais do mundo do café é poder experimentar, criar e descobrir novos sabores. Faça alguns testes em casa ou indo às cafeterias. Converse com o barista e preste um pouquinho mais de atenção em cada uma das maneiras para encontrar suas particularidades. Depois, vem aqui e conta pra gente de qual deles você gostou mais! Qual você usa: coador de pano ou de papel?

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

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Ana Moraes: atleta de polo aquático e amante de café

Ela ama café e isso já é suficiente para estar aqui. Mas, vamos às apresentações: a Ana Moraes é atleta de polo aquático, joga pelo Club Athletico Paulistano, em São Paulo, e mora em Florianópolis. Ela apresenta um programa na TV Vento Sul, a série Lifeguard Campeche, e estreia outro em um canal de esportes e aventura no próximo mês.

Formada em Educação Física e Esportes pela Universidade do Estado de Santa Catarina, ela tem especialização em Fisioterapia Desportiva pela Universidade de Sevilla, na Espanha, e trabalha com treinamento esportivo em Floripa. Paralelamente, ela se dedica a fotografia, filmagem e viagem (ô sorte!).

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Sempre circulando no eixo São Paulo-Rio de Janeiro-Floripa, Ana conta que se divide entre as três cidades porque não consegue ficar parada. “Eu amo São Paulo, a cidade onde tudo acontece. Meu time é daqui e, além da família, tenho grandes amigos. No Rio de Janeiro, eu gosto do clima cool, do verão o ano todo e da leveza dos cariocas, mas hoje é Floripa que me completa como cidade. Como amo a natureza, me realizo diariamente ao ver o sol nascer da água, remando, surfando ou mesmo correndo, comendo fruta do pé no meu quintal, tomando meu café da manhã ao som dos passarinhos e regando minhas plantas. Acho que o equilíbrio é fundamental e o meu encontro viajando”, explica.

Um cafezinho com Ana Moraes

Na hora do cafezinho, Ana conta que gosta dele puro, pretinho e sem açúcar e toma sempre ao acordar, no meio da manhã e depois do almoço. “Gosto muito. É minha primeira função ao levantar da cama. Se estou atrasada pro surf ou algum compromisso, boto na térmica e vou tomando no carro. Não saio de casa sem”, diz.

“Tomar café é despertar. E despertar é uma das coisas mais maravilhosas que podemos viver diariamente”.

A Ana morou no Hawaii por um tempo e começou a apreciar o café nessa época. “Lá tem um café delicioso que se chama Kona Coffee. Esse café vem de uma ilha chamada Big Island e lá tem uma região com extensas plantações de grãos de café de qualidade porque o clima é super favorável”, conta.

No local onde a atleta morava, havia cozinheiras que sempre faziam garrafas de café para os hóspedes e o cheiro começou a chamar a atenção. “Comecei a tomar sempre depois do almoço, antes de voltar ao trabalho, e fui me apaixonando aos poucos”, relata.

O Kona é um dos cafés mais caros do mundo. Há pesquisas que dizem que as mudas do café chegaram na região por volta de 1828, vindas do Brasil com Samuel Reverend Ruggles. O reconhecimento veio no final do século XIX, com a ajuda de um comerciante inglês.

Cafeterias preferidas da Ana Moraes

Coffee Lab – São Paulo/SP

Rua Fradique Coutinho, 1340, Vila Madalena

Todos os dias, das 10h às 20h. Aos feriados, varia. Consulte pelo telefone.

Telefone: +55 (11) 3375-7400

Café Cultura – Florianópolis/SC

Unidade Primavera

SC 401, Km4 – Espaço Primavera Garden

De segunda a sábado, das 9h às 20h. Aos domingos, das 9h às 19h.

Telefone: +55 (48) 3307-9350

Unidade Lagoa da Conceição

Rua Manoel Severino de Oliveira, 669, loja 3

De segunda a domingo, das 8h30 às 23h, inclusive feriados.

Telefone: +55 (48) 3334-0483

Shopping Iguatemi

Avenida Madre Benvenuta, 687, quiosque 06, piso L2

De segunda a sábado, das 10h às 22h. Domingos e feriados, das 13h às 20h.

Telefone: +55 (48) 3028-0420

O Café Cultura tem mais lojas nas cidades de Balneário Camboriú, São José e Criciúma, todas em Santa Catarina. Consulte os endereços aqui. 

E aí, gostou de conhecer a Ana Moraes e sua relação com café? Tem alguém que você sabe que gosta de café e queira ver por aqui? Conte nos comentários e compartilhe usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo. 

Fotos: Arquivo pessoal

Crema do café espresso: o que é, para que serve e como avaliar?

Hoje eu vou falar sobre a crema do café espresso. Uma das coisas mais emocionantes para um barista é fazer a extração de um espresso em xícara de vidro e observar cada detalhe daquela maravilha. Pode até parecer exagero, mas admito que mesmo em meu mau humor matinal, quando pego um espresso bem tirado,  eu consigo esboçar um sorriso e ainda dizer: “Gente, olha essa crema!”.

Todo mundo fica feliz com um bom café, mas você deve estar se perguntando o que essa tal de crema tem a ver com tudo isso. Lendo esse texto você vai perceber o quanto ela é importante e, ainda, arrisco a dizer que você nunca mais olhará para o seu espresso com os mesmos olhos.

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O que é exatamente a crema do café espresso?

Crema do café espresso: duas xícaras de vidro com crema na máquinaA palavra crema vem do italiano e nós a traduzimos para o português como creme. De forma simples e direta, ela seria aquela espuminha que fica na parte de cima do espresso. Porém, como nada é tão fácil assim quando falamos sobre café, podemos dizer que crema é o resultado de uma alquimia entre quatro elementos: café, água, pressão e temperatura. É a emulsão de microscópicas gotículas de água e óleo, de textura densa, com coloração de avelã.

Para que serve a crema?

Além de dar indícios de qualidade sobre o café, a crema tem como função preservar os aromas do espresso até que ele seja bebido. Por isso, quando você diz que não quer açúcar e mesmo assim o barista deixa uma colherzinha, ele apenas quer que você misture o café. Sim, isso mesmo! Dessa forma, o aroma e óleos essências vão se misturar e você vai sentir todas as características da bebida.

Como avaliar a crema do café espresso?

Crema ideal. Foto: Cinthia Bracco

A crema deve ter uma coloração que lembra avelã, quase que dourada. Além disso, deve ter uma certa espessura e não se desmanchar (ou “quebrar”, como nós falamos). Você vai notar que mesmo misturando com a colher, ela vai se refazer.

Se for muito escura, é sinal de um espresso super-extraído. Isso significa que a extração levou mais tempo que o necessário devido a alguma variável. Pode ser o excesso de pó de café no porta-filtro, por exemplo. Xícaras ou máquina muito aquecidas também podem “queimar” a crema, dando a ela esse aspecto mais escuro e sabor amargo.

Crema fina. Foto: Cinthia Bracco

O contrário também acontece: a sub-extração. Quando isso ocorre, a gente vai notar uma crema fina, que se desmancha rapidamente. Muito provavelmente esse espresso terá pouco corpo e sabor.

Bom, agora você já sabe qual é a primeira coisa a ser observada em sua xícara de espresso. Faça uma experiência visual e sensorial em diferentes lugares. Lembre-se também de questionar o barista. Alguns de nós adoramos falar sobre café e passar nosso conhecimento.

 

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: Pixabay

Eurobike Café traz nova experiência cafeinada para SP

Como você gosta do seu café? Ao começar o seu pedido, essa é a primeira pergunta que você vai ouvir na Eurobike Café. A proposta da nova cafeteria de São Paulo é proporcionar uma experiência única para quem ama cafés especiais. “Partimos do princípio que o cliente não entende sobre grãos e pode experimentar a bebida que ele gosta de uma forma diferente”, explica Flavia Fabbi, idealizadora e sócia da Eurobike Café.

O que você vai encontrar na Eurobike Café

Espaço interno da Eurobike Café, sofás de couro marrom, mesa grande com banquetas ao centro e balcão ao fundo.O espaço é super moderno, aconchegante e tem um toque rústico. Localizado dentro da concessionária da Audi, no bairro da Vila Nova Conceição, o lugar é todo de vidro e tem saída para a rua. Ou seja, não é preciso passar pelos carros para apreciar o seu café. Aliás, vamos falar mais sobre as delícias do cardápio.

Flávia conta que buscou as melhores referências de espaços norte-americanos e trouxe as comidas e bebidas mais emblemáticas e gostosas, sem deixar de ser saudável. Para se ter uma ideia, não usam nada industrializado e os chocolates dos produtos são sem açúcar. Além disso, trabalham com salgados funcionais, vários tipos de leite e têm opções para celíacos e veganos.

Na cafeteria estão disponíveis 3 tipos de grãos de café, sendo um orgânico e os outros dois de lotes variáveis, o que garante sempre uma novidade por lá. Vale destacar o Black Latte (R$ 15), considerado uma tendência no Reino Unido e na Austrália. A bebida é feita com carvão vegetal ativado, um ingrediente saudável, que ajuda a eliminar substâncias toxicas do organismo. Tem na versão quente e gelada. Provei e gelada, que vem com chantilly de café. Surpreendentemente bom!

Para acompanhar o cafezinho espresso, servem uma pipoca gourmet caramelizada deliciosa, inspirada na Garrett Popcorn, que é um sucesso em Chicago (a favorita da Oprah Winfrey). Além disso, tem o copo de cookie, que você pode adicionar qualquer bebida do cardápio e comer depois.

E tem mais: Waflle de Liège (referência nova-iorquina) (R$ 10,50), o Cinnamon Roll (R$ 10,50), cookies (R$ 6,50), donuts (R$ 8,50) e um sanduíche de presunto de parma com queijo da Serra da Canastra de comer de joelhos (R$ 20).

Tudo o que está no cardápio pode ser adaptado ao gosto do cliente e tem a opção “to go”, ou seja, dá para pedir e levar. Aprovadíssimos: cardápio e atendimento. Vale a pena conhecer!

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Eurobike Café

Rua Clodomiro Amazonas, 1012 – Vila Nova Conceição
De segunda a sexta, das 8h às 19h; Sábados, das 9h às 14h.
Telefone: (011) 2924-8995.

*Os preços foram checados na data de publicação desta matéria e podem sofrer alterações.

O que achou da Eurobike Café? Conte nos comentários e compartilhe com seus amigos usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo. 

Fotos: Divulgação/Fotos do Instagram: Fernada Haddad (Um cafezinho©)