Lista de cafeterias

Uma das minhas autopromessas é fazer um levantamento de todas as cafeterias que visitei, sozinho ou na companhia da minha especialista em cafés particular.

Já fizemos viagens de todos os meios e tamanhos. Em uma delas, a viagem seria de carro, por 3 horas, para conhecer uma cafeteria bem avaliada. Na véspera, telefonei para garantir que a loja estaria aberta no sábado, só por precaução. O atendente confirmou. Partimos cedinho.

A especialista sempre começa as visitas pelo banheiro. Chegou à mesa assustada. Tudo bem, não perdemos o foco e pedimos os cafés.

Eu tinha uma prancheta na mão – provavelmente estava escrevendo alguma crônica – e a especialista um guia de cafeterias com um adesivo enorme e o nome dela impresso. Também tínhamos uma máquina fotográfica pouco discreta.

Enquanto o barista preparava as bebidas, o dono da cafeteria deu uma disfarçada e foi lá fora especular a placa do nosso carro – o único em frente à loja.

Quando viu que era de Santa Catarina, pareceu mais aliviado – pois falei que iria de SC para o PR, quando liguei. 

Ficamos com a impressão de que os nossos olhares observativos – e nossas parnafernalhas – fizeram o sujeito pensar que éramos avaliadores gastronômicos profissionais, tipo os caras do Guia Michelin. 

Ele veio trazer os cafés. Puxou conversa conosco, perguntou se eu era o sujeito da chamada, entre outras coisas.

Ele teve sorte, pois éramos somente pessoas atrás de um bom café. O ambiente estava muito quente e a limpeza longe de ser regular. Ficamos uma meia-hota e fomos embora.

Depois fizemos uma avaliação privada e mandamos para o proprietário. Tomara que ele tenha melhorado alguns pontos. A bebida que ele servia era muito boa e não merecia ser retirada da nossa lista – imaginária – de cafés preferidos.

Sempre pesquisamos as opções de cafeterias nos nossos destinos. Nas cidades maiores, andamos muito a pé, com um “mapa mental”, erramos muitas vezes os caminhos e damos de cara com lugares incríveis.

Temos a impressão que aqueles lugares que chegamos sem “maps”, sem pranchetas, sem expectativas foram os mais aconchegantes e, antes de tudo, foram os que serviram os melhores cafés. O dia que eu fizer a listinha com todas as cafeterias que visitei poderei confirmar a proporção. Por ora é só uma promessa.

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Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis”.
@marcelolamasbr

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De costas para o café

Na empresa, a minha mesa fica de costas para o cantinho do café. Não é uma simples coincidência; antes, eu ficava de frente. Será que alguém percebeu minha distração antiga que era capturar histórias acontecendo ali nos arredores e sugeriu a mudança aos superiores? Talvez seja teoria da conspiração, só mudaram por mudar. Nunca saberei.

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Lá no trabalho os aniversariantes recebem um cartão corporativo. Como são muitas pessoas no mesmo ambiente, quando o envelope pardo passa para coletar os cumprimentos é um divertimento ler as homenagens, as declarações de colegas que viram amigos mais íntimos – ratificadas pelas redes sociais – e também é engraçado ler aqueles apelidos familiares carinhosos, que “vazaram” na empresa quando algum parente apressado telefonou e pediu para falar com a Nani, com o Degão ou com o Teló. Fazendo um mea culpa, lá em casa meu pai me chamava de Cheiroso, por causa da minha pouca proximidade com o chuveiro, na infância. Por sorte, esta informação (ainda) não chegou à firma.

Na semana passada, começou a circular um cartão que deu o que falar. UM colega fez uma declaração inusitada para UMA aniversariante. Conforme o cartão ia passando, as pessoas vinham me mostrar, alguns até sugerindo que a situação merecia virar uma crônica. Todo mundo comentando, exceto a homenageada, que estava blindada até que a data chegasse, mas estava na boca do povo, sem saber.

O escritor Ruy Castro disse que precisa esperar dez anos da morte de um biografado para pode escrever a história com fidelidade. Eu só precisava esperar que a história terminasse e aguardava por isso: Qual seria a reação da homenageada? O autor do texto também estava com medo do desdobramento, devido toda repercussão.

Ah! Sim! O que estava escrito? Consegui autorização para transcrever:

“Quem dera tirar uma cópia tua e levar para a minha casa!”.

Nesta segunda-feira após a “solenidade” de entrega, ela disse que foi a homenagem mais criativa que recebeu em todos os seus 17 cartões da firma. É possível que o sujeito já tivesse disto isso pessoalmente, ali no cafezinho. Só que o observador social aqui estava de costas.

Parafraseando David Coimbra: “Não posso contar tudo, causaria separações, destruiria reputações.”.

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Marcelo Lamas é cronista desde 1994. Para não se comprometer só escreve “Parabéns” no cartão de aniversário corporativo. Autor de “Indesmentíveis”, entre outros.

@marcelolamasbr

marcelolamasbr@gmail.com

Foto: Depositphotos

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Harmonização de cafés com queijos e brigadeiros

No dia 26 de janeiro, participei do workshop de harmonização de cafés com queijos e brigadeiros, promovido pela minha amiga Litiene Andrighetti, que está à frente do blog Cappuccino e Cia.

Esse foi um evento de alto nível, com degustação de cafés especiais premiados(alguns dos mais caros do mundo), queijos finos e, ao final, brigadeiros.

Continue a leitura até o final e saiba todos os detalhes dessa experiência super enriquecedora. 

Experiências Cappuccino e Cia: como foi a harmonização de cafés com queijos e brigadeiros

Com o tema pineapple, tudo era surpresa e a recepção foi com uma bela pinacolada sem álcool só para entrarmos no clima. 

Em seguida, todos foram vendadose conduzidos até o ambiente onde aconteceriam todas as experiências da tarde. 

Começamos degustando o café Geisha em 2 copinhos diferentes, ainda DE OLHOS VENDADOS. 

Ouvindo músicas também diferentes, tivemos uma experiência COMPLETAMENTE DIFERENTE tomando exatamente o mesmo café. Acredite! 

Em seguida, já sem as vendas, pudemos melhorar nossa percepção sobre acidez, amargor, doce e salgado, com uma dinâmica super interessante feita com várias gelatinas.  

A próxima atividade foi prática. Colocamos a mão na massa para preparar o próprio café em diversos métodos: Hario V60, Pressca, French Press, coador de pano, AeroPress e Pour Over (Bialetti).

Eu escolhi preparar o café na AeroPress porque era o único que eu ainda não havia feito, apesar de já ter degustado várias bebidas nesse método.  

Harmonizamos o café di pássaro, da Unique, com queijos suaves e o café Forquilha do Rio com queijos intensos, todos da Président, além de pão de queijo, da Formaggio Mineiro. 

Para finalizar, degustamos o Inspirazione Shakerato, da Nespresso, com os brigadeiros da Amor aos Pedaços. 

A escolha dos cafés para cada acompanhamento resultou numa experiência muito interessante e agradável. Além de ajudar a apurar o paladar, foi um momento divertido, informativo e que dificilmente não agradaria qualquer coffee loverdo mundo.  

Ao final, todos saímos com café e outros presentes para continuar a experiência em casa, sem contar o sorteio de uma linda moka da Bialetti, com as cores da bandeira da Itália, mas não fui eu a sortuda. 

O mais legal é que a proposta da Litiene é continuar com eventos como esse, porém nunca iguais, sempre cheios de surpresas. 

Leia também o texto sobre o evento no blog Cappuccino e Cia.

Se você gostou de saber como foi esse workshop de harmonização de cafés com queijos e brigadeiros, um novo evento vai ocorrer em São Paulo no dia 06 de abril, às 14h30. Para saber sobre inscrições, clique aqui. Você conhece alguém que vai gostar dessa dica? Compartilhe pelas redes sociais. 

Fotos: Fernanda Haddad | umcafezinho.com.br  ©

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