Tipos de torra de café: o que você precisa saber

Uma das áreas do café que eu me interesso muito é sobre torra. Sempre quis escrever sobre os tipos de torra de café, mas meu conhecimento era muito raso. Recentemente fiz um curso e, apesar de ter aprendido bastante, isso não me fez uma expert.

Pelo o que percebi, essa é mais uma daquelas coisas que só se aprendem na prática e mesmo assim, com experiência, sempre há o que descobrir.

O que pretendo com esse texto é colocá-los na mesma situação que eu. Ou seja, fazê-los entender um pouquinho do processo e alimentar a curiosidade para refletir, questionar e pesquisar mais sobre essa etapa tão delicada da cadeia do café.

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Café escuro não é sinônimo de qualidade

Grande parte de nós aprendeu que quanto mais forte (escuro) e amargo o café, melhor ele é. Quando a gente vai ao mercado e se atreve a pagar um pouco mais por uma café gourmet, já começamos a nos questionar sobre essa “verdade”. A revelação aparece quando a gente tem a oportunidade de provar ao mesmo tempo, o café tradicional, o gourmet e o especial. A diferença se torna muito nítida.

O primeiro passo é abrir a mente e focar nos aromas e sabores. Enquanto um café extremamente escuro tende a apresentar gosto de queimado ou até mesmo de outras coisas desagradáveis como borracha, cafés não carbonizados apresentarão aromas mais agradáveis.

Grãos excessivamente torrados geralmente são assim para esconder seus defeitos. Com isso, também perdem as características que deveríamos sentir em um café de qualidade.

Cor não é tudo

Quando se falava de torra há um bom tempo atrás, o que se conhecia era apenas torra clara, média e escura. Hoje a gente ouve falar de perfil. Isso significa que um mestre de torra deve não somente pegar o café cru e esperar até que ele fique com a torra média, por exemplo. A partir de seu conhecimento e de muitos testes, ele vai ter que extrair o melhor daquele café.

Ao contrário do que a gente pensa, um torrador não é apenas uma máquina em que colocamos os grãos, ligamos e ele sai torrado. Cada equipamento vai disponibilizar algumas variáveis que ajudarão o mestre de torra em sua missão. Fluxo de ar, tempo e temperatura são algumas delas.

Isso tudo quer dizer que um tipo de café poderá ficar melhor se torrado mais claro e o outro mostrará suas qualidades se for torrado um pouco mais. Na verdade, tudo depende. Quem realmente dará o aval será o sensorial do mestre de torra, que deve ser muito bem treinado.

Não se prenda tanto à cor. Da próxima vez lembre-se que cafés de melhor qualidade possuem perfis de torra, mas que dificilmente passarão do segundo crack.

Crack, o que é isso?

Você já se perguntou por que a pipoca estoura? Basicamente é a expansão da umidade que faz o grão do milho explodir, se transformando em uma das maiores delícias!

Quando o café é colocado sob determinada temperatura acontece a mesma coisa. Ele não se transforma visivelmente tanto quanto o milho, mas a gente consegue ouvir um “crack”, como pipoca estourando. Essa primeira quebra é a liberação de gases e vapor que se formaram devido ao calor. A partir daí, o café começa a desenvolver suas características.

Se a gente deixar o café lá, torrando por muito tempo, ele vai chegar ao segundo crack. Porém, nessa quebra, haverá a liberação dos óleos do grão. Isso não é legal, porque os óleos que chegam a superfície oxidam, dando ao café aromas e sabores desagradáveis.

Tem um vídeo muito legal que mostra esse processo. Perceba que, quando os óleos são liberados, os grãos até soltam fagulhas por entrarem em contato com o calor.

 Mesmo café, diferentes perfis

Sim, isso é possível principalmente em duas situações. A primeira delas seria uma questão de objetivo do mestre de torra. Posso ter um mesmo café com uma torra que destaque mais as características de acidez, com notas de frutas e flores e  uma outra torra que destaque mais a doçura e que tenha notas como as de baunilha, manteiga, malte.

A outra situação é quando o perfil precisa de ajuste. O café é um fruto, que sofre mudanças com o passar do tempo. Pode ser que um café que acabou de chegar da fazenda não seja torrado exatamente da mesma maneira daqui a seis meses.

Aqui também vale lembrar que cada equipamento funciona de uma maneira. Quem vai torrar, pode até buscar diretrizes, mas nunca uma receita pronta. A ferramenta essencial desse processo é mesmo o sensorial, não tem jeito.

Torrar café com qualidade é algo muito complexo. São tanto detalhes que a gente nem imagina. Vocês faziam ideia de que era assim?

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Fotos: Depositphotos

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Telefone fixo

Outro dia recebi uma informação confidencial e o sujeito me advertiu:

– Cara, cuida com o que vais fazer com isso!

– O quê? Qualquer coisa eu sumo e ninguém me acha.

– Cara, eu te acho pelo Google, é só querer.

Depois dessa conversa, refleti sobre o quanto era difícil encontrar uma pessoa há duas ou três décadas. A primeira vez que me interessei por uma menina, o único jeito possível de fazer contato era segui-la, depois da escola. Isso não era lá muito difícil. O complicado era ficar escondido da mãe dela, que logo percebeu o gurizote de óculos no encalço.

Certa vez, quebrei a cara: a mãe de uma pretendida me conhecia de vista, pois trabalhava no mesmo hospital que a minha mãe. E deixou vazar no cafezinho: “Os nossos filhos se gostam!”. Aí sofri bullying em casa: “Com namoradinha, hein Marcelo?!”.

Depois aprimorei o método de contato. Com a chegada do telefone aos bairros interioranos, dava pra saber quais casas tinham o aparelho, pela simples observação da fiação – seria um indício que este cronista viria a ser um engenheiro eletricista?

Caso não soubesse o endereço, bastava saber o sobrenome da menina, então, era só procurar na lista telefônica pelo número que tivesse os dígitos iniciais do bairro. Se tivesse dois “Duartes” com telefone naquele bairro, aí tinha que aprimorar a pesquisa e descobrir o nome dos pais. Essa combinação era infalível. Depois era só ficar ligando, até ter a sorte de ela atender. Caso fosse outra pessoa, era só dizer que era engano. Ou desligar na cara! Confesso que utilizei mais esta última.

Li em uma crônica da Martha Medeiros que era muito constrangedor receber os telefonemas dos garotos, porque era o pai que atendia e a chamava forçando uma voz autoritária, para amedrontar os candidatos. E que ela era obrigada a ficar ali, diante de todos, dando respostas monossílabas e sendo observada pela família, pois os telefones fixos ficavam na sala da casa, eram sinônimo de status e objetos decorativos – o lá de casa era vermelho.

Depois de ler o texto, fiquei com a consciência pesada, pois sempre estive na posição confortável de estar sozinho, enquanto fazia minhas abordagens. Agora, devo passar por mal-educado, quando ligo para alguém não gasto muito tempo com as saudações, vou direto no “Podes falar?”. Deve ser um jeito inconsciente de acertar essa conta antiga, dando opção para a pessoa sinalizar que “não”, que ligar em outro horário seria melhor.

Semana passada estive em São Paulo e fiquei com preguiça de procurar uma cafeteria com boa recomendação e de sair para longe do hotel. Acionei o “locais nas imediações” e acabei tomando um café ruim. Na maioria das vezes a praticidade não vale tanto a pena assim. É melhor gastar um tempinho investigando, como se fazia no passado.

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Marcelo Lamas é cronista. Autor de Indesmentíveis. Segundo seus colegas de trabalho, se tivesse nascido animal, seria um cachorro perdigueiro.
@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Foto: Marcelo Lamas / Cafeteria @bellocacau

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Como escolher um bom café

Esses dias meu marido viajou aos EUA a trabalho e, como de costume, trouxe algumas coisinhas para mim. Ele me conhece bem e sabe que não é difícil me agradar. Basta ir ao mercado, colocar algumas guloseimas no carrinho e isso vai me fazer a pessoa mais feliz do mundo. Das últimas vezes, ele também trouxe café. Tento sempre dar dicas de alguma cafeteria para visitar e ele já me deu produtos desses locais. Só que dessa última vez foi muito legal e vou aproveitar para dar algumas dicas de como escolher um bom café.

Ele comprou o pacotinho no Whole Foods, um mercado que tem por lá, conhecido por seus produtos frescos, orgânicos e por incentivar a produção local. Era o Nicaragua El Diablo, da Four Barrel Coffee, empresa que oferece excelentes cafés. Vocês podem estar pensando que, de repente, ele teve sorte.

Quando eu disse que o café era uma delícia, ele me contou que observou cada um dos pontos abaixo antes de tomar a decisão de me trazer o pacotinho:

Dicas de como escolher um bom café

Origem

Essa informação comprova a qualidade do café e aquilo que está sendo vendido. A localização também pode dar indícios do que vamos encontrar no pacotinho quanto às notas aromáticas. Um café especial da África, por exemplo, a gente espera notas florais e notas de frutas bem marcantes.

Usando ainda o café que o Edu trouxe, na embalagem existem algumas informações sobre a origem, mas a gente pode entrar no site e ver todos os detalhes sobre cada tipo de grão que eles oferecem.

Variedade do Grão

A gente já falou um pouco sobre os tipos de café, lembram? Isso também vai ser importante na hora da compra. Da mesma maneira que queremos saber quais são os ingredientes de determinados produtos no mercado, deveríamos saber o que tem no nosso pacote de café.

Para quem realmente procura qualidade, saber que é 100% arábica, não basta. Isso porque pode ser a mistura de diversos tipos, grãos com defeitos (o que interfere no sabor da bebida), de locais diferentes e que, na verdade, nem sabemos de onde vem.

Data da Torra

Não há nada como um café de torra fresca! Suas características são mais perceptíveis e já dá para perceber isso no momento em que abrimos a embalagem. Esse é o tipo de informação que também consta nos pacotes dos cafés de melhor qualidade.

Procure comprar os que possuem data até 30 dias após a torra, são ideais. Até 60 dias dá para fazer uma boa extração também. Café torrado não estraga, mas com o tempo vai perdendo suas qualidades.

Altitude

Cafés de melhor qualidade, principalmente no Brasil, costumam ser compostos por grãos arábica. Como esses tipo de café é plantado acima de 800 m de altitude, saber essa informação nos dá mais um indício sobre o que estamos comprando.

Estudos comprovam que quanto maior a altitude, maior é a concentração de minerais nos grãos. Consequentemente, maior riqueza de aroma e sabor no café. Dá para saber um pouco mais sobre esse assunto, acessando a Biblioteca Digital da Universidade Estadual de Londrina. Lá tem o estudo desenvolvido por Romeu Gair.

Notas Aromáticas

Quando a gente ouve o barista falando que o café tem notas de baunilha, caramelo e laranja, por exemplo, não necessariamente foi inserido algum tipo de aroma artificial. Cafés especiais desenvolvem notas aromáticas naturalmente, assim como o vinho.

Na hora de comprar o café, se a gente já identificou todas as informações já citadas, provavelmente também encontraremos os dados sobre o aroma. Cafés de boa qualidade são complexos, o que significa que vão ter notas de frutas, flores, mel, açúcar mascavo e por aí vai.

Foi depois de avaliar tudo isso que o Edu decidiu positivamente em colocar o café no carrinho. Fiquei tão orgulhosa! Não apenas por ter um café gostoso na minha xícara, mas porque consumir esse tipo de produto incentiva a agricultura familiar, o cuidado com a natureza… Sem contar o bem que faz pra gente!

O café especial tem um preço mais elevado comparando com o tradicional, mas quando a gente entende o que há por trás, isso nos mostra um valor inestimável do produto. Mesmo que não dê para consumir diariamente, prefira o café especial sempre que possível. Dá para tomar um espresso de qualidade pagando R$ 4,50 em uma cafeteria super especializada, enquanto alguns locais oferecem bebidas de baixa qualidade com o mesmo valor ou até superior.

O que vale também é a gente repensar a nossa forma de consumo, o impacto de nossas atitudes no dia-a-dia. Podem parecer mudanças muito pequenas, mas é assim que começam grandes transformações.

Gostaram das dicas de como escolher um bom café? Vocês costumam observar esse tipo de informação na hora de comprar café? Que critérios utilizam na hora de escolher?

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: Depositphotos | Fotos do post: Cinthia Bracco

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Simplicidade

Recentemente fiz uma expedição ao Uruguai e o que mais me impressionou por lá foi a simplicidade das coisas. A seguir listo uma pequena amostra do que me encantou:

O povo

As pessoas são agradáveis, tranquilas e prestativas, o que se percebe desde o serviço de imigração. No Uruguai, se você quiser falar com o presidente, basta esperar a saída do expediente, pois ele tem que caminhar até o local onde é permitido estacionar. Devido à população não ser tão grande – mas ser altamente politizada – as decisões são tomadas mais rapidamente, a lei do divórcio, por exemplo, foi decretada 70 anos antes que no Brasil.

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O homem do Guiness

Voltei a visitar o “Museo de Colecciones Arenas”, em Colônia do Sacramento. Entre frascos de perfumes, pins, chaveiros e bonés, o que se destaca é a maior coleção de lápis do mundo. É o próprio Sr. Emílio Arenas que apresenta as curiosidades do acervo. Ele tem uma cafeteira de 1860, que funcionava originalmente à carvão e que após uma reforma na Argentina, foi modernizada para o gás. Quando perguntamos se ele não tinha problemas com cupins, pois a coleção é cuidadosamente organizada em caixas de madeira, ele respondeu: “Uso Jimo”. Simples assim.

Café

Como sabia que no país vizinho aceitam qualquer moeda, catei todos os níqueis e cédulas de viagens passadas. Para não ficar perdido nas conversões, fazia as contas baseado no preço de um cafezinho(100 pesos). Essa utilidade do café eu ainda não havia experimentado! Em uma loja de esportes, gostei muito de um par de tênis. Não o comprei. Achei que 55 cafezinhos era um valor absurdo.

É importante dizer que só tomamos bons cafés lá no país vizinho – seguramente com boas doses de grãos brasileiros. Eles não vinham harmonizados com chocolatinho para disfarçar o amargor. Todos chegavam ao nosso paladar na temperatura certa, bem quente! Nas nossas incursões pelo Brasil, percebemos por vezes muito glamour nas cafeterias e pouca temperatura dentro das xícaras.

 

Marcelo Lamas é o autor de Indesmentíveis (Camus Ed.). Para poder experimentar mais opções de cafés, padronizou as doses em tamanho pequeno.

@marcelolamasbr / marcelolamasbr@gmail.com / Facebook: @marcelolamasescritor

Foto: Marcelo Lamas

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Café e tecnologia

Não tem muito tempo, a gente falou um pouco das ondas do café. Na ocasião, quando comentamos sobre a 4a onda, que está por vir, foi inevitável não citar a tecnologia. Ela está presente em praticamente tudo, inclusive na nossa xícara de café. Hoje, vamos falar um pouco dessa relação entre café e tecnologia. 

Café e tecnologia: o que esperar dessa relação?

Um estudo divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em janeiro deste ano, intitulado A Cultura do Café: Análise dos Custos de Produção e da Rentabilidade nos Anos-Safra 2008 a 2017,  aponta a tecnologia como grande responsável no amento da produtividade do café.

O uso de máquinas para a colheita e novas técnicas de cultivo são exemplos de otimização. Os cafés especiais não ficam de fora. Segundo o produtor Adolfo Vieira Ferreira, da Fazenda Passeio, os ganhos também são perceptíveis na qualidade da bebida. Ele tem instalado em sua fazenda um laboratório de análise sensorial. Isso é  importante para quem pretende focar no mercado de especiais. Ele acredita que uma planta sadia, cultivada com a ajuda da tecnologia, rende grãos de melhor qualidade. Com isso, os consumidores também saem ganhando.

Indo agora para a outra ponta da cadeia, nas cafeterias, essa semana vi algo na internet que foi o que me motivou a escrever este texto: um robô coando café no Japão! Ao mesmo  tempo em que isso me fascina (adoro robôs!), me preocupa. Afinal, um robô barista que além de coados também opera a máquina de espresso, não precisa de VR/VT, não reclama e, até onde a gente se espera, não vai maltratar o cliente. Parece ser um bom negócio.

Não é de hoje que a gente vê máquinas substituindo humanos. O que há anos atrás não passava de ficção, hoje faz parte da nossa realidade. A tecnologia também está na casa das pessoas. Pequenas máquinas capazes de extrair um bom espresso, moedores, torradores e, principalmente, informação.

Porque, então, ao mesmo tempo que isso acontece, a gente também vê uma cafeteria nova a cada dia e, principalmente, baristas entusiasmados em se desenvolverem e insistindo em se manterem em uma profissão incrível, porém desvalorizada?

Eu mesma, barista, não sei muito bem responder a essa pergunta. Da minha parte, estou na profissão porque simplesmente adoro o que eu faço e vejo que muitos colegas compartilham desse meu sentimento. Provavelmente a gente vai dar um jeito de aliar o novo ao artesanal, esperando que sempre haja alguém fã do café old school. Está aí o disco de vinil, vivo até hoje.

Por outro lado, com todas essas facilidades ao nosso alcance e com relacionamentos cada vez mais online, o que vai motivar as pessoas a frequentarem uma cafeteria no futuro? Especialmente nas grandes capitais, onde a gente percebe em muitas pessoas quase que uma aversão ao contato humano. Essa conversa até me faz pensar no Wall-E, aquela animação da Pixar, lembram?

Podemos até falar de tendências, mas o futuro ninguém sabe. Por enquanto o cenário do café é muito positivo no Brasil. Tem muitos profissionais excelentes suando a camisa – e, provavelmente, usando a tecnologia – para garantir a qualidade em nossas xícaras.

Sinceramente, eu não consigo imaginar um mundo sem cafeterias feitas por humanos, nas quais em cada extração vai haver um pouquinho do amor que a gente tem pelo café. Um robô barista é super legal, mas no final das contas a gente sabe o que vai acontecer: vão querer, de alguma forma, humanizá-lo.

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Gostaram da ideia do robô barista? O que acham dessa junção entre café e tecnologia? E hoje, o que motiva vocês a frequentarem cafeterias? Contem nos comentários.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto: Depositphotos

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Cursos para quem gosta de café e para profissionais

Seja para se profissionalizar ou elevar o nível da bebida que preparamos em casa, aprender mais sobre café é sempre uma boa opção. No post anterior, falamos um pouco sobre as atividades e desafios de um barista. Um dos pontos que listamos era sobre a importância de estudar para se desenvolver como profissional. A partir daí resolvemos trazer algumas sugestões de cursos para quem gosta de café e locais para se especializar.

Se a sua ideia não é ter o café como profissão, mas poder preparar a bebida em casa com mais técnica, não se preocupe. Nós também pensamos nisso!

7 lugares pelo Brasil que oferecem cursos para quem gosta de café

1 . Coffee Lab (São Paulo)

“Um laboratório de sensações. Uma escola de baristas. Uma cafeteria especial”. É assim que o Coffee Lab, referência no Brasil, se define. Com anos de experiência no mercado, a escola oferece cursos técnicos e educativos, como Barista Júnior e Sênior e Café em Casa. Eu cursei os dois módulos de Barista e, quando fui atuar na área, percebi que estava bem preparada. Gostei muito e recomendo! 😉

2 . Wolff Café (São Paulo)

Com um time de profissionais de peso, além de estar com seus grãos presentes em diversas cafeterias especiais em São Paulo, o Wolff Café oferece cursos profissionalizantes como Barista, Torra e Latte Art. Eles também possuem um curso de Filtrados, direcionado tanto aos profissionais como quem pretende melhorar as técnicas dos coados em casa.

3 . Um Coffee Co. (São Paulo)

Eleita a melhor cafeteria de São Paulo em 2017 pela Veja SP, a Um Coffee Co. também ministra cursos em sua unidade do Bom Retiro, sendo que alguns deles dão direito à certificação da SCASpecialty Coffee Association.

Além dos profissionalizantes, eles também possuem o curso Métodos de Extração, que abrange Hario V60, Kalita Wave, Aeropress e Prensa Francesa.

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4 . Academia do Café (Belo Horizonte)

Criada com o intuito de ser um lugar destinado ao aprendizado e formação técnica, a Academia do Café disponibiliza diversos cursos e workshops, atendendo às mais variadas necessidades, que vão desde a introdução ao mundo dos cafés especiais com duração de 1 hora e meia, até cursos mais profundos como os técnicos de Torra e de Barista.

5 . Lucca Cafés Especiais (Curitiba)

Reconhecido pelo público e dono de diversos prêmios, o Lucca Cafés Especiais é, sem dúvida alguma, um dos locais de grande destaque quando falamos sobre cursos na área do café. Boa parte dos técnicos oferecem certificação da SCA e os coffee lovers podem contar com o Preparo de Cafés em Casa. Destaque para os cursos de Tecnologia da Água e Cupping Básico.

Além disso, eles atendem pessoas voltadas para a área do empreendedorismo, como é o caso do curso Como Montar seu Plano de Negócio e da Consultoria em Cafés.

6 . Baden Torrefação (Porto Alegre)

Desde 2014 estabelecida na região Sul do país, a Baden Torrefação vem se desenvolvendo e ganhando cada vez mais força. Recentemente um de seus baristas, Andre Martinelli, ficou em 3o lugar no campeonato Brasileiro de Baristas 2018. Eles oferecem workshops e cursos, também atendendo à demanda dos profissionais e amantes do café.

Atualmente, estão divulgando o curso Ciência da Torra do Café. Para saber sobre os próximos, a recomendação é ficar de olho nas mídias sociais.

7 . Kaffe Torrefação e Treinamento (Recife)

Com a missão de ser um centro de disseminação de conhecimento, o Kaffe Torrefação e Treinamento tem como principal objetivo cursos e capacitação de profissionais. Inaugurado em março de 2017 em Boa Viagem, Recife, a casa oferece cursos técnicos de Torra, Barista, Análise Sensorial, entre outros.

Os entusiastas também podem se aperfeiçoar através das diversas oficinas que acontecem durante o ano: Preparo de Café Filtrado, Degustação e Harmonização e Drinks com Cold Brew são alguns exemplos.  As agendas também vão sendo divulgadas nas mídias sociais.

Se faltava um empurrãozinho para aprender mais sobre café, agora não tem mais desculpa. Ainda mais porque a maioria dos locais dá uma facilitada no pagamento. Eu mesma já programei um curso de torra para o final de fevereiro. E aí, quem mais se animou?

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto: Depositphotos

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Cidade fantasma

Estava em férias e voltei para a pequena/média cidade do interior onde vivo, pois precisava resolver uns problemas burocráticos. Fui ao cartório e a Jéssica – sim, aqui as pessoas se conhecem pelos nomes – já avisou que eu teria problemas para conseguir pagar uma taxa da prefeitura.

E foi o que aconteceu. A pessoa responsável pelos tributos estava em férias. Vou ter que esperar ela voltar. Também tentei fazer uma doação de sangue e advinhe? Hemocentro com as luzes apagadas. Fiquei bem chateado com isso. Aliás, a cidade toda estava assim, com plaquinhas de FECHADO, penduradas nas portas. As empresas encerram as atividades antes do Natal e só abrem no meio de janeiro. Como há várias praias num raio de 80 km, parece que boa parte da população migra pra lá. Só tinha uma barbearia funcionando e tive que esperar um bom tempo na fila para cortar o cabelo.

Com tudo isso, só não pensei em enforcamento – alternativa comum nos arredores – porque a melhor cafeteria da cidade só fez uma pausa entre as datas festivas, coincidentemente enquanto eu não estava.

Aqui, o condado é naturalmente protegido por morros e rios, o que impede as ações criminosas, além de ter uma polícia bem equipada pelo empresariado. Tudo isso rendeu o título oficial de cidade mais segura do país.

Certa vez, solicitei à prefeitura que desligasse os semáforos (e as máquinas de multa) na madrugada, para não ficar parado como “presa” debaixo do sinal vermelho. A resposta foi que não havia ocorrências desse tipo nesta latitude. Para essa negativa do poder público não fiquei estressado.

Parafraseando Mario Quintana (1906-1994): “Uma boa frase acaba com qualquer desentendimento”.

Que tenhamos bons cafezinhos em 2018!

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Marcelo Lamas é cronista. Reside em Jaraguá do Sul (170 mil habitantes), no norte de Santa Catarina, estado no qual metade dos municípios não tiveram mortes violentas em 2017.
@marcelolamasbr
facebook: marcelolamasescritor
e-mail: marcelolamasbr@gmail.com

Foto: depositphotos

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O que faz um barista?

Você sabe o que faz um barista? Bem, eu sou barista. Quando eu digo isso, minha expectativa em relação a como a pessoa vai reagir é a seguinte:

Porém, não é bem assim que acontece na grande maioria das vezes. As pessoas reagem, principalmente, de 3 maneiras diferentes:

Mesmo que elas não se expressem verbalmente, a gente consegue entender seus pensamentos só de olhar. Outras áreas da gastronomia já são mais valorizadas, como acontece com os sommeliers, enólogos e os cozinheiros. Aos poucos, os baristas também vão ganhando seu espaço, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.

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É claro que dentro desse universo existem diferentes tipos de baristas e cafeterias, porém o que vale dizer é que existem pessoas trabalhando arduamente na área do café e orgulhosas do que fazem. Por isso, é muito importante a gente falar sobre o barismo. Dessa forma, as pessoas terão informações e a possibilidade de entenderem um pouco mais sobre esse mundo fascinante.

Antes de falarmos sobre as atividades, vamos definir o que é um barista. Para isso, vou usar o conceito da Isabela Raposeiras, que descreve muito bem a profissão:

“O Barista é o profissional responsável pela qualidade do café servido ao consumidor, que deve reconhecer tal qualidade. Para tanto, o Barista deve estudar todos os elementos presentes na cadeia produtiva que influenciam o resultado final da bebida”.

O que faz um barista?

Dito isso, vou listar agora algumas das atividades e características dos baristas.

1 . Estudar, estudar e estudar

A primeira coisa que você deve fazer quando decide se tornar barista é estudar. É preciso aprender as técnicas, entender um pouquinho de produção e assim por diante. No entanto, para ser um bom barista, é necessário dedicação. Tem que estudar sempre e ter disposição a estar em constante aperfeiçoamento, além de ficar de olho nas tendências do mercado.

2 . Treinar o sensorial

É muito importante que o barista tenha o sensorial apurado. Ele precisa de seus sentidos treinados para ter a capacidade de avaliar o café. O barista precisa estar apto a usar as técnicas aprendidas para oferecer uma boa xícara ao cliente e é o sensorial desse profissional que dará a palavra final sobre o equilíbrio perfeito da bebida.

3 . Ser criativo

Seja para criar novas bebidas a base de café, melhorar a operação ou identificar novas oportunidades para levar a diante o conhecimento sobre café.

4 . Mil e uma utilidades

Nem só de café vive um barista. No dia-a-dia de uma cafeteria, muitos desses profissionais também são os responsáveis pela limpeza, organização da área de trabalho, reposição de alimentos e insumos no bar, preparo de alimentos e (muita) louça para lavar. Isso significa que não tomamos café o dia todo, sempre tem algo pra fazer.

5 . Saber lidar com as pessoas

Nessa questão, temos duas vertentes – clientes e colegas de trabalho. Lidar com o público é uma surpresa diária, pois você nunca sabe quem pode entrar pela porta e nem qual será o humor daqueles clientes mais assíduos.

Sobre os colegas, eu devo admitir que aprendi muito sobre trabalho em equipe atuando em uma cafeteria. Eu, que sempre tive dificuldade em pedir ajuda, de repente me vi em um lugar onde eu precisava das pessoas o tempo todo. Para as coisas darem certo a gente tem que criar uma relação de confiança mútua e isso não é fácil de se construir.

Na minha opinião, essa é uma das habilidades mais difíceis que um barista precisa desenvolver.

6 . Fazer network

Participar de eventos, estar presente em grupos de mídias sociais, visitar cafeterias e outros locais que fazem parte da cadeia do café. Tudo isso contribui para o crescimento do barista. Trocar experiências e informações é algo muito valioso em qualquer profissão e no barismo não é diferente.

7 . De aluno a professor

O café vive sua terceira onda e, com isso, a procura por cursos cresceu nos últimos anos. Assim, baristas que antes estiveram em sala de aula, acabam tendo a possibilidade de ensinar. Se bem que eu conheço tanto barista apaixonado, que não precisa nem ser professor. Ensina o cliente, os amigos, marido, filhos…

Para não ser injusta, vou terminar esse texto falando de um amigo, o Julio. Quando eu contei para ele que me tornaria barista, ele (que já trabalhou em cafeteria por um período) ficou feliz e me falou que era uma profissão incrível, que nos  ensina muitas coisas. Como a humildade, por exemplo, já que estamos lá para servir o outro.

Por isso, sempre que estou em dúvida ou com alguma dificuldade em relação ao meu trabalho, uma das coisas que faço é lembrar das palavras dele e, principalmente, de um certo brilho que pude enxergar em seu olhar.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto: Depositphotos/ Ilustrações: Cinthia Bracco

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Como treinar a avaliação sensorial do café

Se a gente parar e pensar, vai perceber que tomar café envolve muito mais coisas que simplesmente ingerir uma bebida. Nós estamos ligados emocionalmente com ele, seja pelas memórias afetivas ou pelo conforto que ele nos traz. Café é experiência e para melhorá-la, hoje darei dicas de como treinar para fazer uma boa avaliação sensorial do café.

Talvez você já tenha lido no pacotinho de café algo como: notas de chocolate, caramelo e especiarias. Algumas pessoas até ficam em dúvida se foi adicionado algum tipo de aroma. Nesse caso, essas notas são do próprio grão, desenvolvidas a partir de inúmeras variáveis, como terroir, variedade do grão, processamento, torra.

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Quando começamos a entender essas questões e, principalmente, treinar o nosso sensorial, percebemos que a experiência fica mais legal. Perceber as características sensoriais da bebida é difícil, não vou mentir. Por isso, o que a gente espera com essas dicas é que, aos poucos, você vá percebendo que cada café tem seus próprios atributos.

5 dicas para aprimorar sua avaliação sensorial do café

1) Crie repertório

Essa foi uma das primeiras coisas que aprendi, ainda na escola de barismo, e talvez uma das mais importantes quando o assunto é avaliação sensorial do café. Varie sua alimentação, prove comidas e bebidas diferentes, dê chance para novos sabores. Não somente isso: sinta o aroma de tudo, não se limitando à comida. Cheire uma flor, uma planta, a terra. Lembre-se de itens com cheiros não tão bons assim, como borracha, tabaco e madeira.

Existe um kit de aromas usado pelos baristas chamado Le Nez du Café. Ele serve justamente para treinar o sensorial e custa cerca de R$ 980 ou R$ 2.300 a edição especial. Ou seja, não é algo para se ter em casa. Porém, o site Not Bad Coffee criou uma área que não apenas nos mostra a roda de sabores do café, como também nos dá referências de cada aroma, ensinando como reproduzi-los.

2) Olhe para seu café

Falamos muito dos sentidos olfato e paladar, mas a visão também pode dar alguns indícios sobre o seu café.  Se você estiver bebendo um espresso, avalie a crema. Se for um coado, observe o aspecto em si e a coloração. Cafés muito escuros foram torrados excessivamente, então já imaginamos encontrar amargor e notas desagradáveis na xícara.

3) Concentração

No dia em que você se propor a tentar perceber notas aromáticas em um café, tenha em mãos um produto de qualidade, de preferência especial, para encontrar certa complexidade. Além disso, esteja em um ambiente fresco e silencioso, isso vai facilitar sua concentração. Se envolva em todas as etapas.

Abra o pacotinho, sinta o aroma e tente puxar na memória algum cheiro. Moa o café e sinta o aroma de novo. Umedeça o pó e repita o processo. Terminou a extração, sinta o aroma novamente. Prove o café, tente identificar o sabor, sentindo o corpo da bebida, que é aquela sensação tátil na língua.  Espere o café ficar morno, sinta a fragrância e o gosto. Prove o café frio também, pois ele pode variar de acordo com a temperatura. Às vezes, com o café frio, identificamos uma nota que não percebemos enquanto ele estava quente.

No início você não precisa tentar ser específico, identificando por exemplo, lima da pérsia, canela e mel. Comece de forma mais abrangente, tentado identificar os grupo. Fruta, especiaria, algo doce.

4) Compare

Outro exercício interessante é pegar diferentes tipos de café e compará-los no mesmo momento. Pegue um café tradicional, um gourmet e um especial. Faça o treino de concentração com cada um deles e, nitidamente, você perceberá diferenças.

Você também pode fazer o teste usando dois cafés especiais. Peça ajuda do barista para pegar um café mais ácido e outro mais doce ou com notas mais tradicionais. Prove os dois no mesmo momento ou um logo após o outro, quando suas sensações ainda estão frescas, e faça uma análise.

5) Se especialize

Caso você goste da brincadeira, procure um curso. Alguns locais já oferecem esse tipo de especialização e você poderá adicionar mais esse conhecimento ao seu currículo de coffee lover.

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Algumas pessoas têm mais facilidade para desenvolver o sensorial e, mesmo assim, sabemos que é algo complexo e que requer treino diário. Por isso, não desanime se você não estiver acertando muito nas primeiras tentativas. Afinal, o importante mesmo é se divertir e, principalmente, sentir aquele bem-estar que só uma xícara de café é capaz de nos proporcionar.

E aí, gostou das dicas sobre avaliação sensorial do café? Conta pra gente como é a sua experiência com o café.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Fotos: Depositphotos

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Presente de Natal

Véspera do aniversário de Cristo. Depois de dirigir por doze horas, cheguei ao extremo sul do Brasil para passar as festas de fim–de–ano com meus pais. Mal tinha largado a mala, fui intimado pela mãe: “Marcelo! Recebi um telefonema da Santa Casa. Está faltando alguém para ser o Papai Noel. Acho que podes ajudar”.

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Também era o meu primeiro dia de férias e ainda estava meio amassado da viagem. Na hora, lembrei da máxima da sabedoria popular: “Se família fosse bom, Deus tava cheio de irmãos”. O termômetro marcava 35°C, vestir uma fantasia de mangas longas e com barba comprida não estava nos planos daquela tarde ensolarada. E tinha o agravante de ter que colocar uma almofada na barriga, para disfarçar meu modesto peso, insuficiente para o novo cargo. 

Porém, a consciência pesou. Minha mãe sempre trabalhou no Centro Cirúrgico daquele hospital e, mesmo após a aposentadoria, continuava ministrando aulas de Enfermagem e Obstetrícia na Santa Casa. Lembrei das inúmeras festas de funcionários que frequentei na infância, dos presentes, doces e refrigerantes ganhos. Na instituição, havia o ícone Padre Barbieri, um franciscano sexagenário que dava aulas de reforço em várias ciências e que me ajudava com os problemas da matemática.

Resolvi retribuir as gentilezas e fui para o nobre evento. Juntamente com a equipe do presépio, andei pelos corredores, quartos e salas do hospital, cumprimentando as pessoas e distribuindo pequenos panetones.  Fiz uma voz que julguei ser parecida com a do Noel oficial. Na maternidade, as mães faziam questão que eu segurasse suas pequenas jóias. Na pediatria, as crianças comemoravam minha chegada. Na geriatria, os idosos ficavam emocionados, como se estivessem diante de um ídolo. Outros, “esquecidos” pelas famílias, incontidos, mostravam alguma nova esperança. 

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Na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) uma jovem paciente que parecia estar há tempo imóvel, com uma lenta e esforçada piscada de olhos, “me disse”: “Obrigado por ter vindo!“. Foi meu presente de Natal inesquecível. Naquela tarde, nem senti falta do meu sagrado cafezinho.

Feliz Natal!

 

Marcelo Lamas é cronista. Em 1978 pediu uma irmãzinha (a Susana) para o Papai Noel. 

*Crônica original publicada no livro “Mulheres Casadas têm Cheiro de Pólvora” – Design Editora, 2009.
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Foto: Depositphotos

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