Café corporativo

Recém-chegado ao mercado de trabalho, como estagiário em um escritório, consegui deixar a Termolar azul deslizar das minhas mãos e cair no chão. Lembro bem da cena: o café preto se esvaindo no carpete marrom – e junto dele minha chance de ser contratado.
Fiquei assustado e congelei diante da cena, mas uma moça que sentava pertinho do cafezinho da firma, viu a situação, tirou um pano não sei de onde, e rapidinho estancou a sangria.

E foi justamente a moça que mais me zoava, que nunca pronunciava meu nome e só usava a alcunha “o estagiário”. Tinha a impressão de que era a mais mal humorada do escritório.

Depois daquele ocorrido, percebi que a aparente indiferença não passava de uma brincadeira, a qual não tinha maturidade para perceber.

Foram muitos cafezinhos até que se iniciasse uma amizade que já passa de duas décadas. Sei de casos de conversas por ali que foram parar em altares.

Ouvi um empresário dizer que conseguia medir a situação do mercado pelo consumo de café do escritório, nos meses em que havia mais consumo o pessoal estaria com menos trabalho, ou seja, o setor econômico que ele atuava estava em baixa.

Falando em café de firma, encerro com a frase famosa de Abraham Lincoln (1809-1865): “Se isto for um café, por gentileza, me traga um chá; mas se isto for um chá, por favor, me traga um café”.

Você vai gostar de ler:

 

Marcelo Lamas é cronista. Seu trabalho no escritório e suas viagens corporativas são regadas pelos cafezinhos de firma (de todos os naipes). Autor de “Indesmentíveis” (Camus Ed.), entre outros. Aqui, escreve quinzenalmente, sempre às quintas-feiras.  

@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Foto de destaque: Pixabay

Compartilhe com seus amigos:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *