Na mesa ao lado

Anos atrás estive em uma rede de restaurantes durante uma campanha publicitária, apelidada de concurso cultural. Era um convite para que os frequentadores ouvissem histórias nas mesas ao redor e que depois, as compartilhassem nas redes sociais usando uma hastag. E o prêmio? As mais legais “poderiam” ser reproduzidas nas páginas do restaurante.

Num primeiro momento achei estranho ir a um lugar para ficar ouvindo a conversa de outrem, principalmente se estivesse acompanhado. Seu par se acharia desinteressante ao vê-lo com as orelhas esticadas para a conversinha ao lado.

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Acontece que no nosso caso, éramos uma estudiosa do comportamento humano e um cronista. Combinamos de ouvir o que vinha da mesa da direita, onde havia outro casal. A conversa era impublicável. Pelo menos aqui neste espaço. Não fez falta. Não pretendíamos participar do “concurso”.

Daquele dia em diante, toda vez que frequentamos cafés – que costumam ter mesinhas coladas – procuramos nos concentrar nas nossas conversas. Mas vez por outra aparece um tema interessante nos arredores e assim, fazemos aquilo que chamamos de observação social. Nem sempre funciona. Quando o café chega à mesa, nossa atenção se volta para a xícara e já nos perdemos da história ao lado.

Em minha defesa, como contador de histórias, sigo a tese do Luiz Antônio Assis Brasil, autor de “A margem imóvel do rio” : “Um escritor não depende de uma súbita inspiração, mas, sim, de um estado permanente de atenção ao que está a sua volta”.

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Marcelo Lamas é cronista. Autor de Indesmentíveis.
@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Foto: Depositphotos

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A mão boa

Já falei neste espaço que diariamente passo na padaria depois do expediente. O lugar é famoso pelo pão ciabatta, mas ali também é servido o melhor espresso da cidade, na minha opinião.

O dono do lugar é o tio Carlinhos. Ele não é meu tio, nem de ninguém que eu conheça, mas o seu jeito simpático fez a alcunha se espalhar entre os frequentadores da padaria, que sempre ocupam as mesmas mesas, lugares e horários, coisa de cidade pequena. Os atenciosos atendentes já sabem os nomes dos clientes, no meu caso, colocam o nome da minha namorada na comanda, mesmo quando estou sozinho.

Antes de ser um cafeólatra – e cronista do @umcafezinho – jamais acreditaria no que vou dizer: poderia estar vendado e mesmo assim saberia quando fora o tio Carlinhos que tirara o café da máquina.

No começo da semana, estive com uma tosse que não passava. Como bom brasileiro optei primeiro pela automedicação com xarope fitoterápico que curava todo tipo de doença – inclusive o mau hálito e dentre os seus muitos ingredientes tinha limão bravo, sucupira e assa peixe na fórmula. Como a tosse insistia fui ao hospital (medicação na veia, nebulização, raio X) e sai de lá com uma lista de remédios para tomar por alguns dias.

Ontem, quando estava saindo da padoca do tio Carlinhos, dei uma tossida e ele sensibilizado me entregou um bilhetinho com uma receita caseira: beterraba + cebola roxa + açúcar.

O médico tinha recomendado evitar tomar qualquer xarope, porque poderia estimular a tosse. Só que a minha crença foi maior no bilhete que passou pela mão do Carlinhos do que na alopatia receitada.

A tosse passou. Nunca saberei quem contribuiu mais. Talvez tenham sido os 8 espressos do Carlinhos que tomei nos últimos dias.

Cápsula de @UmCafezinho:

“A única maneira de se conservar a saúde é comer o que não se quer, beber o que não se gosta e fazer aquilo que se preferiria não fazer”.
Mark Twain

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Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentiveis”.
@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Foto: Tom Holmes / Unsplash

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Dia Internacional do Café: ao café, com amor

No Brasil, o Dia Nacional do Café é comemorado em 24 de maio. Nos Estados Unidos é 29 de setembro. Cada país tem o seu dia do café.  Para unir as celebrações pelo mundo, a Organização Internacional do Café definiu o dia 1 de outubro para comemorar com seus membros de todo o planeta o Dia Internacional do Café (#InternationalCoffeeDay). Neste ano, a campanha chama a atenção para a importância das mulheres em qualquer parte da cadeia do café.

Em seguida, compartilho com você a minha cartinha ao café:

Ao café, com amor

Você faz todo bate-papo ficar mais interessante, seja com um velho amigo ou um amigo novo.
Você une as pessoas. Até mesmo aquelas que não gostam de você participam do momento.
Você é meu maior companheiro nos momentos necessários de pausa e solitute.
Você me lembra diariamente da importância de ter momentos de descanso no meio do dia.
Você me dá energia. Depois dos nossos encontros, fico revitalizada.
Gosto de ler na sua companhia. Para escrever, você me ajuda a ter inspiração.

Você é o primeiro pensamento do meu dia e talvez seja o último também porque já durmo pensando no café da manhã. Carlos Drummond de Andrade disse que isso é amor. Bem, se for assim… Eu te amo. Parabéns pelo seu dia e que tenhamos muitos desses para comemorar juntos!

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Vamos tomar um cafezinho?

Um dia eu me perguntei: o que eu faria da vida se não precisasse nunca mais me preocupar com dinheiro? Esse questionamento ainda existe e foi através dele que eu resolvi abrir o @umcafezinho no Instagram para compartilhar com o mundo todo aqueles lugares onde eu ia tomar café, todos os cafés que tomo em casa. Falei um pouco mais sobre isso aqui.

Foto: umcafezinho.com.br ©

Como você vai comemorar o Dia Internacional do Café (#InternationalCoffeeDay)? Conte nos comentários. Gostou da minha cartinha ao café? Quero saber a sua opinião. Mais novidades sobre o dia de hoje, acompanhe pelo Instagram @umcafezinho. Espero vocês!

Foto de destaque: Depositphotos

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Tem café nas eleições?

Há duas décadas precisei mudar de estado por conta de uma oportunidade de trabalho. Era um ano de eleições e fui me informar acerca da justificativa (de ausência) eleitoral. Basicamente, você só precisava ir até uma agência dos Correios no dia da eleição. Isso mesmo, só lá que era possível se justificar.

Acontece que nas cidades pequenas só tem uma agência central. A fila era enorme. Digo, as filas, porque era necessário entrar primeiro em uma, onde você comprava (R$) a justificativa. Depois era só preencher o documento e entrar em uma outra fila e, de fato, se justificar.

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Passadas as primeiras eleições, já conhecia todos os forasteiros do condado, incluindo as meretrizes, afinal, elas dificilmente trabalham em suas cidades de origem. Como ficaria as reputações das famílias?

Assim que resolvi transferir meu domicílio passei a ser chamado para trabalhar nas eleições. Só achei ruim quando recebi a convocação. Logo depois do primeiro expediente já percebi a importância de participar do processo e me senti um cidadão de verdade.

No próximo mês estarei lá novamente. Por volta das dez horas, o delegado do prédio, diretor da escola, vai passar de sala em sala, avisando: “O café está pronto lá na cozinha”. E é nessa hora, que saio correndo, deixando a urna eletrônica para trás e aos cuidados dos outros mesários. Pouco importa a origem do café, a torra, a moagem ou o método de preparo. O que importa é quebrar a abstinência e esperar o sujeito passar novamente lá pelas três da tarde.

CÁPSULA DE UM CAFEZINHO – O que eles disseram…

“O que mantém nossa fé na democracia representativa é a esperança, seguidamente frustrada mas sempre renovada, de que os bons prevalecerão sobre os ruins”.

Luis Fernando Verissimo

 

Marcelo Lamas é cronista e presidente de mesa na seção 124 – 87a zona eleitoral/SC. Autor de Indesmentíveis.
@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Foto: Tim Arterbury on Unsplash

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Cafezinho na biblioteca

Outro dia vi uma lista de passeios de férias de um conhecido. Na verdade era um plano minucioso, com horários de chegada e saída de cada lugar, assim como os tempos dos deslocamentos. A princípio o critiquei, depois cheguei à conclusão de que, fora a exatidão dos horários, faço a mesma coisa.

Toda vez que viajo, levo na mala pelo menos um exemplar do meu livro e assim vou espalhando minhas histórias por aí. Se fizer uma estatística na ponta do lápis, cerca de um terço de todos os livros que lancei foram doados. Por respeito aos leitores que compraram, faço as doações para bibliotecas, escolas, livreiros e multiplicadores de leitura. Já recebi mensagem de um rapaz que cuidava de uma tia no hospital e que encontrou o meu livro por lá. Ele me disse que encontrou algum conforto naquelas páginas. E ai pode estar um dos motivos pelos quais escrevo.

Quando estou em férias, procuro agendar horários em bibliotecas e, em contrapartida, fico conhecendo lugares fantásticos, como a Biblioteca Joanina, da Universidade de Coimbra em Portugal.

Recentemente estive na Argentina e depois de um dia de passeio fisicamente exaustivo atrás de cafeterias – da minha listinha – faltava fazer o tour guiado na Biblioteca Nacional Mariano Moreno no finalzinho da tarde. Fomos recebidos pela professora voluntária Sra. Susana Jurado, de 87 anos (!). A senhorinha nos conduziu por uma visita de três horas passando por todos os andares da riquíssima biblioteca. Foi uma aula de etimologia, historia e cultura geral. Até esquecemos do cansaço.

Na sala de pesquisas da BN existe um café. Sim, ali mesmo, na sala de estudos, pertinho das mesas. Acontece que em nenhuma BN do planeta você pode retirar os livros de lá. Na unidade Argentina – que funciona até às 23h – você solicita a obra, ela é trazida de um andar climatizado, sem acesso e sem iluminação natural para evitar as traças e a umidade.

Você recebe o livro em uma área restrita, onde pode fazer suas anotações, de posse somente de um caderno e de uma caneta. Então você pode voltar para as mesas maiores, onde as pessoas fazem trabalhos individuais ou em grupo, movidos a café. “Caso alguém vire o copo de café sobre os materiais, só vai prejudicar a si mesmo”, explicou a “maestra jubilada”. Só não tomei um café ali, porque já havia ultrapassado a minha cota diária. E aí está o que eu precisava: um motivo para voltar lá.

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Cápsula de @UmCafezinho – O que eles disseram…

“A biblioteca é o lugar onde começamos a nos conhecer”.

Luis Fernando Verissimo

 

Marcelo Lamas é cronista. Autor de Indesmentíveis, Arrumadinhas e Mulheres casadas têm cheiro de pólvora.
@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Foto: Depositphotos

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7 cafeterias com opções veganas em São Paulo

Como alguns de vocês sabem, sou vegana e há 16 anos seguindo esse estilo de vida posso falar com propriedade que as coisas melhoraram muito de um tempo para cá.

No início dos anos 2.000 a gente encontrava, basicamente, proteína de soja em pó e texturizada.  Hoje, com o crescimento desse segmento no Brasil, dá para observar uma grande variedade de produtos nas prateleiras dos mercados e restaurantes para atender essa demanda. Segundo o IBOPE, o número de adeptos ao vegetarianismo ou veganismo quase dobrou em 6 anos chegando a 29 milhões de pessoas em todo o território nacional.

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Mesmo assim, ainda há muito espaço e oportunidades a serem exploradas nessa área. Falando mais especificamente de cafeterias, apesar de já ser possível encontrar muitas delas oferecendo opções veganas, a maioria ainda opta em não atender a esse público.

Produtos veganos acabam atingindo outros tipo de pessoas, como alérgicos e intolerantes à lactose e até quem come produtos de origem animal, por que não? Pensando em tudo isso, montamos uma lista de cafeterias com opções veganas em São Paulo, onde uma pessoa adepta ao veganismo pode pedir mais que um cafezinho.

Veja a lista das cafeterias com opções veganas em São Paulo

1 . Clemente

Localizado na Zona Sul, o Clemente sempre tem uma delícia vegana para acompanhar o café. Seja pão, brigadeiro e o famoso banana bread, que só de pensar dá vontade de parar de escrever para ir lá comer! Fica perfeito com um café coado.

Foto: Cinthia Bracco

2 . Catarina Coffee and Love

Agora em um novo endereço, no Jardins, o Catarina foi uma das minhas melhores experiência de café e comidinhas veganas. Bebida surpreendente, bons papos sobre café, focaccia e um cookie de baunilha com gotas de chocolate e sal (sim, sal!) inesquecível. Estava tão bom que até levei um cookie pra casa. Vale a visita!

Foto: Cinthia Bracco

3 . Veggie Café

No térreo de um prédio comercial em Santana, Zona Norte de São Paulo, o Veggie Café é um estabelecimento vegano, que também serve refeições e dispõe de um pequeno empório com produtos à venda, de alimentos a cosméticos.

A maioria dos itens do cardápio é produzida por eles, inclusive o leite vegetal feito a partir de sementes de girassol. Eles utilizam café gourmet e as bebidas disponíveis são sempre feitas à base de espresso. É tudo muito gostoso, dá para sair de lá bem satisfeito.

Foto: Cinthia Bracco

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4 . Pine Coffee Co.

Recém inaugurada na Vila Mariana, a Pine Coffe Co. me fez uma pessoa bem feliz quando fui lá conhecer o local. Além de um café muito bom e pessoas atenciosas, pude comer pão de fermentação natural quentinho com a melhor geleia de laranja que eu já comi (sem exagero). Era boa porque não tinha amargor, como muitas geleias de laranja por aí, e doce na medida, o que combinava bem com o café.

O espaço tem uma proposta legal, lembra uma cabana de lenhadores. Muitas coisas por lá foram feitas por eles mesmos. Novidade bacana entre as cafeterias com opções veganas em São Paulo que não pode ficar de fora da rota dos coffee lovers de plantão.

Foto: Cinthia Bracco

5 . King of the Fork

Devo admitir que essa é uma das minhas cafeterias queridinhas. O ambiente é legal, as pessoas que trabalham lá são incríveis e as opções veganas são ótimas!

Minha combinação preferida é o pão sem queijo de multigrãos, geleia de morango e latte de leite de coco produzido na casa. Tem também brownie e um lanche de cogumelos delicioso. Para mim, o KOF é sempre uma ótima experiência!

Tem torrada nova de LEGUMES DEFUMADOS \o/ Não se enganem com o aroma de bacon, é vegana 🌱

Uma publicação compartilhada por KOF – King of The Fork (@kingofthefork) em

6 . Hey Coffee

Cafeteria linda no centro da cidade que recebe as pessoas com excelentes cafés e um sorriso de quem ama o que faz, também oferece opções veganas, entre elas saborosas empanadas de massa fina e super recheadas.

Provei uma de cogumelos de lamber os dedos e para acompanhar café especial vindo da Bahia.  Visitar a Hey Coffee definitivamente faz o dia valer a pena.

Foto: Cinthia Bracco

7 . Eurobike Café

O Itaim Bibi, bairro da Zona Sul, também não decepciona. Lá a gente encontra o Eurobike Café, com opções veganas bem gostosas, entre elas bolinhos de sabores variados que também não levam glúten. Além disso, eles oferecem diversas opções de leites vegetais.

Foto: Cinthia Bracco

É bom saber que cada vez mais posso frequentar os lugares sem ter que levar alguma coisa na bolsa para acompanhar o meu café. E vocês já provaram alguma dessas gostosuras? Tem mais cafeterias com opções veganas em São Paulo ou em algum outro lugar vocês indicam?

 

Cinthia Bracco é filha e neta de boleira e salgadeira. Atuou por 9 anos nas áreas de Marketing e Comunicação, mas não conseguiu fugir de seu destino. Assim como a mãe e a avó ingressou na área de gastronomia depois de ter se apaixonado pelo café. Em Novembro de 2016, tornou-se barista profissional e hoje está trabalhando em um dos maiores projetos de sua vida: ter a própria cafeteria. É vegana, adora comer, tem um Bull Terrier chamado Tofu e é fã de ficção científica, especialmente Battlestar Galáctica.  

Foto de destaque: Depositphotos

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Deus não dorme

Dizer que a crônica fala do quotidiano é uma redundância. Mas também é uma meia-verdade, porque boa parte do que relatamos são os acontecimentos não rotineiros, os imprevistos, os inusitados.

Era uma manhã de sábado. Saí de casa para tomar um espresso com leite na padaria e depois explorar uma livraria. Até aqui seria o quotidiano.

Acontece que depois de arrancar do primeiro semáforo, o trânsito parou. Consegui segurar, mas a condutora que vinha na sequência não e houve a colisão. Só com danos materiais. Ainda bem.

Após os procedimentos legais, o policial me disse: “Você pode ir embora e a ‘infratora’ fica aqui!”. Segui meu rumo, cheguei à padaria e pedi meu café.

Enquanto pensava nos desdobramentos, lembrei que a condutora tinha me pedido uma carona, já que o veículo dela seria recolhido. Voltei lá. A polícia estava indo embora. Ela estava na calçada com uma caixa de som enorme e mais uma montanha de coisas. Além de uma papelada na mão, que eram as multas recebidas por todas as irregularidades. Carreguei tudo e deixei a condutora em casa.

Quando contei a história aos meus chegados, disseram que fui inconsequente de levar uma pessoa estranha dentro do meu carro blá, blá, blá. Na segunda-feira, quando a procurei para passar as coordenadas sobre o pagamento da minha franquia, a pessoa, até então agradecida, passou a me acusar de culpado, de querer extorqui-la, de não ter palavra (?), que um dia aconteceria comigo(sic)… Mas TODAS essas ofensas – que eram textos enormes – terminavam com a frase: “Porque Deus não dorme!”.

A partir daí tomei três providências: abri outro BO relatando as ameaças, redigi esta crônica e concluí, seguindo a crença dela, que se Deus não dorme é porque ele deve tomar muito café. Pena que não pude compartilhar com ela, pois àquela altura, eu já a tinha bloqueado de todas as formas.

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CÁPSULA DE UM CAFEZINHO – O que eles disseram…

“Não importa se eu acredito em Deus. O que me importa é se Deus acredita em mim”. Mario Quintana (1906-1994).

 

Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis” (Camus Editora), entre outros.
@marcelolamasbr
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Overdose

O pessoal da firma estava ansioso para conhecer a nova cervejaria artesanal da cidade. Uma colega aniversariante chamou a turma e disse: “Vamos lá amanhã! Cada um paga suas cervejas e eu as comidas!”.

Era uma combinação explosiva: o desejo de conhecer cada cerveja que saia das 14 torneiras e o sálario que caiu na conta corrente junto com a participação nos lucros e resultados da companhia.

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Animada por uma banda de rock, a festa entrou na madrugada com toda aquela comilança e “beberragem” – neologismo que parece ter sido criado pela minha tia Elma, de tanto que ela usa.

Na hora de ir embora, fiquei por último na fila do caixa. O dono do boteco passou minha comanda várias vezes. Ele não queria acreditar que este cronista “tirou” o lugar de outro potencial cliente tomador de chopp, pois houve fila a noite inteira – o bar tem 60 lugares. Minha conta registrou míseros R$ 6,60 pelo consumo de duas águas.

Saí de lá, carregando metade do bolo de aniversário, já que me acharam habilitado para transportá-lo pra casa. Desviei do caminho e fui até o posto 24h que dá treinamento de barista aos atendentes. Lá tomei uma overdose de café. Uma beberragem, como diria a tia Elma. Se tivesse café naquela cervejaria, eu seria um cliente bem mais “interessante” para o botequeiro.

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Cápsula de @UmCafezinho – O que eles disseram…

“Há pessoas que só bebem em circunstâncias muito especiais. Mas consideram especiais todas as circunstâncias em que bebem”. Millôr Fernandes (1923-2012)

 

Marcelo Lamas é cronista. Acredita que qualquer estabelecimento só é bom se tiver um bom café. Autor de “Indesmentíveis”, entre outros.
@marcelolamasbr
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Como tomar café corretamente? Existe jeito certo?

Um dia desses, um velho assunto foi novamente posto em pauta: colocar açúcar no café ou não? Entre opiniões e provocações, me inspirei a escrever esse texto falando sobre como tomar café corretamente, segundo o meu ponto de vista.

Dividi o texto em alguns pontos relevantes para pensarmos juntos sobre como tomar café corretamente. Confira a seguir:

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Uma análise sobre como tomar café corretamente

1 . Café sem açúcar

Tecnicamente falando, se o café em questão é do tipo especial, ele deve apresentar uma doçura natural. Para os especialistas, essa doçura é suficiente e não há necessidade de se colocar açúcar. Além disso, a ideia é sentir o que aquele café proporciona. Se a gente adoçar a bebida, provavelmente vai mascarar alguma característica interessante.

A verdade, porém, é que a gente se alimenta sem prestar a atenção no gosto das coisas, vai tudo no automático. Quantas vezes você adoçou ou salgou alguma bebida ou alimento sem ter provado antes? Virou hábito e não dá para mudar isso uma hora para outra, é um processo.

Devo confessar que quando vejo uma pessoa colocando açúcar em um café maravilhoso, me dá um aperto no coração, mas, por outro lado, ela tem que se sentir bem consumindo aquilo. O café deve ser um momento de prazer, não de obrigações. Cabe a nós, baristas, conversar com essas pessoas e propor novas formas de consumo.

Falando nisso, eu proponho que, pelo menos durante uma semana, na hora de se alimentar, vocês esqueçam os problemas e vivam a experiência de aromas e sabores. Se você é do time que coloca açúcar no café, pelo menos uma vez nesse período, beba uma xícara de café especial sem adoçar – ou o primeiro gole, que seja. Converse com o barista, peça uma indicação.

2 . Café só bem quente

Outro ponto importante dessa análise sobre como tomar café corretamente é: café bom, é café quente. Será? Eu discordo. Tem muito café gelado por aí que é uma delícia! No entanto, realmente a gente nota que há uma certa resistência da maioria das pessoas em consumir o café dessa forma. Quando a gente fala de hábitos e questões culturais, realmente pode ser um pouquinho mais difícil convencer as pessoas de que aquilo pode ser bom.

Quando gelado, o café tende a evidenciar suas características. Portanto, um café gelado que passou do ponto de torra e queimou, não vai ficar bom como um café mais aromático, por exemplo.

Claro que você pode provar e não curtir, preferir o seu café bem quentinho mesmo. O que não vale é dizer que não gosta sem ter provado.

A nossa dica aqui é você tomar um espresso tônica em um dia bem quente. Para quem gosta de café gelado sabe do que eu estou falando. Para quem nunca provou, essa é uma deliciosa porta de entrada.

3 . Não tomar mais café na casa da avó

Quem aqui já nasceu bebendo café especial que me desculpe, mas eu cresci lá no Jaçanã bebendo o café forte do Brasil feito pela minha avó. Naquela época, mais gostoso que o café só a sopa de pão, que era café com leite e pedaços de pão cortados com as mãos, tudo colocado em uma tigelinha para comer com a colher.

Alguns de vocês podem achar essa iguaria um pouco estranha, mas era a melhor coisa do mundo, assim como o café que a (já falecida) vovó Julia fazia, o qual eu daria tudo para beber novamente.

Quando a gente acostuma com coisa boa, é difícil voltar atrás, mas também isso não é motivo para a gente apagar nossa memória afetiva ou ignorar uma atitude de carinho. Quando a gente vai à casa da nossa avó, da tia ou de um amigo e uma xícara de café é oferecida, isso vai muito além da variedade do grão, altitude, perfil de torra… É amor também.

Claro que não precisa aceitar a bebida se não quiser, mas recusar com educação basta, nada de lições sobre o café. Ao invés disso, convide a pessoa para ir à sua casa e mostre como podem existir tipos diferentes de café.

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4 . Café só moído na hora

Até posso sentir o cheirinho do café moído na hora, que delícia! Realmente não tem nada igual e não falo apenas da fragrância. Quando a gente mói o café, ele imediatamente começa a perder suas propriedades sensoriais. É como abrir uma embalagem de salgadinho, por exemplo. Se o pacote ficar fechado, o salgadinho vai conservar mais tempo, mas se a gente abrir e não consumi-lo na hora, vai começar a ficar murcho e com sabor estranho.

Hoje em dia existem moinhos elétricos ideais para ser usados em casa e com preço acessível. Alguns baristas recomendam determinadas marcas e modelos e outros não recomendam de jeito nenhum. Isso porque alguns moedores podem moer os grãos de forma irregular, não chegar à granulometria adequada, entre outras coisas.

Sendo assim, temos um dilema: comprar o café em grão e moer em casa ou levar já moído? Isso quem pode decidir é você. Leve em consideração alguns questionamentos. Você quer ou pode investir em um moinho? Com qual frequência você faz café em casa? Para você faz diferença o café moído na hora?

Além dessas questões, você também pode fazer um teste. Sentir o resultada na xícara é,  sem dúvida, o fator decisivo. Tente provar, ao mesmo tempo, uma xícara de café já moído e outra moído na hora em um desses moinhos portáteis. Percebeu a diferença? Se achar que deve, invista em um moinho pesquisando as melhores marcas e modelos. Senão, continue levando seu pacotinho já moído para casa. Apenas tente dar preferência para torras mais frescas e, havendo a possibilidade, peça para o barista moer os grãos para você na hora em que estiver adquirindo o seu café.

5 . Torra escura é ruim

Nós já fizemos um post falando sobre torra, vocês lembram? Lá a gente tinha comentado sobre as tonalidades da torra – clara, média e escura – e também sobre perfis de torra.

Falar sobre perfil é interessante porque a gente consegue mudar nossa opinião sobre alguns preconceitos. Quando a gente entende um pouquinho mais sobre esse assunto, a gente começa a entender que café claro nem sempre é café fraco e que café escuro também pode não ter aquele gostinho de cinzeiro. Cada tipo de grão vai ter o seu ponto ideal de torra e é para descobrir isso que os mestres de torra trabalham como loucos, fazendo incontáveis testes.

Por isso, não vamos julgar um livro pela capa. Vamos também usar nossos outros sentidos para avaliar um café. Se sua visão está querendo dizer alguma coisa, confirme com o olfato. Se ainda tiver dúvidas, chame o paladar. Só depois disso é que a gente vai poder dizer se torra escura é ruim ou boa.

Para resumir essa história de como tomar café corretamente, pense no seu café. Quais são as palavras que você associa a ele?

Se você respondeu prazer, amor, afeto, aconchego, despertar, família… Você está no meu time e, provavelmente, concorda que o jeito certo de tomar café é aquele que nos faz bem, o que não significa que a gente não possa querer aprimorar o nosso conhecimento sobre ele. Agora, se suas respostas foram por outra linha de pensamento, comenta ali embaixo que a gente continua esse papo sobre como tomar café corretamente. 😉

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Fotos: Depositphotos

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Coca-café

Mal o G1 deu a notícia de que a Coca-Cola anunciou a venda no Brasil de sua versão com sabor de café, e o meu celular começou a receber mensagens de várias latitudes.

Bem que o motivo poderia ser a tentativa dos meus amigos de colaborar com este cronista de um site/projeto de estilo de vida dedicado ao café (@umcafezinho). Mas não era.

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Os meus comparsas mais antigos me relacionam mais ao refrigerante do que ao cafezinho. E eles têm razão.

Acontece que na maior parte da minha vida, fui um consumidor sem freio da bebida originada nos Estados Unidos. Ainda outro dia, comentei com minha enteada – que tem 12 anos, nunca tomou refrigerante, mas anda por aí com um moleton da Coca-Cola – que minha primeira palestra no colégio foi sobre a história de John Pemberton (1881-1888), farmacêutico e inventor da fórmula do refrigerante mais vendido no planeta. E a segunda palestra da minha vida, já em outra escola, foi sobre o quê? Advinhe.

Ao longo de duas décadas, perdi a conta de quantas vezes citei a força do meu relacionamento com a bebida gelada. Cheguei a usar numa assinatura de crônica em um livro que participei: “Marcelo Lamas é articulista (…) e prefere Coca-Cola”.

Sempre fui muito fiel. Era só Coca-Cola. Cheguei a comprar uma geladeira maior, pois concluí que não era (é) à toa que toda a propaganda trazia a bebida em um copo cheio de gelo. A combinação ideal.

Depois de muita campanha da minha mãe, que é professora da área da saúde, consegui me desvencilhar de todo aquele consumo do refrigerante e do índice limítrofe de glicose do sangue.

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Se viciado é que aquele que consome algo com frequência, fui um viciado em Coca-Cola. Sempre saia da empresa no horário do almoço e pegava uma garrafinha (ks) no boteco. Hoje em dia, a coisa mudou muito. Já falei aqui: saio da firma e vou pegar um espresso no posto da esquina. Todos os dias.

Aguardemos a chegada da Coca-Cola Plus Café Espresso, com 40% a mais de cafeína e menos açúcar. Minha sorte está lançada.

 

Marcelo Lamas é cronista. Recebeu recomendação do cardiologista para evitar cafeína. Optou por não ter muita expectativa de vida do que viver triste. Autor de “Indesmentíveis”.
@marcelolamasbr
marcelolamas@gmail.com

Foto: Divulgação/Coca-Cola

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