50 cafezinhos

Este é o nosso Papo no Cafezinho número 50. Até aqui foram muitas conversas acerca da nossa bebida preferida, a do dia-a-dia, aquela você pode desgustar nos momentos de prazer, de relaxamento ou até mesmo para ajudar no trabalho – pra combater aquele sono das 14h, no meu caso.

Quando assumi o compromisso para escrever crônicas nesse espaço, com a Fernanda Haddad, a nossa editora, fiz uma lista particular de histórias vivenciadas acerca do café, vendo ali uma garantia de que não me faltaria assunto por algum tempo.

Acontece que nesses 3 anos(!) de parceria com o @umcafezinho não precisei lançar mão do meu acervo. Sabe por quê? A explicação está lá na primeira coluna publicada. Encontrei enquanto relia todas as crônicas, neste período de isolamento social. Lá eu disse que falaria do quotidiano.

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E é justamente o dia-a-dia que completa todos os caracteres necessários para contar um causo, como se diz aqui no sul: Foi olhando para a mesa da cafeteria de uma livraria, que avistei pela primeira vez a morena de óculos que viria a constituir uma família comigo, depois de uma conversa fiada, ela – a Ingrid – pediu mais um café. Pensei: “Estamos indo bem!”.

Só depois fui descobrir que ela era viciada em café. Pedir mais uma bebida era só uma necessidade dela. Nada tinha a ver com o meu papo furado, e naquela época eu nem tinha um currículo com 50 papos no cafezinho.

Acho que essa pequena história, ainda não tinha contado por aqui. Só escrevo porque tenho convicção de que em algum lugar essa história vai bater, vai arrancar algum sorriso, trazer alguma reflexão, motivar alguém a replicar o acontecido puxando conversa com outrem.

Agradeço a Fernanda pela oportunidade de compartilhamento, a Ingrid que sugeriu que eu me inscrevesse a vaga no site e aos leitores pela companhia em algum desses nossos 50 cafezinhos. Um café é bom. Mas um café acompanhado é bem mais gostoso.

Marcelo Lamas é cronista. Autor de Papo no cafezinho, livro a ser lançado, entre outros.
@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Photo by Nathan Dumlao on Unsplash

Que tal um café… E um filme argentino?

Há um bom tempo acompanho os filmes argentinos. Me chama a atenção a quantidade de vezes que as personagens aparecem apreciando um café. Já falei nesse espaço que só tomei bons cafés nas minhas passagens por lá.

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Adega ou máquina de café?

A vida não é só café

Estou assistindo a um seriado do Netflix, o Barras Bravas (nome original Puerta 7), que trata da paixão das comunidades mais carentes pelo futebol e dos seus conflitos sociais.

Outro dia fiquei com a impressão de ter visto muitas xícaras num episódio só. Assisti novamente e contabilizei cinco cenas com cafés em 40 minutos. Apareceu mais que o mate tradicional que os hermanos sempre carregam consigo.

Avançando a minha maratona, novamente fui surpreendido. Voltei a assistir um outro episódio cafeinado e a frequência aumentou para um café a cada cinco minutos. Lembrando que o seriado é sobre futebol.

Se você chegou sua leitura até aqui imaginando que este cronista daria informação sobre o seu consumo particular de café, não terá essa revelação; pois tanto a Dra. Larissa – a dentista – quanto o cardiologista do autor – o Patrick – já me recomendaram sobre o excesso de consumo de café e nenhum paciente aqui quer ser advertido – novamente.

Só posso dizer a minha média de consumo, assistindo os episódios ou enquanto rascunhava, digitava e editava essa crônica, foi bem maior que uma xícara por ocasião.

Aproveitando que a recomendação é para que fiquemos em casa – quando possível – segue uma breve lista de sugestões de filmes dos nossos vizinhos argentinos (ou em co-produção com eles):

  • O cidadão Ilustre
  • Neve Negra
  • Relatos Selvagens
  • Truman
  • O Clã

Bom filme e bons cafés.

Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Papo no cafezinho”, livro em edição final, entre outros.

marcelolamamasbr@gmail.com

@marcelolamasbr

Photo by Adrianna Calvo from Pexels

O café da quarentena

Aqui em Santa Catarina, a quarentena começou um pouco antes que o restante do país e coincidiu bem no meio do cronograma da obra do apartamento que vamos morar em breve.

O governador proibiu, logo de cara, os serviços básicos que precisávamos, como eletricistas, encanadores e demais instaladores – que já estavam contratados.

A internet e a energia elétrica nós já tínhamos instalado, e era só o que havia no apartamento. Tive que montar um home office improvisado ali mesmo, já que o prédio onde moramos hoje tem internet predial, compartilhada e lenta.

Me instalei perto de uma janela – pois não tínhamos luminárias – e logo no primeiro dia de trabalho remoto, já percebi uma melhora significativa na minha produtividade, pois a conexão não caia e eu conseguia ficar focado. Antes, a cada meia-hora tinha que ir até o corredor para reiniciar o modem do prédio.

Por volta das 10h, me caiu a ficha. Deu fome – e vontade de tomar um café. Lembrei de uma padaria, ali perto. O decreto estadual não permitia manipulação local, ou seja, só deveria ter pãozinho ensacado. Fui buscar um.

Tinha um casal em uma mesa, esperando algo para comer – lembrando que o decreto não permitia isso também.

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Barista profissional

Não resisti e perguntei pra atendente:

– Vocês fazem café pra levar?

Ela respondeu:

– O senhor pode tomar aqui mesmo.

– Ah! Ok! Respondi.

Ela fez um café no coador de pano. Tomei e sai de lá feliz, mas com a sensação de ter cometido um delito. 

À noite, quando cheguei em casa, comentei sobre o caso e fui repreendido pela família, ameaçado de isolamento total.

No outro dia, sai cedo e esqueci de levar comida. Às 10h, me bateu a abstinência, corri lá na padaria. Mas dessa vez cometi somente MEIA transgressão. Perguntei se tinham embalagem pra levar o café. Ela disse “Sim” e fez @umcafezinho.

Na hora que me entregou, arrematou: “Só não tenho a tampinha”.

Eu estava de carro, para minimizar a convivência social. Então coloquei o copo numa sacolinha amarrada em volta. 

Quando cheguei ao apartamento vazio, abri a sacolinha, minhas mãos e a mesa ficaram muito sujas de café. Tomei o que sobrou no copo. E fui embora, pois lá ainda não havia pia, nem torneiras, nem chuveiro.

Voltei no outro dia, com um detergente, um balde, um pacote de bolachas e uma garrafa térmica bem cheia. Advinhe de quê?

Lembrando que este cronista é hipertenso e que na infância teve bronquite. Só descumpri as medidas de isolamento social por causa do café. Mesmo assim me sinto constrangido com essas duas infrações. 

Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Papo no cafezinho”, livro em trabalho de parto.@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

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