Café com filho de imigrantes argelinos, que vive em Paris

Uma das vantagens de trabalhar na Europa respeitando o horário do Brasil é que eu podia acordar mais tarde. Isso no inverno ajuda bastante. Nessa época, começar a trabalhar às 9h do Brasil significava estar online à partir de meio-dia na Itália. Era isso que eu fazia e aí fechava a lojinha mais tarde, mesmo que estivesse sempre com o WhatsApp à mão para possíveis emergências.

Nesse dia, eu estava tomando café da manhã por volta de 11h, no hostel onde morava em Milão. Eis que um moço pede licença para se sentar na mesa compartilhada e segue o protocolo: “De onde você é? Qual é o seu nome? O que você faz?”.

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Eu retribuí com as mesmas perguntas e nossas respostas renderam longas conversas durante os dois dias em que ele esteve lá a trabalho, ou de manhã ou na hora do jantar.

Khalil* tem 30 anos, é francês, filho mais novo de imigrantes argelinos, morador da região periférica de Paris e funcionário de uma empresa de trens. Ao me responder, ele foi logo justificando:

– Ah, é que muita gente acha estranho quando eu digo que sou francês com esse nome.

Eu, que sou resultado de uma mistura de imigrantes árabes, italianos e portugueses, além de ter sangue de índios também, logo fiquei imaginando a história dele. Coisa de jornalista, pode ser… O que será que o tinha levado até ali naquele café da manhã?

Sabe-se que a relação entre França e Argélia é delicada e cheia de conflitos históricos, reconhecidos inclusive pelo atual presidente francês, Emmanuel Macron, em discurso.

Entre algumas xícaras de café de manhã e outras taças de vinho à noite, Khalil me contou que os pais se mudaram para Paris há mais de 30 anos em busca de uma vida melhor.

Por mais que Paris seja uma cidade dominada por imigrantes, imagino que não seja fácil. O tom de desabafo com que ele me contou entregava um pouco desse sentimento de segregação.

Ele nasceu na França, mas não se sente um francês de fato. Também disse não se sente argelino ao visitar o país de origem dos pais, os tios e os primos durante as férias:

– Pode parecer estranho o que vou dizer, mas, em muitos momentos, me sinto sem pátria. Parece que não sou de lugar nenhum.

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O que eu senti após ouvir essa frase – que nunca vou esquecer e que deixei anotada no bloco de notas do celular – é gratidão ao Brasil, que acolheu aos que vieram antes de mim quando eles buscaram aqui (e encontraram) a mesma vida melhor que os pais de Khalil.

Mesmo com cidadania italiana reconhecida, falando o idioma e amando a Itália, ali eu sentia um pouco disso. Só não sem pátria porque sou e me sinto brasileira.

A história dele é como a de muitos brasileiros, é como a minha. Triste é quando a gente se lembra disso quando quer o reconhecimento da cidadania para “fugir do Brasil”, como muitos afirmam ao mesmo tempo em que destilam xenofobia (escancarada ou velada) ao se referir à presença de imigrantes aqui no nosso país.

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Khalil foi uma aula e tanto para mim. Sobre agradecer por ter alternativas. Por ter possibilidade de dizer e sentir que tenho uma pátria, mesmo com todos os seus problemas. Isso todo lugar tem. A gente só esquece e, por esquecer, reclama quando deveria agradecer.

Escrevi esse texto no Aeroporto de Guarulhos, tomando café, na manhã de 15 de abril de 2018, quando retornei ao Brasil após 5 meses vivendo na Europa.  

 

* Nome fictício para preservar a identidade da pessoa.

Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

Foto: Depositphotos

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O que aprendi ao tomar café com americano desconhecido

Eu estava em Milão. Tinha reservado pelo menos 20 dias para ficar num hostel: o Ostello Bello Grande, um dos lugares mais animados da cidade, onde chegam e vão embora pessoas do mundo inteiro, a todo momento. Mas, antes de contar sobre o café com americano, preciso voltar um pouquinho.

Um dias antes, o meu celular havia sido furtado ali dentro, numa das mesas do bar, que é aberto para não hóspedes na hora do famoso aperitivo italiano (o nosso happy hour). Dei bobeira. Ficava tanto tempo ali, ou trabalhando ou confraternizando, que talvez tivesse achado mesmo que estava em casa, literalmente.

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Conferi a câmera de segurança e fiz boletim de ocorrência, prova cabal de que finalmente eu estava conseguindo me comunicar em italiano.

Eu precisava muito do celular para trabalhar, o meu era novinho, 5 meses de uso. Era o momento certo de praticar tudo aquilo que eu vinha lendo nos livros de autoconhecimento. Não queria deixar que sentimentos ruins me tomassem.

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E pensei: “Confia, menina. Tudo acontece por uma razão. O que é que você tem a aprender com isso?”.

Me permiti sofrer por 5 minutos e soltei.

No dia seguinte, eu estava sentada trabalhando com o computador na mesma mesa em que o celular foi furtado, no mesmo lugar.

Eis que surge um cara para fazer seu check-in. Ele sentou na minha frente para preencher o formulário, colocou o seu welcome drink de um lado e seu celular de outro. O aparelho era idêntico ao meu, o mesmo modelo.

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Ele puxou conversa, perguntando o que eu tava fazendo ali, de onde eu era, etc. Todo mundo fazia cara de espanto quando eu dizia que estava viajando com passagens só de ida, inclusive ele, que é fotógrafo e estava numa jornada parecida.

Dei o alerta:

– Olha só… Fica atento com seu celular. Ontem, levaram o meu aqui nessa mesa.

Eu tinha contado um pouco sobre o meu trabalho, sobre como fazia para trabalhar viajando, e continuei no computador enquanto ele acabava de fazer o check-in no balcão da recepção.

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Peguei um café no bar, ele voltou com um café na mão também e me disse:

– Eu imagino que o celular esteja te fazendo muita falta, até pelo seu tipo de trabalho. Eu trouxe um aparelho extra, mais velhinho, de backup. Quer ficar com ele? Eu deixo com você.

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Eu fiquei assustada, achei que não tinha entendido direito. Afinal, quem é que oferece um iPhone para uma pessoa que conheceu há 5 minutos? Ele continuou:

– Eu vou ficar aqui por uns dias e, no máximo, vou visitar a região, tudo aqui perto. Mas, volto e pego o celular. O que acha?

Eu continuei sem resposta, incrédula. E ele:

– Bom, pense aí… Eu vou deixar minha mala no quarto e sair para comer. Quando eu voltar, você me diz.

O celular é importante mesmo para quem trabalha com internet, os meus clientes contavam comigo, tinha entregas a fazer.

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Na Europa não existe essa coisa de parcelar em 12x. Eu estava esperando receber de um trabalho e ainda ia ter que enviar o dinheiro da minha conta do Brasil para comprar um aparelho novo.

Aceitei. E fiquei emocionada depois, sozinha. Como é que pode encontrar a solução no mesmo lugar de onde surgiu o problema num intervalo de menos de 24 horas?

O gesto de gentileza desse garoto americano é algo de que nunca mais vou me esquecer. E digo mais: se eu não tivesse ficado no pé dele, ele nem teria voltado para buscar o celular. Aqui aprendi um pouco mais sobre desapego.

E quer saber sobre o que mais aprendi (na prática)? Confia! O universo pode te surpreender entre um café e outro.

 

Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

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Passagem só de ida e muito café durante 5 meses

Não tinha prazo definido. Tinha só uma vontade de viver um dia de cada vez, sair do automático, estar no presente. Foi por isso que resolvi comprar passagem só de ida para a Itália e viver na Europa. A ideia era morar em Milão. Eu gosto do ambiente urbano, a locomoção dali para outros lugares era mais fácil, na minha visão. A facilidade com o idioma e a cultura do café ajudaram muito na escolha também.

Eu já tinha morado numa pequena cidade na Itália para fazer o meu processo de cidadania italiana. Nessa época, eu já tinha começado a trabalhar por conta própria. Era só colocar o computador na mala e ficar atenta ao fuso e aos prazos dos clientes.

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Com o passaporte europeu em mãos, voltei para o Brasil para mais 8 meses até chegar a hora de comprar passagem só de ida e viver assim literalmente – só comprando passagens de ida mesmo – por 5 meses para vários lugares, entre Itália, França e Suíça. Eu nunca sabia o dia de ir embora. Achava uma promoção ou uma oportunidade e ia. Vivi intensamente um dos períodos mais especiais da minha vida, com muitos cafés. Muitos mesmo.

Como consegui comprar passagem só de ida durante 5 meses?

Essa coisa de comprar passagem só de ida parece fácil e até coisa de filme, mas não é bem assim, especialmente quando você ouve as seguintes frases de TODOS os lados:

Ah, mas tendo dinheiro é fácil. Só tendo muito dinheiro para sair trabalhando e viajando assim.  

Claro que é preciso ter o mínimo de planejamento financeiro, mas você está enganado se pensa que precisa ser rico para realizar. No meu caso, o planejamento foi longo. Tudo começou para ir para Itália com passagem de ida e volta para fazer a cidadania. Fiquei lá por 3 meses na casa de uns primos, que me ajudaram muito (se você já tentou fixar residência na Itália para começar o processo, sabe do que eu estou falando).

Para isso, saí do apartamento onde morava com uma amiga e vendi tudo o que eu tinha lá. Só fiquei com as roupas e um saca-rolhas que eu adoro. Desapego total! Fui para a casa dos meus pais, comecei a guardar o dinheiro que antes ia para o aluguel e, passado um tempo, pedi demissão do emprego que já não me fazia feliz – importante reforçar que fiquei nele até conseguir cumprir o mínimo da meta financeira.

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Ainda lá na Itália – já considerando esse retorno sem prazo que durou 5 meses -, fiz economia e voltei para o Brasil com dinheiro. Aí, foram mais 8 meses no Brasil, sem saber se eu ia ou não me jogar nessa aventura. Detalhe: tinha deixado minhas roupas de inverno todas na Europa. Inevitavelmente, eu precisaria voltar pra buscar (ou pra ficar) em algum momento.

Você vai ganhar em real e gastar em euros?

Sim. O estilo do meu trabalho me permite atuar remotamente. Lidar com as variações de câmbio fez parte do pacote de escolhas de vida. Se você quer tentar, isso já tem que estar previsto de alguma forma nos seus gastos fixos mensais. O seu estilo de vida também vai impactar no montante necessário.

Eu cheguei a fazer entrevista para trabalhar por pelo menos meio período como barista ganhando em euros (isso foi no final dos 5 meses e eu acabei decidindo voltar para o Brasil por mil motivos que não vêm ao caso).

Ah, mas você tem família e amigos morando lá.

Tenho, mas isso não significa que vou me mudar de mala e cuia para a casa das pessoas. É importante ter tato. Quando você viaja nessa vibe, não quer se prender muito. O custo de viver assim precisa compreender os gastos com moradia (aluguel de quarto, de apartamento, hotel, Airbnb, bed and breakfast ou hostel), transporte, alimentação, entretenimento e imprevistos (sim, eles podem acontecer! Por exemplo: roubaram meu celular em Milão e eu precisei comprar outro. Na Europa, não tem essa de parcelar em 12x).

Ah, mas você tem passaporte europeu. Assim é fácil. 

Isso ajuda (e muito!) na hora de comprar passagem só de ida. Ajuda a entrar nos países sem muita burocracia e a ficar o tempo que desejar. Mas, é bom ter em mente que você continua sendo tratado como imigrante, é fato. Chegando do Brasil em Milão, por exemplo, mesmo com passaporte, já fui parada e sabatinada pela polícia por pelo menos 30 minutos.

Eu e meu computadorzinho rodamos. A cada dia, o escritório era uma cafeteria diferente. Trabalhei em inúmeras cafeterias pelo caminho, tomei muito café com pessoas incríveis e que talvez eu nunca mais veja (vou escrever sobre as mais interessantes aqui), dormi em quartos compartilhados… Andei, andei muito.

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Do Brasil, fui com duas malas grandes sem necessidade. Para viajar, usei apenas uma mala pequena e uma mochila. Era tudo o que eu tinha nesse tempo e muito mais do que eu precisava. Em resumo, não é dinheiro. São suas prioridades que vão te fazer viver uma experiência incrível. Planejar não é fácil, desapegar muito menos, mas transforma… Como transforma.

Você já viajou assim ou já pensou em comprar passagem só de ida para algum lugar? Compartilhe aqui comigo, eu vou amar saber. 

 

Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

Foto: rawpixel on Unsplash

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Dia Internacional do Café: ao café, com amor

No Brasil, o Dia Nacional do Café é comemorado em 24 de maio. Nos Estados Unidos é 29 de setembro. Cada país tem o seu dia do café.  Para unir as celebrações pelo mundo, a Organização Internacional do Café definiu o dia 1 de outubro para comemorar com seus membros de todo o planeta o Dia Internacional do Café (#InternationalCoffeeDay). Neste ano, a campanha chama a atenção para a importância das mulheres em qualquer parte da cadeia do café.

Em seguida, compartilho com você a minha cartinha ao café:

Ao café, com amor

Você faz todo bate-papo ficar mais interessante, seja com um velho amigo ou um amigo novo.
Você une as pessoas. Até mesmo aquelas que não gostam de você participam do momento.
Você é meu maior companheiro nos momentos necessários de pausa e solitute.
Você me lembra diariamente da importância de ter momentos de descanso no meio do dia.
Você me dá energia. Depois dos nossos encontros, fico revitalizada.
Gosto de ler na sua companhia. Para escrever, você me ajuda a ter inspiração.

Você é o primeiro pensamento do meu dia e talvez seja o último também porque já durmo pensando no café da manhã. Carlos Drummond de Andrade disse que isso é amor. Bem, se for assim… Eu te amo. Parabéns pelo seu dia e que tenhamos muitos desses para comemorar juntos!

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Vamos tomar um cafezinho?

Um dia eu me perguntei: o que eu faria da vida se não precisasse nunca mais me preocupar com dinheiro? Esse questionamento ainda existe e foi através dele que eu resolvi abrir o @umcafezinho no Instagram para compartilhar com o mundo todo aqueles lugares onde eu ia tomar café, todos os cafés que tomo em casa. Falei um pouco mais sobre isso aqui.

Foto: umcafezinho.com.br ©

Como você vai comemorar o Dia Internacional do Café (#InternationalCoffeeDay)? Conte nos comentários. Gostou da minha cartinha ao café? Quero saber a sua opinião. Mais novidades sobre o dia de hoje, acompanhe pelo Instagram @umcafezinho. Espero vocês!

Foto de destaque: Depositphotos

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Um café e um amor

– Você pode anotar seu e-mail aqui? – disse ele, me dando o celular, de repente.

Ele sempre fez perguntas que me pegaram de surpresa. Vai ver é justamente por isso que prestei atenção nele.

Pensei: – Quem é esse cara? Quem é que pede o e-mail de alguém em um lugar desse?

Até aquele dia eu gostava de outro, achava que esse outro era o amor da minha vida.

Rá. Mal sabia dos cafés que estavam por vir.

Sabe aquele dia que você não está a fim de sair de casa? Me contrariei e fui. Cheguei, peguei uma bebida e fiquei ali de lado a observar o ambiente, as pessoas. Era um bar badalado, gente bonita, mas eu só conseguia pensar na minha cama e no outro – com quem eu havia brigado dois dias antes.

Aí, veio ele cheio de sorriso pro meu canto e foi ficando, como quem não quer nada. Aquele dia não teve nada mesmo. Eu não queria nada. Nem sabia o que eu estava fazendo ali. Tanto era verdade que anotei meu e-mail errado.

Para a nossa sorte e dos cafés que estavam por vir, o amigo dele ficou com uma menina da minha turma. Ele me achou.

Ele estava indo passar um mês fora a trabalho, mas a conversa continuou, por e-mail, telefone, Skype, com perguntas do tipo: – Você dorme de meias? – O que você come no café da manhã? (Depois ele me contou que, assim como a pergunta do e-mail, era só para me chamar a atenção. Ele queria saber, mas a ideia era me fazer rir e me fazer estranhar mesmo cada uma delas para que, então, eu prestasse atenção. Deu certo).

Do segundo encontro em diante, teve sempre café. Acho que o que eu mais gostava era que, quando ele ia me buscar em casa, tinha sempre um copo de café mocha (meu preferido da Starbucks) no console do carro me esperando, com aquele lacrezinho verde espetado para não esfriar.

Na casa dele, a lembrança é daquele café de máquina com chocolatinho para acompanhar. Nosso último encontro não podia ser em outro lugar. Foi ali na Starbucks da Rua Gaivota, esquina com a Av. Pavão, em Moema.

Isso tudo só para dizer que dos melhores amores que tive, o que eles têm em comum é que vem sempre o momento do café na memória. No começo, no meio e no fim.

Alguns valem a pena guardar assim, só registrando as gentilezas e o cheirinho de café.

“Um café e um amor… Quentes, por favor!
Pra ter calma nos dias frios.
Pra dar colo
Quando as coisas estiverem por um fio”.

Caio Fernando Abreu

 

Tem algum amor que te lembra um café ou um café que te lembra um amor? Conte nos comentários.

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Café número seis

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Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

Foto: Pixabay

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Café 5 – Sobre não fazer planos no banheiro

Outro dia li assim: café ajuda quem dorme pouco e sonha muito. Não encontrei a autoria, mas imediatamente me lembrei da Eva. Eu e Eva nos conhecemos na Bahia, tomando um cafezinho. E foi com ela que aprendi sobre não fazer planos no banheiro. Parece louco, mas vi algum sentido.

Explico.

Estávamos conversando sobre a vida, nada específico. Eu, ela e minha irmã. Ela, a Eva, uma mulher visivelmente forte, cuida de duas filhas adolescentes sozinha e nos contava resumidamente e com muito bom humor – o que ela tem de sobra – sobre como foi para chegar ali. Eis que, do nada, a Eva nos perguntou:

– Vocês não ficam sonhando e fazendo bons planos para a vida enquanto estão tomando banho, né?

Eu e minha irmã nos olhamos e rimos, dando a entender que sim. E ela logo continuou, séria:

– Olha, vocês não deviam fazer isso. O que tem de baixo do banheiro é esgoto. O banheiro é um lugar onde a gente se lava, se renova. A gente deixa lá o que não serve mais. Não é lugar de ficar horas e horas pensando e sonhando sobre as coisas boas que queremos para a nossa vida. Tomem banho, escovem os dentes, façam suas necessidades e só.

Fiquei pensando sobre isso naquele dia e, desde então, penso sempre que entro em qualquer banheiro. Se isso tem ou não algum efeito imediato na vida, não sei. Mas, vi algum sentido nas palavras da Eva.

Já tive muitas ideias boas enquanto tomava banho. Isso ainda acontece. Entro com uma questão, saio com uma solução. Espero que isso não mude. Vai ver é porque, ao sair do banho, tudo fica mais limpo, inclusive as ideias. Meu compromisso, a partir de agora, é de tirá-las dali o mais rápido possível.

Continuo dedicando os meus minutos sonhando acordada e fazendo planos para a vida tomando um cafezinho ou antes de dormir. No banheiro, me concentro naquilo que não preciso mais, naquilo que não quero mais. Afinal, é legal fazer planos e sonhar com aquilo que a gente deseja, sim. Mas, também é tão ou mais importante ter bem definido aquilo que não queremos mais. Se água e sabão resolve, pode ser. O exercício é interessante.

Conte aí: você tem esse hábito de fazer planos no banheiro? Divida sua opinião nos comentários. 

 

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Café número cinco

Esse texto foi escrito no aeroporto de Salvador, na Bahia, no dia 25 de maio, na volta na viagem em que conheci a Eva.

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Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

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Café 4 – Sobre a capacidade de ouvir o outro

Seja na rede social ou na vida real, estamos vivendo no meio de um diálogo de surdos. (Li esse termo em um artigo e tenho observado muito). Todo mundo só quer falar – ou berrar – o que convém na hora que deseja, quase sempre de si. Só falar. Já reparou?

Estamos perdendo a capacidade de ouvir o outro. Falamos o tempo todo sobre nossas opiniões, sobre o que somos, sobre o que sabemos, sobre o que é importante para nós e nos esquecemos de nos interessar pelo que o outro diz. Uma atitude simples e complementar que pode nos fazer rever conceitos, mudar de ideia e progredir está desaparecendo.

Essa falta da capacidade de ouvir talvez possa ser o motivo de tantos discursos de ódio que circulam por toda parte, especialmente na internet. Se você nunca parou para ler os comentários de matérias que circulam pela rede, nem sei se seria uma boa da minha parte sugerir. As pessoas, que se acham blindadas pelas telas dos seus computadores, vomitam grosserias, palavrões, preconceito, ódio. Tudo isso por nada, de graça, refletindo fortemente aquilo que elas têm dentro de si.

Se lembra do caso da Maju, a moça do tempo do JN, ou da atriz Taís Araújo, que foram atacadas com palavras racistas em seus posts?

A comunicação em geral está cada vez mais violenta, não só pela web, e isso é um problema. No nosso próprio dia a dia, muitas vezes, respondemos com ataque a qualquer tentativa de diálogo. Atacamos sem ouvir o outro porque julgamos rapidamente qualquer que seja o discurso sem atenção. Não escutamos com a intenção de entender e sim com a intenção de responder.

Pegando a responsabilidade das nossas ações para nós mesmos, e se a gente começar a prestar mais atenção para o que o interlocutor está falando e parar de reagir de imediato? Cada um tem seu certo e seu errado. Cada um foi criado de uma maneira. Podemos começar com respeito, no sentido literal da palavra. Segundo esse mesmo artigo que citei no início, a palavra respeito significa “olhar de novo”. “Re” significa que algo vai acontecer de novo; “spect” significa ver.

“As pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelo modo que as veem”, Epicteto.

A perda da capacidade de ouvir genuinamente o outro está calando os diálogos. Será que o interlocutor está com os dias contados?

Como anda a sua capacidade de ouvir? Já pensou sobre isso? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe nas redes sociais usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo. 

 

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Café número quatro

Esse texto foi escrito durante vários dias, em vários lugares e vários cafés.

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Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

Foto: Pixabay

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Café 3 – Como você usa seu tempo?

O segredo da vida é saber desfrutar da passagem do tempo. Recebi um cartão com essa frase no meu aniversário de 28 anos no quarto do hotel onde eu estava com a família, em Gramado. Ao procurar pela autoria enquanto escrevia esse texto, achei o trecho na música Secret o´ Life, do James Taylor.

Você desfruta bem da passagem do seu tempo? Pergunto porque foi a partir desse cartão que eu passei a pensar conscientemente sobre isso. Antes, com os pensamentos desorganizados, eu só sabia me expressar sobre isso em forma de reclamação.

Eu achava bonito estar sempre ocupada, trabalhando sempre aos feriados e finais de semana. Nos raros dias em que eu não precisava trabalhar, tudo o que eu queria era ficar na cama para compensar as horas de sono perdidas. Sempre dizia: “faz parte do ofício. Escolhi ser jornalista ciente disso”.

Para qualquer programa que não fosse trabalho, era constante dizer:

– Estou cansada, não tenho tempo. Na semana que vem eu vou.

– Hoje não posso, vou trabalhar até tarde.

– Queria ir, mas não vai dar. Troquei meu plantão e vou trabalhar todo o final de semana.

– Hoje não vai dar. Esse é o único final de semana livre, preciso dormir.

Estava tudo errado. Eu vivia esgotada e achava que era o trabalho que fazia isso. Até o dia em que me dei conta de que a responsável era eu mesma. Eu mudava de trabalho e o problema era o mesmo. Era eu que deixava isso acontecer. Afinal, o tempo é meu, né, gente?

Se pergunte: como você usa seu tempo hoje?

Hoje, depois de mudar muita coisa (isso é assunto para outro texto), minha relação com o tempo vem mudando.

Parei de valorizar a pressa. Valorizo cada cafezinho, seja sozinha ou acompanhada. Procuro ouvir atentamente cada pessoa que se dirige a mim, sem ficar pensando no que tenho que fazer depois. Parei de brigar com o relógio ou com as pessoas quando estou inevitavelmente atrasada para algo. Isso acontece. Se posso, vou a uma exposição que quero muito ou ao cinema no meio da tarde e no meio da semana, sem culpa. Pratico o ócio sem culpa. Faço o que gosto sem culpa.

“Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais próximo da morte. Portanto, eu tenho direito a esse tempo. Esse tempo pertence a meus afetos. É para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis. Isso é o tempo”. Antonio Candido

E você, tem tempo para fazer as coisas que te deixam feliz? Ou vive dizendo que não tem tempo para nada? Tá na hora de pensar em como você usa seu tempo, não? Conte sua opinião nos comentários. 

 

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Café número três

Estou escrevendo de Itaparica, na Bahia. Dia 21 de maio de 2017, às 16h03.

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Foto: Pixabay

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Café 2 – Vamos falar sobre postar fotos nas redes sociais

Pega um cafezinho aí e vamos falar sobre postar fotos nas redes sociais. Não vou me estender muito. As fotos nas redes sociais refletem, na maioria das vezes, uma ilusão de como gostaríamos que fosse a vida todos os dias, mas a gente sabe que não é bem assim, né? Se não sabe, deveria.

Veja esse vídeo antes de continuar:

A gente precisa se lembrar que ninguém é feliz 24 horas por dia, 365 dias no ano. A vida não é toda essa paisagem e ostentação, não. Vida que é vida tem altos e baixos, dias bons e ruins. Quem posta sabe disso. Quem posta sabe que, às vezes, é aquele #tbt de quinta-feira que traz alegria para uma semana ou dia que não foi tão bom assim, só pela oportunidade de lembrar do momento. Mas quem vê precisa ser lembrado, especialmente quando julga as fotos do amiguinho.

O que eu quero dizer com isso é que essa é uma questão que, na minha opinião, precisa ser trabalhada muito mais na cabeça de quem vê do que de quem posta. É bem aquilo de ter responsabilidade pela própria vida e pelas atitudes, sabe? Sinceramente, eu não gosto de ver fotos feias em rede social nenhuma. Quero mais é ver gente feliz, paisagens lindas, viagens incríveis, pratos de comida de restaurantes legais e por aí vai.

A nossa felicidade e autoestima não pode nem deve ser medida pela timeline do amigo que a gente julga ser mais bonito e interessante e que já teve a oportunidade de conhecer mais lugares pelo mundo. Talvez não seja ele que deva diminuir ou parar de postar o que bem quiser. Talvez seja o nosso olhar que precise ser melhor treinado para observar com mais carinho para as coisas boas que acontecem na nossa própria vida. Aposto que esse treinamento pode, inclusive, render fotos bacanas, sabia?

 

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Café número dois

Estou escrevendo do meu quarto, em São Paulo. Dia 14 de maio de 2017, às 20h03.

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Foto: Pixabay

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Café 1 – Menos é mais? Uma reflexão sobre minimalismo

Menos é mais? Minimalismo pode até parecer (ser) modinha, mas vejo mais como o único caminho para não surtar nesse mundo louco e viciado em insatisfação. Esse mesmo, onde eu e você vivemos. No último fim de semana, tive o prazer de assistir ao documentário “Minimalismo: um documentário sobre as coisas que importam” no Netflix. Um alento.

Foto: Reprodução

O filme traz a história de dois amigos Joshua e Ryan, já conhecidos por espalhar os conceitos e práticas do minimalismo por aí. Eles são os autores do site The Minimalists e vivem o que escrevem. O documentário conta com outros relatos, tanto de especialistas como de outros personagens praticantes do minimalismo, com o objetivo de tentar nos fazer enxergar o que é que nós nos tornamos.

Minimalismo, no dicionário*, significa predisposição para redução e simplificação dos elementos que compõem um todo. Nos tornamos o oposto disso. Somos viciados em novidades e excessos. Vivemos imersos na ilusão criada pelas redes sociais. As campanhas publicitárias estão cada vez mais agressivas, inclusive para o público infantil. As revistas fazem questão de nos colocar como fora de moda, fazendo com que a gente se sinta sempre inadequado. Sem-pre. É uma busca sem fim e, muitas vezes, a gente nem se dá conta. E sofre.

Foto: Reprodução

Hoje em dia, a moda, por exemplo, trabalha não pensando nas 4 estações do ano e sim em 52 coleções para produzir uma necessidade desnecessária, que está deixando o mundo doente. Se você nunca parou para pensar nisso, recomendo também que veja The True Cost, outro documentário interessante sobre o impacto social, econômico e ambiental do voraz fast fashion no mundo todo – também tem no Netflix.

O que me conforta é saber que temos alternativa, mas precisamos estar atentos porque é uma armadilha, sim. E não falo de radicalismos, gente! Não precisa quebrar o iPhone, viver com duas trocas de roupa de segunda a sexta e mais uma um pouco mais arrumadinha para sair no final de semana. Não é nada disso.

Também não acho que seja condenável usar maquiagens da M.A.C nem bolsas Chanel, ou seja lá o produto ou marca que você preferir, se você tem condições para isso. A questão é o erro de achar que dentro de uma bolsa caríssima tenha um “certificado de felicidade”. Pior ainda: quando a solução para ter a bolsa da moda é pagar o mínimo do cartão de crédito esse mês e ver se dá para parcelar a parte que a sua poupança de anos não conseguir completar, tem algo errado.

O grande problema não é o dinheiro nem ter muito dinheiro. Talvez seja o excesso de tudo o que achamos que precisamos e a forma como lidamos com o dinheiro. Ou ainda: o grande problema talvez seja o preço que estamos dispostos a pagar quando nosso principal objetivo na vida é ganhar cada vez mais dinheiro – e poder – para ter mais coisas. O preço é alto e requer tempo, inclusive aquele que dedicamos aos nossos amigos e familiares. É uma conta que não fecha. Não tem como dar certo lá na frente, já que o preço que pagamos pela busca da “felicidade” causa esse desequilíbrio, que parece satisfazer, mas colabora com a insatisfação no médio e longo prazo.

“Bem no fundo, nós realmente não queremos mais coisas, mais brinquedos, mais carros. Queremos o que eles trarão para nós. Queremos nos sentir completos. Queremos nos sentir satisfeitos” – Rick Hanson, neuropsicólogo (Ph.D)

O que eu quero mesmo é conseguir enxergar o caminho do meio. E tenho certeza de que preciso de muito menos para isso. E você? Você acha que menos é mais? Conte sua opinião nos comentários.

 

*Definição encontrada no dicionário Michaelis.

Contador de cafés

Café número um

Estou escrevendo da sala da minha casa em São Paulo. Dia 8 de maio de 2017, às 16h03.

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Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

Foto de destaque: Pixabay

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