7 cafeterias com opções veganas em São Paulo

Como alguns de vocês sabem, sou vegana e há 16 anos seguindo esse estilo de vida posso falar com propriedade que as coisas melhoraram muito de um tempo para cá.

No início dos anos 2.000 a gente encontrava, basicamente, proteína de soja em pó e texturizada.  Hoje, com o crescimento desse segmento no Brasil, dá para observar uma grande variedade de produtos nas prateleiras dos mercados e restaurantes para atender essa demanda. Segundo o IBOPE, o número de adeptos ao vegetarianismo ou veganismo quase dobrou em 6 anos chegando a 29 milhões de pessoas em todo o território nacional.

Leia também:

Mesmo assim, ainda há muito espaço e oportunidades a serem exploradas nessa área. Falando mais especificamente de cafeterias, apesar de já ser possível encontrar muitas delas oferecendo opções veganas, a maioria ainda opta em não atender a esse público.

Produtos veganos acabam atingindo outros tipo de pessoas, como alérgicos e intolerantes à lactose e até quem come produtos de origem animal, por que não? Pensando em tudo isso, montamos uma lista de cafeterias com opções veganas em São Paulo, onde uma pessoa adepta ao veganismo pode pedir mais que um cafezinho.

Veja a lista das cafeterias com opções veganas em São Paulo

1 . Clemente

Localizado na Zona Sul, o Clemente sempre tem uma delícia vegana para acompanhar o café. Seja pão, brigadeiro e o famoso banana bread, que só de pensar dá vontade de parar de escrever para ir lá comer! Fica perfeito com um café coado.

Foto: Cinthia Bracco

2 . Catarina Coffee and Love

Agora em um novo endereço, no Jardins, o Catarina foi uma das minhas melhores experiência de café e comidinhas veganas. Bebida surpreendente, bons papos sobre café, focaccia e um cookie de baunilha com gotas de chocolate e sal (sim, sal!) inesquecível. Estava tão bom que até levei um cookie pra casa. Vale a visita!

Foto: Cinthia Bracco

3 . Veggie Café

No térreo de um prédio comercial em Santana, Zona Norte de São Paulo, o Veggie Café é um estabelecimento vegano, que também serve refeições e dispõe de um pequeno empório com produtos à venda, de alimentos a cosméticos.

A maioria dos itens do cardápio é produzida por eles, inclusive o leite vegetal feito a partir de sementes de girassol. Eles utilizam café gourmet e as bebidas disponíveis são sempre feitas à base de espresso. É tudo muito gostoso, dá para sair de lá bem satisfeito.

Foto: Cinthia Bracco

Você vai gostar de ler:

4 . Pine Coffee Co.

Recém inaugurada na Vila Mariana, a Pine Coffe Co. me fez uma pessoa bem feliz quando fui lá conhecer o local. Além de um café muito bom e pessoas atenciosas, pude comer pão de fermentação natural quentinho com a melhor geleia de laranja que eu já comi (sem exagero). Era boa porque não tinha amargor, como muitas geleias de laranja por aí, e doce na medida, o que combinava bem com o café.

O espaço tem uma proposta legal, lembra uma cabana de lenhadores. Muitas coisas por lá foram feitas por eles mesmos. Novidade bacana entre as cafeterias com opções veganas em São Paulo que não pode ficar de fora da rota dos coffee lovers de plantão.

Foto: Cinthia Bracco

5 . King of the Fork

Devo admitir que essa é uma das minhas cafeterias queridinhas. O ambiente é legal, as pessoas que trabalham lá são incríveis e as opções veganas são ótimas!

Minha combinação preferida é o pão sem queijo de multigrãos, geleia de morango e latte de leite de coco produzido na casa. Tem também brownie e um lanche de cogumelos delicioso. Para mim, o KOF é sempre uma ótima experiência!

Tem torrada nova de LEGUMES DEFUMADOS \o/ Não se enganem com o aroma de bacon, é vegana 🌱

Uma publicação compartilhada por KOF – King of The Fork (@kingofthefork) em

6 . Hey Coffee

Cafeteria linda no centro da cidade que recebe as pessoas com excelentes cafés e um sorriso de quem ama o que faz, também oferece opções veganas, entre elas saborosas empanadas de massa fina e super recheadas.

Provei uma de cogumelos de lamber os dedos e para acompanhar café especial vindo da Bahia.  Visitar a Hey Coffee definitivamente faz o dia valer a pena.

Foto: Cinthia Bracco

7 . Eurobike Café

O Itaim Bibi, bairro da Zona Sul, também não decepciona. Lá a gente encontra o Eurobike Café, com opções veganas bem gostosas, entre elas bolinhos de sabores variados que também não levam glúten. Além disso, eles oferecem diversas opções de leites vegetais.

Foto: Cinthia Bracco

É bom saber que cada vez mais posso frequentar os lugares sem ter que levar alguma coisa na bolsa para acompanhar o meu café. E vocês já provaram alguma dessas gostosuras? Tem mais cafeterias com opções veganas em São Paulo ou em algum outro lugar vocês indicam?

 

Cinthia Bracco é filha e neta de boleira e salgadeira. Atuou por 9 anos nas áreas de Marketing e Comunicação, mas não conseguiu fugir de seu destino. Assim como a mãe e a avó ingressou na área de gastronomia depois de ter se apaixonado pelo café. Em Novembro de 2016, tornou-se barista profissional e hoje está trabalhando em um dos maiores projetos de sua vida: ter a própria cafeteria. É vegana, adora comer, tem um Bull Terrier chamado Tofu e é fã de ficção científica, especialmente Battlestar Galáctica.  

Foto de destaque: Depositphotos

Compartilhe com seus amigos:

Como tomar café corretamente? Existe jeito certo?

Um dia desses, um velho assunto foi novamente posto em pauta: colocar açúcar no café ou não? Entre opiniões e provocações, me inspirei a escrever esse texto falando sobre como tomar café corretamente, segundo o meu ponto de vista.

Dividi o texto em alguns pontos relevantes para pensarmos juntos sobre como tomar café corretamente. Confira a seguir:

Leia também:

Uma análise sobre como tomar café corretamente

1 . Café sem açúcar

Tecnicamente falando, se o café em questão é do tipo especial, ele deve apresentar uma doçura natural. Para os especialistas, essa doçura é suficiente e não há necessidade de se colocar açúcar. Além disso, a ideia é sentir o que aquele café proporciona. Se a gente adoçar a bebida, provavelmente vai mascarar alguma característica interessante.

A verdade, porém, é que a gente se alimenta sem prestar a atenção no gosto das coisas, vai tudo no automático. Quantas vezes você adoçou ou salgou alguma bebida ou alimento sem ter provado antes? Virou hábito e não dá para mudar isso uma hora para outra, é um processo.

Devo confessar que quando vejo uma pessoa colocando açúcar em um café maravilhoso, me dá um aperto no coração, mas, por outro lado, ela tem que se sentir bem consumindo aquilo. O café deve ser um momento de prazer, não de obrigações. Cabe a nós, baristas, conversar com essas pessoas e propor novas formas de consumo.

Falando nisso, eu proponho que, pelo menos durante uma semana, na hora de se alimentar, vocês esqueçam os problemas e vivam a experiência de aromas e sabores. Se você é do time que coloca açúcar no café, pelo menos uma vez nesse período, beba uma xícara de café especial sem adoçar – ou o primeiro gole, que seja. Converse com o barista, peça uma indicação.

2 . Café só bem quente

Outro ponto importante dessa análise sobre como tomar café corretamente é: café bom, é café quente. Será? Eu discordo. Tem muito café gelado por aí que é uma delícia! No entanto, realmente a gente nota que há uma certa resistência da maioria das pessoas em consumir o café dessa forma. Quando a gente fala de hábitos e questões culturais, realmente pode ser um pouquinho mais difícil convencer as pessoas de que aquilo pode ser bom.

Quando gelado, o café tende a evidenciar suas características. Portanto, um café gelado que passou do ponto de torra e queimou, não vai ficar bom como um café mais aromático, por exemplo.

Claro que você pode provar e não curtir, preferir o seu café bem quentinho mesmo. O que não vale é dizer que não gosta sem ter provado.

A nossa dica aqui é você tomar um espresso tônica em um dia bem quente. Para quem gosta de café gelado sabe do que eu estou falando. Para quem nunca provou, essa é uma deliciosa porta de entrada.

3 . Não tomar mais café na casa da avó

Quem aqui já nasceu bebendo café especial que me desculpe, mas eu cresci lá no Jaçanã bebendo o café forte do Brasil feito pela minha avó. Naquela época, mais gostoso que o café só a sopa de pão, que era café com leite e pedaços de pão cortados com as mãos, tudo colocado em uma tigelinha para comer com a colher.

Alguns de vocês podem achar essa iguaria um pouco estranha, mas era a melhor coisa do mundo, assim como o café que a (já falecida) vovó Julia fazia, o qual eu daria tudo para beber novamente.

Quando a gente acostuma com coisa boa, é difícil voltar atrás, mas também isso não é motivo para a gente apagar nossa memória afetiva ou ignorar uma atitude de carinho. Quando a gente vai à casa da nossa avó, da tia ou de um amigo e uma xícara de café é oferecida, isso vai muito além da variedade do grão, altitude, perfil de torra… É amor também.

Claro que não precisa aceitar a bebida se não quiser, mas recusar com educação basta, nada de lições sobre o café. Ao invés disso, convide a pessoa para ir à sua casa e mostre como podem existir tipos diferentes de café.

Você vai gostar de ler:

4 . Café só moído na hora

Até posso sentir o cheirinho do café moído na hora, que delícia! Realmente não tem nada igual e não falo apenas da fragrância. Quando a gente mói o café, ele imediatamente começa a perder suas propriedades sensoriais. É como abrir uma embalagem de salgadinho, por exemplo. Se o pacote ficar fechado, o salgadinho vai conservar mais tempo, mas se a gente abrir e não consumi-lo na hora, vai começar a ficar murcho e com sabor estranho.

Hoje em dia existem moinhos elétricos ideais para ser usados em casa e com preço acessível. Alguns baristas recomendam determinadas marcas e modelos e outros não recomendam de jeito nenhum. Isso porque alguns moedores podem moer os grãos de forma irregular, não chegar à granulometria adequada, entre outras coisas.

Sendo assim, temos um dilema: comprar o café em grão e moer em casa ou levar já moído? Isso quem pode decidir é você. Leve em consideração alguns questionamentos. Você quer ou pode investir em um moinho? Com qual frequência você faz café em casa? Para você faz diferença o café moído na hora?

Além dessas questões, você também pode fazer um teste. Sentir o resultada na xícara é,  sem dúvida, o fator decisivo. Tente provar, ao mesmo tempo, uma xícara de café já moído e outra moído na hora em um desses moinhos portáteis. Percebeu a diferença? Se achar que deve, invista em um moinho pesquisando as melhores marcas e modelos. Senão, continue levando seu pacotinho já moído para casa. Apenas tente dar preferência para torras mais frescas e, havendo a possibilidade, peça para o barista moer os grãos para você na hora em que estiver adquirindo o seu café.

5 . Torra escura é ruim

Nós já fizemos um post falando sobre torra, vocês lembram? Lá a gente tinha comentado sobre as tonalidades da torra – clara, média e escura – e também sobre perfis de torra.

Falar sobre perfil é interessante porque a gente consegue mudar nossa opinião sobre alguns preconceitos. Quando a gente entende um pouquinho mais sobre esse assunto, a gente começa a entender que café claro nem sempre é café fraco e que café escuro também pode não ter aquele gostinho de cinzeiro. Cada tipo de grão vai ter o seu ponto ideal de torra e é para descobrir isso que os mestres de torra trabalham como loucos, fazendo incontáveis testes.

Por isso, não vamos julgar um livro pela capa. Vamos também usar nossos outros sentidos para avaliar um café. Se sua visão está querendo dizer alguma coisa, confirme com o olfato. Se ainda tiver dúvidas, chame o paladar. Só depois disso é que a gente vai poder dizer se torra escura é ruim ou boa.

Para resumir essa história de como tomar café corretamente, pense no seu café. Quais são as palavras que você associa a ele?

Se você respondeu prazer, amor, afeto, aconchego, despertar, família… Você está no meu time e, provavelmente, concorda que o jeito certo de tomar café é aquele que nos faz bem, o que não significa que a gente não possa querer aprimorar o nosso conhecimento sobre ele. Agora, se suas respostas foram por outra linha de pensamento, comenta ali embaixo que a gente continua esse papo sobre como tomar café corretamente. 😉

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Fotos: Depositphotos

Compartilhe com seus amigos:

Café em cápsula: a opinião de uma barista

Outro dia estava almoçando com uma amiga e, em uma determina hora, começamos a falar sobre café. O café em cápsula surgiu na conversa e ela se mostrou surpresa quando eu, barista, disse que tenho uma máquina Nespresso.

A máquina chegou em casa antes de eu entrar profissionalmente para o mundo do café, mas ela é usada até hoje, mesmo que com uma frequência menor. Confesso que durante um tempinho ela ficou meio esquecida, porque aquele gostinho de queimado começou a me incomodar um pouco, já que eu tinha começado a conhecer bons cafés e grande parte dos que eu comprava vinham com essas notas aromáticas ruins.

No entanto, se a gente comparar as cápsulas que temos disponíveis no mercado hoje com as de 5 anos atrás, vamos perceber o quanto esse tipo de bebida evoluiu em vários aspectos e ainda continua se desenvolvendo.

Café em cápsula: o que mudou?

Em uma matéria do Paladar (Estadão) de 2015, que falava sobre a queda da patente das cápsulas, a Nespresso disse que a concorrência é saudável e melhora a qualidade e as opções dos produtos no mercado, ou seja, quem ganha é o cliente.

Quase três anos depois dessa matéria, estava eu na Sirha 2018, vendo um painel da 3 Corações. No final, eles serviram um café em cápsula para quem estava ali assistindo. Gente, que surpresa agradável! Eu estava sem pretensão nenhuma sobre aquela xícara e, de repente, comecei a sentir acidez, doçura, um bom corpo.

Foi nesse exato momento que eu percebi o quanto as cápsulas evoluíram e, principalmente, que as grandes empresas entenderam que há uma parcela de clientes que também evoluiu o sensorial e está buscando mais qualidade em seus cafés, sem perder a praticidade.

Cápsulas de café e o impacto ambiental

As cápsulas se popularizaram principalmente por causa de sua praticidade. Porém, a principal crítica sobre esse produto é o impacto ambiental negativo. Lá no início não havia uma programa para reciclar as cápsulas, feitas de plástico e alumínio, mas hoje esse cenário já é um pouco diferente.

Apesar da reciclagem das cápsulas ser ainda um pouco confusa, dá para notar que as pessoas estão pensando nisso, sim. Além de programas desenvolvidos pelas próprias marcas, como Dolce Gusto e Pilão, a Orfeu, por exemplo, desenvolveu uma cápsula de bioplástico, que demora cerca de quatro meses para se desintegrar em processo de compostagem. Há também quem transforme cápsulas em objetos de decoração e até bijuterias!

Outra opção são as cápsulas reutilizáveis, como a desenvolvida pelo Eco Reciclos. Esse assunto, na verdade, é um pouco polêmico por dois motivos: muitas pessoas do meu convívio que provaram não gostaram do resultado e porque usar uma cápsula reutilizável faz com que o conceito de praticidade se perca.

Sinceramente, não acho que seja um trabalho tão grande assim encher e depois limpar uma cápsula, considerando que estamos fazendo algo bom para a natureza. Já no sabor, não posso opinar porque infelizmente ainda não tive oportunidade de provar café extraído a partir de cápsula reutilizável.

Preço

Quando a gente fala de café especial, é muito comum ouvir reclamação sobre o preço, geralmente vinda de pessoas que ainda não compreenderam o valor desse tipo de bebida ou simplesmente porque não ligam para isso.

No entanto, parte dessas pessoas consome café em cápsula. Isso significa que elas estão dispostas a pagar entre R$ 200 e R$ 400 no quilo de café em cápsula, mas não querem pagar R$ 156 no quilo do W1 Wolff Café, por exemplo, que é de origem, teve perfil de torra desenvolvido e é café de alta qualidade.

Até entendo que a pessoa pode estar pagando pela praticidade, mas arrisco a dizer que, na maioria das vezes, ela nem faz essa conta. Engraçado, né? É como pagar parcelado com juros. De pouquinho em pouquinho a gente nem sente.

Ok, mas café em cápsula é bom ou ruim?

Café em cápsula é uma realidade e, seja você profissional da área ou coffee lover, não dá para fugir disso. A tendência é que esse mercado continue crescendo com cada vez mais qualidade. Isso é muito legal, porque teremos bons cafés no conforto (ou na correria) do nosso lar.

Isso não exclui o café coado feito com calma, o trabalho do barista e nem a cafeteria. Cada um tem sua função e o momento adequado para serem consumidos. São mais opções a serem exploradas, o que vai fazer com que o consumidor crie mais repertório e amadureça, forçando um desenvolvimento da área do café como um todo, o que é normal e essencial.

No meu ponto de vista, o café em cápsula ainda tem espaço para se desenvolver mais, incluindo nas questões ambientais, como comunicar com mais clareza ao consumidor seus projetos e criar programas realmente efetivos que mostrem seus resultados.

Porém, falando de qualidade, hoje a gente já encontra cafés bem melhores comparando com alguns anos atrás e a ideia é que isso melhore. No entanto, qualidade aliada à praticidade tem um preço. Cabe a cada um de nós se disponibilizar a pagar ou não.

Vocês também acham que os cafés em cápsula estão com mais qualidade? Como vocês descartam suas cápsulas?

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto: Depositphotos

Compartilhe com seus amigos:

Café e sustentabilidade

Já diziam nossos avós: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. Esse sábio ditado, que facilmente pode ser usado nos dias de hoje, se aplica não somente às pessoas, mas também aos lugares que frequentamos.

Outro dia fui à uma cafeteria  que abriu num shopping perto de casa. É uma gracinha e tem uma vitrine de doces de encher os olhos, mas também tem atendente bufando porque nitidamente está sobrecarregada e quando fui ao balcão pagar, a pessoa que aparentava ser o dono, permaneceu no celular sem olhar para a minha cara. Quando a atendente deu um toque nele, sem tirar os olhos do aparelho, fez sinal para a gente esperar. Depois de terminar o que estava fazendo, foi me atender e deu bronca na funcionária, na minha frente, por ela ter escrito meu nome errado na comanda.

O que quero dizer com essa história é que, no meu ponto de vista, uma cafeteria para ser boa de verdade deveria se preocupar além do café. Isso porque, hoje em dia, temos consumidores mais atentos e mais conscientes, além da concorrência crescendo. Não apenas isso, mas pensar em um negócio sustentável, por exemplo, é querer que todas as partes se deem bem simplesmente por uma questão ética e justa.

Leia também:

Você sabe o que é sustentabilidade?

Outro dia vi uma live de uma grande figura do mundo café, que tinha ido à um simpósio internacional, e estava compartilhando sua experiência. Entre outras coisas, ela contou que um dos temas abordados foi a sustentabilidade e, com isso, ela percebeu que o conceito ainda é confuso na cabeça da maioria.

As pessoas e empresas têm esse tema relacionado unicamente ao meio ambiente. Dessa maneira voltam seus esforços para projetos como troca de sacola de plástico pela de papel, por exemplo. Algumas até fazem isso aleatoriamente apenas para se encaixarem em algo que está sendo muito discutido.

No entanto, a sustentabilidade é mais que isso. Há um modelo chamado Triple Bottom Line que engloba três pilares: ambiental (como já sabemos), econômico e social. Assim, para uma empresa – no nosso caso, uma cafeteria – ser sustentável, ela deve fazer com que esses três pilares interajam e convivam de forma harmoniosa, dentro de suas possibilidades, claro.

Tripé da sustentabilidade – Meio ambiente, sociedade e economia. Foto: Depositphotos

O café e os pilares da sustentabilidade na prática

Ambiental

Minimizar ao máximo os impactos ambientais. Isso não se refere apenas ao que está dentro da cafeteria aos olhos do cliente, como abolir os canudos e colocar lixeiras de coleta seletiva. Essas atitudes são importantes, sim, mas para ser sustentável precisamos ir além.

É necessário saber como os fornecedores trabalham. Não adianta  comprar copos de papel de alguém que descarta resíduos desenfreadamente no meio ambiente. Repare se mesmo podendo abrir janelas e persianas para usar iluminação natural, o local prefere manter as luzes acesas. É importante também que as cafeterias façam um planejamento para não desperdiçar alimentos.

Esses são apenas alguns exemplos para explicar que tudo o que envolve o negócio, direta ou indiretamente, deve estar em sintonia com a questão do meio ambiente. São muitos detalhes e, às vezes, demanda investimento de tempo e dinheiro. Trocar um fornecedor por outro ecologicamente correto pode ter um custo no final do mês e pesar no bolso.

Econômico

Buscar soluções para o desenvolvimento de um negócio sem que isso agrida os ecossistemas ao seu redor não é fácil, mas isso, ao invés de ser encarado como um problema, deveria ser um desafio.

A sustentabilidade se baseia no equilíbrio e quando falamos da parte econômica, significa que a empresa deve manter uma competitividade justa com relação aos concorrentes, de maneira que respeite a sociedade e o meio ambiente. Um bom administrador preocupado com esses temas vai saber lidar com isso de maneira que o negócio não deixe de lucrar e crescer.

Não adianta a empresa ter um preço competitivo e se desenvolver economicamente se isso é feito através de más condições de trabalho.

Social

O capital humano que está relacionado com as atividades da empresa, seja ele os funcionários, clientes, fornecedores, a comunidade e a sociedade de maneira geral, é o que define o pilar social da sustentabilidade.

Lembram da atendente da cafeteria que eu comentei ali em cima? Ela se encaixa muito bem aqui. Além de eu ser ignorada pelo dono, naquele dia eu já percebi que o local não valoriza e desrespeita seus funcionários. Por isso, nem vou mais nesse lugar.

O dono desse café deve achar que já faz muito por essa moça por pagar VR e VT, quando na verdade isso é obrigação. Uma cafeteria cuida bem de um barista, por exemplo, quando oferece um espaço decente para comer, descansar, se desenvolver e quando se preocupa com um salário um pouco mais justo ao invés de pensar somente na média.

O social não é só recolher agasalhos na época de frio para ter uma boa imagem perante o cliente. Isso é legal, ainda mais se for feito de coração, mas o social começa dentro da empresa. Como um negócio pode se preocupar com as demais pessoas se não dá valor para quem faz sua empresa funcionar? Estranho, né?

Sei que vocês gostam de dicas de lugar para conhecer ou de como preparar café em um determinado método. Eu também adoro falar sobre isso, mas sustentabilidade é algo que precisa ser dito e que a gente tem que começar a prestar mais atenção.

Se eu como barista, vocês como consumidores de café, e todo mundo que faz parte dessa cadeia deixar isso pra lá, o produtor vai ser mal pago e vai resolver plantar outra coisa. O barista ou mestre de torra sem condições descentes de trabalho vai desistir da área e a mão de obra qualificada vai ficar escassa. O serviço nas cafeterias vai decair e isso vai chegar até o cliente.

O que eu proponho é um exercício de observação nas cafeterias que vocês já frequentam. Converse com os baristas, peça para visitar a cozinha (isso é direito do consumidor), veja se há muita rotatividade de pessoas, repare quais são as preocupações com o meio ambiente e nas ações que esses locais fazem para apoiar a comunidade. Dê sugestões e faça críticas, vamos construir isso juntos. O Sofá Café tem um projeto lindo chamado Fazedores de Café, vocês conhecem?

Qual outra cafeteria tem um projeto assim? Pensando nessas questões e na relação entre café e sustentabilidade, qual cafeteria vocês indicariam ou qual fez uma ação legal? Conta pra gente!

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: Depositphotos

Compartilhe com seus amigos:

Processamento do café é o que vem depois da colheita

Uma das melhores coisas da vida para mim é aquele cheirinho de café pela manhã, que logo preenche minha xícara e me transforma em uma pessoa mais sociável. Quem me conhece sabe que não sou uma boa companhia logo cedo. Imagino que, assim como eu, muitos de vocês gostam dessas sensações que o café nos proporciona. Acredito também que nem todo mundo parou para fazer o seguinte questionamento: o que acontece com o café depois que é colhido?

Se você já leu alguns textos dessa coluna, provavelmente aprendeu que o café está relacionado com a ciência. Hoje vamos falar de uma etapa, ainda na fazenda, na qual acontecem transformações físicas, fisiológicas e bioquímicas: o processamento do café.

Leia também:

O que é exatamente o processamento do café?

Quando falamos sobre os tipos de café, vimos que tudo começa na lavoura. Aprendemos também que o café é um fruto e que, no caso dos cafés especiais, apenas os que estão no auge da maturação são colhidos. Os frutos maduros são chamados de cereja. O que vai ser torrado, moído e preparado para compor a nossa xícara serão as sementes desse fruto.

Assim, o processamento do café é a parte em que frutos ruins são separados dos bons. Esses bons, por sua vez, passam por um processo para terem suas sementes extraídas.

Existem três métodos de processamento do café: natural, descascado e despolpado.  Cada um dos métodos tende a destacar determinadas características do grão.

Métodos de processamento do café

1 . Natural

Idealmente o primeiro passo é fazer a separação dos “bóias”, que são os frutos que secaram no pé. Eles receberam esse nome porque, quando são colocados no lavador, os mais secos boiam por terem densidade diferente dos cerejas ou verdes.

A seguir, os bóias vão para o terreiro ou secador, separados dos demais. Os cerejas podem ser separados dos verdes nessa parte do processo ou no beneficiamento– falaremos disso em outra oportunidade. Estes também vão para o terreiro.

No caso de o produtor optar pelo terreiro, o café será espalhado sob o sol e mexido várias vezes para uma secagem uniforme. Existem também os terreiros suspensos, nos quais a estrutura permite um melhor fluxo de ar, reduzindo em até 30% o tempo de secagem do café, segundo reportagem do Globo Rural.

A tendência desse tipo de processamento do café é deixar o grão doce e encorpado – seca com casca e polpa.

Frutos verde e cereja. Foto: Cinthia Bracco

2 . Descascado (CD)

Aqui, como o próprio nome diz, os frutos perdem sua casca após passarem pelo descascador. A máquina pressiona os cerejas e verdes contra um cilindro cheio de furos. Os cerejas  passam – perdem sua casca pelo grau de maturidade – e os verdes ficam retidos.

Depois, esses grãos – temos a mucilagem envolvida pelo pergaminho – são levados para o terreiro onde ocorre a secagem.

Nesse tipo de processamento do café a tendência é resultar em um café com sabor equilibrado e delicado.

Terreiro com café secando. Foto: Cinthia Bracco

3 . Despolpado ou Lavado

Depois de descascado, como explicamos ali em cima, ao invés de o café ir para o terreiro ou secador diretamente, ele será submerso em tanques de água para passarem por um processo de fermentação induzida. Durante esse período, ocorre a eliminação da mucilagem, que será encontrada na superfície da água. O pergaminho, que agora está sem a mucilagem, vai para o terreiro ou secador.

A tendência é uma bebida frutada, floral e com acidez acentuada, desde que as características já pertençam ao tipo de café.

Interessante, não é mesmo? O que não podemos esquecer é que o resultado que sentimos na xícara está atrelado à todas as etapas do café. Isso significa que não adianta o produtor investir em um tipo de processamento do café se não cuidou bem na lavoura. Da mesma forma, uma torra mal feita pode desvalorizar o cuidado do produtor ou o barista pode estragar tudo isso se fizer uma má extração.

Cada pessoa tem sua responsabilidade na cadeia do café. É por isso que a gente estuda bastante. Ainda mais sabendo que os consumidores e coffee lovers estão cada vez mais munidos de informações.  Isso só faz esse mundo se fortalecer.

Foto: Cinthia Bracco

Vocês já conheciam essa etapa? Já repararam que em alguns pacotinhos de café de melhor qualidade vem escrito o tipo de processamento? (Veja na foto acima)

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: Depositphotos

Compartilhe com seus amigos:

Cafés coados: diferenças entre métodos de extração

Tem dia que tudo o que a gente quer é o afago de um café coado na hora, não é mesmo? Por sorte, hoje em dia a gente consegue isso até estando fora de casa. Já são várias as cafeterias que disponibilizam os filtrados para seus clientes. Isso parece perfeito até o momento em que a gente entra na loja para pedir nosso café. Olhamos o cardápio e lá tem: Hario V60, Kalita, Aeropress, Prensa Francesa e por aí vai. Todos eles são cafés coados, mas feitos de formas diversas.

Arte: Cinthia Bracco

Ter diferentes métodos de preparo disponíveis é muito legal, pois cada um deles tem suas particularidades e a gente sente isso na xícara. Porém, nem sempre o barista explica as diferenças e nem sempre temos tempo para ouvir.

Resolvi falar um pouquinho dos principais métodos de extração que encontramos por aí. Assim,  da próxima vez, você já vai saber qual deles faz mais o seu estilo ou até mesmo o que esperar caso resolva provar algo diferente.

Leia também: 

Conheça os principais métodos de extração dos cafés coados

Hario V60

Hario é o nome de uma empresa japonesa que nasceu nos anos 20, fabricando artigos de vidro para laboratórios médicos. Hoje é muito conhecida no mundo do café pelos diversos tipos de produtos que desenvolveu para essa área.

Um de seus principais itens é o V60,  um equipamento muito similar ao Melitta visualmente. Porém, se a gente olhar bem, vai notar que a abertura da base é maior, que na parte de dentro tem linhas em espiral e que seus filtros são cônicos e mais porosos.

Resultado: uma bebida com doçura e, principalmente, acidez acentuadas.

Foto: Cinthia Bracco

Kalita Wave

Também de origem japonesa, a Kalita costuma encantar alguns coffee lovers. Quando a gente olha para ela, acha que também é um cone, mas chegando mais perto, percebemos que a base é achatada. Possui furos pequenos em forma de triângulo e relevos circulares na parte interior.

Outro diferencial é seu filtro, que lembra bastante uma forminha de cupcake. A ideia é que esse tipo de filtro previna o contato da água com as paredes do coador para manter ao máximo sua temperatura. O café tem que sair pelos três furinhos ao mesmo tempo e com o mesmo fluxo. A extração  desse método requer técnica e, por esse motivo, é considerado por alguns baristas uma das mais difíceis.

Resultado: café com acidez e doçura equilibradas.

Foto: Cinthia Bracco

Aeropress

Desenvolvida nos EUA por Alan Alder, um especialista na criação de brinquedos, que queria muito uma forma prática de beber café. A Aeropress é toda feita de plástico e você pode utilizar filtro de papel ou metal. É um método que faz café coado com pressão, assim como acontece com o espresso, só que ao invés da pressão da água, na Aeropress a gente tem a pressão do ar.

É um método muito versátil e querido pelos baristas. Tanto que até existe um campeonato só para ele. Além da pressão, dependendo da receita, também pode ser usado um tempo de infusão.

Resultado: café rico em açúcares e óleos essenciais próprios do grão.

Foto: Cinthia Bracco

Prensa Francesa

Historiadores observaram que um equipamento muito similar ao que temos hoje apareceu nas cozinhas francesas por volta de 1850, mas foi um designer italiano que, em 1929, a registrou.

A prensa francesa ou french press é um método que utiliza infusão. A extração em si ocorre após empurrarmos seu êmbolo para baixo, o que vai fazer com que o pó de café seja separado da bebida. Não é necessária a utilização de filtro de papel. Em uma outra ocasião a gente falou bastante da prensa. Se você não lembra e tiver curiosidade, dá um olhada.

Resultado: bebida equilibrada e intensa.

Foto: Pixabay

Chemex

Criada em 1941 nos EUA por um químico alemão, a Chemex parece uma garrafa bonita de vidro quando você a olha pela primeira vez. Na verdade, não deixa de ser, mas ela também faz uma excelente xícara de café.

Possui filtros de papel especiais, mais grossos e em formato circular, que dobrados formam um cone. Não há um suporte, o filtro é encaixado no próprio recipiente de vidro. Depois disso, é só colocar café moído e fazer a extração.

Resultado: uma bebida saborosa, leve e extremamente limpa.

Foto: Pixabay

 

Agora quando o barista  perguntar qual método você prefere, já vai ser mais fácil escolher. Você já tem o seu preferido? Qual dos cafés coados gostaria de provar?

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: Pixabay

Compartilhe com seus amigos:

Atenção à acidez do café pode ser uma experiência interessante

Esses dias falamos sobre a relação do sabor do café e a ciência . Tendo esse entendimento das reações do nosso corpo quando cheiramos ou provamos algo, fica um pouco mais fácil falarmos sobre um assunto, digamos, polêmico: a acidez do café.

Acidez nada mais é do que aquele azedinho que sentimos na boca. O café é um fruto e a acidez é algo natural, assim como acontece com o limão ou a maçã. Se é algo natural, por que não sentimos a acidez em todos os cafés que bebemos por aí?

Tudo vai depender de como o café chegou à xícara. E  não estamos falando apenas do momento em que ele é filtrado ou extraído de uma máquina de espresso. Estamos falando da variedade, da altitude, de como foi cuidado e colhido, como foi processado e torrado, até chegar à mão de um barista experiente ou não. Todas essas variáveis influenciam no sabor que sentimos.

Cafés de qualidade inferior e excessivamente torrados, tendem a perder a acidez. Em bebidas assim, percebemos muito mais o amargor, que não é equivalente ao azedinho do limão e, sim, ao sabor de uma calda de açúcar que passou do ponto. Em café de melhor qualidade, a acidez é nítida. Tão nítida, que às vezes até incomoda quem não está acostumado com esse tipo de bebida.

Em contrapartida, tem gente que adora café super ácido, pois uma coisa é certa: depois que você acostuma, não vive mais sem a acidez do café. Eu, particularmente, gosto do equilíbrio, pois assim consigo sentir todas as características e nuances da bebida.

Afinal, por que estranhamos acidez?

Apesar de já existirem diversos estudos, ainda não se sabe ao certo o que faz uma pessoa gostar ou não de certos alimentos. São diversos fatores que influenciam essa questão, sejam eles biológicos, genéticos ou socioculturais.

Além disso, a forma como cada um processa o gosto também está relacionada com sensações físicas e psicológicas de prazer. Segundo o neuropsicólogo Paulo Jannuzzi Cunha para a Folha de S. Paulo, “alguns alimentos ativam regiões ligadas às sensações de bem-estar. Quanto mais energética for a comida, mais sentimos prazer. É uma questão biológica, para garantir a nossa sobrevivência”.

Isso significa que preferimos alimentos ligados à memórias positivas, ou seja, no geral o gosto doce se sobressai, pois além de nos fornecer energia, geralmente nos traz boas lembranças.

Outro fato interessante, é sobre o amargor. Esse é um gosto que muitas pessoas também rejeitam e uma das explicações é por ele nos remeter à venenos e remédios. Isso se manteve em nosso subconsciente mesmo com a evolução da nossa espécie. A ironia é que, apesar disso, a maioria das pessoas ainda prefere café amargo. Isso porque acaba sendo uma questão de hábito e, querendo ou não, esse tipo de bebida nos traz boas lembranças, não é mesmo? Mas isso seria assunto para uma outra hora…

Leia também:

Vamos nos ater a acidez do café. Veja a seguir quais são os tipos mais comuns quando se trata da bebida:

Tipos de acidez

Nem só do limão vive a acidez e algumas delas são percebidas quando tomamos café, tanto as boas quanto as ruins. Lembre-se que diferentes tipos de acidez podem ativar partes diferentes da sua boca – língua, bochecha, céu da boca, gengiva. Por isso, sempre vale o exercício de prestar atenção nas reações de seu corpo quando comemos alimentos ácidos. Isso vai te proporcionar experiências distintas na hora de tomar o seu cafezinho.

Acidez cítrica

É aquela que encontramos no limão, laranja, lima, abacaxi. É um tipo de ácido muito usado na gastronomia para realçar aromas e sabores e preservar a coloração de outros alimentos.

Acidez málica

Encontrada na maçã, melancia, ameixa, caqui. Possui sabor ácido limpo, maduro e suave, que perdura.

Acidez fosfórica

Presente na Coca-Cola e em outras bebidas gaseificadas. Existe na natureza principalmente sob a forma Ca3(PO4)2, como na fosforita. É encontrada também como o nitrogênio, em todo organismo animal e vegetal.

Acidez láctica

Obtida através da fermentação natural de queijos, iogurtes, leveduras.

Acidez acética

Tem sua origem na fermentação acética do álcool. É a acidez que encontramos no vinagre. Esse tipo de acidez é considerado defeito se encontrado no café.

Acidez tartárica

Principal ácido encontrado nos vinhos, se desenvolvem a partir do ciclo vegetativo da videira. Assim, acidez tartárica é aquela que encontramos nas uvas. O ácido tartárico também está presente em alguns sais que são desenvolvidos a partir da fermentação do vinho, como é o caso do cremor de tártaro, por exemplo.

Existem ainda outros tipos de ácidos como fumárico, ascórbico, sórbico, lactobiônico, etc. Alguns deles, inclusive, muito usados na indústria alimentícia. Porém, os tipos de acidez que citamos ali em cima, são os principais relacionados ao café.

Agora que deu para entender um pouquinho mais sobre a acidez do café, o que você acha de dar mais chance para essa característica da bebida?

Se você já curte aquele azedinho, então comece a tentar distinguir as sensações dos diferentes tipos de acidez do café na sua boca. Vai ser uma nova experiência a cada xícara.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto: Pixabay

Compartilhe com seus amigos:

Sabor do café e ciência: entenda essa relação

Quando pegamos nossa xícara de café pela manhã, nem imaginamos por quantos processos e transformações ele passou. Não falo apenas do fruto que saiu do pé, secou, foi torrado, moído, extraído, mas da ciência que existe por trás de tudo isso – influência do clima e dos nutrientes do solo, variedade da planta, calor, reações químicas. Tudo contribui para o sabor do café.

A ciência do café não para na xícara. Ela acontece também com a gente e é sobre isso que vamos falar.  Para quem quer melhorar sua experiência com a bebida é fundamental, além de treinar a avaliação sensorial, conhecer e prestar atenção em seu próprio corpo. Vamos entender um pouquinho sobre a relação entre ciência e o sabor do café.

Você vai gostar de ler:

Mapa da língua, lembra?

Na escola a gente aprendeu que existem 4 gostos básicos e que cada um deles são percebidos em determinados pontos da língua. Em 2000, a comunidade cientifica reconheceu como quinto gosto básico o umami, que foi incluído no mapa no centro da língua.

Foto: olhardireto.com.br

No entanto, estudos mais recentes concluem que toda a superfície da língua consegue sentir os cinco gostos, mas cada área é mais sensível a um deles. Isso se deve ao fato de que na língua há receptores presentes nas papilas gustativas que estão espalhadas, não somente na língua apesar de ter uma maior concentração ali, mas também nas bochechas, no palato (céu da boca) e até no esôfago.

O fato é que em cada lugar da nossa boca existe um tipo diferente de papila (filiformes, cônicas, calciformes, fungiformes e foliáceas)  e cada uma delas é mais propensa a sentir determinada sensação, incluindo informações táteis e térmicas.

Apesar de tudo isso, as pessoas podem sentir essas sensações de forma diferente umas das outras, devido à sua genética ou idade, por exemplo. Por isso, o mapa da língua não deve ser levado a ferro e fogo.

Na escola de barista, um dos primeiros exercícios que fiz foi justamente o mapeamento da minha própria boca e isso dá para fazer em casa. Basta preparar soluções com cada um dos gostos básicos e ir provando um a um, prestando atenção na reação do seu corpo.

Faça uma infusão com uma erva amarga e prove. Em que parte da boca você sente o amargor? Faça a mesma coisa com os outros elementos. Quando eu como uma maçã, que tem uma acidez diferente da de uma laranja, eu sinto o meu céu da boca reagir. E você?

Conhecer a si mesmo vai ajudar – e muito – na hora em que você estiver provando um café. Isso é essencial profissionalmente, mas bem interessante para quem curte café, pois cada experiência se torna única.

Sabor do café além da boca

Se eu provasse duas tortas, sendo uma de legumes com massa de batata doce e outra torta de cogumelos com massa a base azeite, considerando apenas a minha boca enviando mensagens para o meu cérebro, para ambas eu teria basicamente a mesma descrição: são salgadas, quentes e esfarelam.

No entanto, se meu nariz entrar na jogada, eu terei descrições bem distintas de cada uma delas. Vou identificar os legumes, condimentos, vou saber que as massas são diferentes. Vou sentir o sabor das coisas.

O sabor nada mais é que a soma do paladar e olfato. Esses dois sentidos servem para captar diferenças químicas entre as substâncias. O olfato é um sentido duplo composto pelos olfatos ortonasal, via nasal, e retronasal, via oral. Isso quer dizer que sentimos o cheiro daquilo que está fora do nosso corpo e daquilo que está dentro, principalmente dentro da nossa boca, ou seja, cheiramos algo que estamos mastigando!

Por isso é que não sentimos muito bem o gosto das coisas quando estamos resfriados. A formação do sabor é comprometida com o olfato prejudicado.

O que isso tudo tem a ver com café?

Café está relacionado diretamente aos nossos sentidos e isso vocês já devem saber. Só que, quando a gente vai um pouquinho mais além, a gente começa a perceber a complexidade envolvida e ficamos mais atentos a como o nosso corpo reage.

Saber o porquê das coisas nos instiga a querer experimentar. Quando a gente experimenta, testa e percebe que cada café possui suas particularidades, vamos criando repertório e, assim, começamos a apreciar cada vez mais o nosso café de cada dia.

A percepção do sabor se tornou tão importante, seja para a ciência ou para a gastronomia, que hoje já existe uma área de estudo chamada neurogastronomia, que além de fatores fisiológicos, também abrange fatores sociais e culturais.

Outra informação interessante é que em 2016 cientistas da Universidade de Oregon, nos EUA, divulgaram a descoberta de um sexto gosto, o starch. O nosso paladar consegue detectar carboidratos presentes em alimentos como pães, pizza e macarrão. Essa descoberta abre caminhos para novos questionamentos e estudos relacionados ao reconhecimentos dos gostos. Outros já estão sendo analisados, como é o caso do sabor metálico que sentimos no sangue.

E você, como considera a relação dos seus sentidos com o café? Já tinha parado para perceber o sabor do café e as sensações que ele causa?

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: Pixabay

Compartilhe com seus amigos:

5 cafeterias para visitar em São Paulo

É legal ver o mercado de cafés especiais se expandindo e um reflexo disso é o número crescente de cafeterias. Em São Paulo, temos tantas lojas interessantes que fica difícil escolher somente algumas delas. Sem contar que, mesmo morando aqui, ainda tenho minha listinha de lugares para conhecer.

Assim, resolvi selecionar 5 das minhas preferidas e cada uma delas, além de bons cafés, tem motivos peculiares para estarem nesse post.

5 cafeterias para visitar em São Paulo

1 . Cantina SP

Localizada no Museu da Imigração, na Mooca, tudo por lá é agradável. Destaque para o espaço, que faz você esquecer que está no meio de uma cidade caótica. É um daqueles lugares que facilmente a gente passaria o dia inteiro.

Além disso, os itens do cardápio são produzidos por eles, tudo é muito fresquinho. O atendimento é incrível. De quebra, você ainda faz um passeio em um importante símbolo da história de São Paulo.

2 . Fora da Lei

Certo dia, um advogado, cansado de beber café ruim, se questionou sobre o sentido de seu trabalho e o impacto que aquilo causava em sua vida. Um cenário que parecia desfavorável foi, na verdade, a faísca para um grande projeto. Ele adaptou uma Rural e criou o Fora da Lei, um coffee truck na região da Av. Paulista, que carrega bons cafés e também nos transmite a alegria de quem ama o que faz.

O legal é que sempre tem novidade, a gente tem oportunidade de provar muitos cafés.  Indo lá também dá para aprender um pouco sobre o mundo cafeeiro, pois eles gostam muito de falar sobre o assunto. Gostam tanto que, cientes dos desafios, se dedicaram a investir tempo introduzindo gradativamente o café especial no dia-a-dia do pessoal da região.

É um daqueles lugares que consegue mudar o seu humor mesmo num dia muito ruim. Um verdadeiro respiro da cidade.

3 . 1268 Café

Outra cafeteria para visitar em São Paulo, também localizada em uma atração cultural, é o 1268. Fica na entrada do Museu Lasar Segall, na Vila Mariana, o que nos dá mais um motivo para visitá-los.

Entre bolos, salgados e até refeições, a gente encontra cafés da Bahia, o que é mais difícil de se ver em SP, onde grãos de Minas e Espírito Santo dominam. Dá para tomar café com calma. Eles têm o teto transparente e dá pra gente ficar vendo a chuva cair.

4 . Clemente

Essa é uma cafeteria especial para mim. Foi uma das que me inspirou a tomar a decisão de mudar de profissão e me tornar barista. Quando fui lá a primeira vez, deu para perceber que cada detalhe foi bem pensado e feito com muito carinho.

Uma portinha na Vila Clementino, que brilha por causa do cheirinho de café e pelo bom atendimento. Prova de que espaço não é limite para serviço de qualidade.

Na frente tem lugar para sentar bem em baixo de uma árvore. Super gostoso para tomar um espresso tônica num dia de calor.  O Tofu, meu cachorro, também adora ir lá. Fica ali na sombra, descansando, enquanto eu tomo meu café.

5 . King of the Fork (KOF)

Muitos de você talvez já conheçam o KOF, mas eles não poderiam ficar de fora do meu top 5. Além de ser um lugar super gostoso, com quintal e tudo, eu bebo cafés incríveis e como muito bem!

Para quem segue o veganismo, do mesmo modo que eu, tem boas opções de comida. Já estou aqui pensando no pão sem queijo e latte com leite de coco da casa. Huuummm…

Dependendo do horário é bem movimentado. A qualidade e bom atendimentos dos baristas é impecável. Eles são um bike café, então para quem pedala tem mais uma razão para dar um pulo até lá. Eles também possuem produtos relacionados ao esporte.

Essas são as cafeterias para visitar em São Paulo que eu sugiro. Vocês já conhecem? Qual outra cafeteria acrescentariam na lista?

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: Depositphotos/ Fotos do post: Cinthia Bracco

Compartilhe com seus amigos:

Tipos de torra de café: o que você precisa saber

Uma das áreas do café que eu me interesso muito é sobre torra. Sempre quis escrever sobre os tipos de torra de café, mas meu conhecimento era muito raso. Recentemente fiz um curso e, apesar de ter aprendido bastante, isso não me fez uma expert.

Pelo o que percebi, essa é mais uma daquelas coisas que só se aprendem na prática e mesmo assim, com experiência, sempre há o que descobrir.

O que pretendo com esse texto é colocá-los na mesma situação que eu. Ou seja, fazê-los entender um pouquinho do processo e alimentar a curiosidade para refletir, questionar e pesquisar mais sobre essa etapa tão delicada da cadeia do café.

Leia também:

Café escuro não é sinônimo de qualidade

Grande parte de nós aprendeu que quanto mais forte (escuro) e amargo o café, melhor ele é. Quando a gente vai ao mercado e se atreve a pagar um pouco mais por uma café gourmet, já começamos a nos questionar sobre essa “verdade”. A revelação aparece quando a gente tem a oportunidade de provar ao mesmo tempo, o café tradicional, o gourmet e o especial. A diferença se torna muito nítida.

O primeiro passo é abrir a mente e focar nos aromas e sabores. Enquanto um café extremamente escuro tende a apresentar gosto de queimado ou até mesmo de outras coisas desagradáveis como borracha, cafés não carbonizados apresentarão aromas mais agradáveis.

Grãos excessivamente torrados geralmente são assim para esconder seus defeitos. Com isso, também perdem as características que deveríamos sentir em um café de qualidade.

Cor não é tudo

Quando se falava de torra há um bom tempo atrás, o que se conhecia era apenas torra clara, média e escura. Hoje a gente ouve falar de perfil. Isso significa que um mestre de torra deve não somente pegar o café cru e esperar até que ele fique com a torra média, por exemplo. A partir de seu conhecimento e de muitos testes, ele vai ter que extrair o melhor daquele café.

Ao contrário do que a gente pensa, um torrador não é apenas uma máquina em que colocamos os grãos, ligamos e ele sai torrado. Cada equipamento vai disponibilizar algumas variáveis que ajudarão o mestre de torra em sua missão. Fluxo de ar, tempo e temperatura são algumas delas.

Isso tudo quer dizer que um tipo de café poderá ficar melhor se torrado mais claro e o outro mostrará suas qualidades se for torrado um pouco mais. Na verdade, tudo depende. Quem realmente dará o aval será o sensorial do mestre de torra, que deve ser muito bem treinado.

Não se prenda tanto à cor. Da próxima vez lembre-se que cafés de melhor qualidade possuem perfis de torra, mas que dificilmente passarão do segundo crack.

Crack, o que é isso?

Você já se perguntou por que a pipoca estoura? Basicamente é a expansão da umidade que faz o grão do milho explodir, se transformando em uma das maiores delícias!

Quando o café é colocado sob determinada temperatura acontece a mesma coisa. Ele não se transforma visivelmente tanto quanto o milho, mas a gente consegue ouvir um “crack”, como pipoca estourando. Essa primeira quebra é a liberação de gases e vapor que se formaram devido ao calor. A partir daí, o café começa a desenvolver suas características.

Se a gente deixar o café lá, torrando por muito tempo, ele vai chegar ao segundo crack. Porém, nessa quebra, haverá a liberação dos óleos do grão. Isso não é legal, porque os óleos que chegam a superfície oxidam, dando ao café aromas e sabores desagradáveis.

Tem um vídeo muito legal que mostra esse processo. Perceba que, quando os óleos são liberados, os grãos até soltam fagulhas por entrarem em contato com o calor.

 Mesmo café, diferentes perfis

Sim, isso é possível principalmente em duas situações. A primeira delas seria uma questão de objetivo do mestre de torra. Posso ter um mesmo café com uma torra que destaque mais as características de acidez, com notas de frutas e flores e  uma outra torra que destaque mais a doçura e que tenha notas como as de baunilha, manteiga, malte.

A outra situação é quando o perfil precisa de ajuste. O café é um fruto, que sofre mudanças com o passar do tempo. Pode ser que um café que acabou de chegar da fazenda não seja torrado exatamente da mesma maneira daqui a seis meses.

Aqui também vale lembrar que cada equipamento funciona de uma maneira. Quem vai torrar, pode até buscar diretrizes, mas nunca uma receita pronta. A ferramenta essencial desse processo é mesmo o sensorial, não tem jeito.

Torrar café com qualidade é algo muito complexo. São tanto detalhes que a gente nem imagina. Vocês faziam ideia de que era assim?

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Fotos: Depositphotos

Compartilhe com seus amigos: