Adega ou máquina de café?

Ao longo do ano passado passamos um bom tempo visitando prédios da cidadezinha catarinense na qual residimos, a procura de um apartamento.

Da mesma forma que preferíamos que os interessados no nosso imóvel fizessem a vista no 302 sem a nossa presença, preferíamos conhecer os apartamentos acompanhados somente pelos corretores. Era meio constrangedor para a gente, ficar adentrando a casa de desconhecidos na presença deles.

Em alguns casos não tinha jeito, o dono do imóvel fazia questão de ficar a nossa espera, para mostrar os pontos fortes do seu lar, como uma churrasqueira com grelha que subia e descia automaticamente, sendo que o último churrasco que o gaúcho aqui fez, foi lá por 2017.

Leia também:

Passamos por situações engraçadas como em três ocasiões em que os vendedores se mostravam muito empolgados em apresentar suas adegas, em posições destacadas na sala de estar e que ficariam no imóvel, assim como o ar condicionado e os móveis sob medida. Acontece que lá em casa, não consumimos bebidas alcoólicas, não temos o hábito. Nosso comentário era: “Nossa! Que legal! Que bonita!”. E não sabíamos nenhum outro predicado.

Até tive a boa intenção de dar uma estudada no assunto e descobri que pela primeira vez na história, em 2019, o brasileiro ultrapassou a barreira dos 2 litros de consumo de vinho por habitante ano (considerando somente os maiores de 18 anos), com 2,13 litros per capita. O ranking tem Portugal em primeiro lugar com 62 litros, seguido por França e Itália, com 50 e 44 litros, respectivamente.

Voltando a via sacra para escolher o apartamento, como nenhum deles tinha algum diferencial de peso para nossa decisão, como uma máquina de café interessante, acabamos optando por um apartamento totalmente vazio.

Só vamos saber se foi um bom negócio depois que terminarmos de mobília-lo. Daqui uns três anos eu lhes digo com foi.

Marcelo Lamas é cronista. Autor de Papo no cafezinho, livro em trabalho de parto, entre outros.

marcelolamamasbr@gmail.com

@marcelolamasbr

Foto: Pexels

A vida não é só café

Outro dia ofereci meus préstimos – ainda existe essa palavra? – a uma colega de trabalho que seria transferida para outra cidade: “Depois vou te passar uma lista de lugares legais para tu conheceres por lá. Vai te ajudar na adaptação”.

Ela respondeu: “Ah! Já sei, tu vais fazer uma lista de cafés, né?”. Claro que minha lista não seria só de cafés. Provavelmente ela disse isso baseada nos meus stories do Instagram. Foi uma forma que achei para “contabilizar” a quantidade de cafés/cafeterias que procuro, visito e/ou frequento.

Se fizermos um ranking lá no apartamento 302 – onde residimos três pessoas, a mais interessada na bebida é a adolescente que manda mensagem desde o quarto pedindo cafééééé pelo menos cinco vezes ao dia e a mãe dela, a estudiosa, responde todas às vezes com todos os efeitos dos exageros do café, incluindo os prejuízos ao sono se consumido da metade da tarde em diante. E a outra pessoa sou eu. 

Recentemente, encontrei uma colega de décadas passadas que me perguntou: “Tu ainda tomas aqueles baldes de café?”. Hoje meu consumo é razoavelmente moderado.

A mais recente prova do peso do café nas nossas vidas, foi minha participação em um concurso cultural em Santa Catarina, no qual meu projeto de livro foi contemplado. E qual o nome do livro? O mesmo desta coluna: “Papo no cafezinho”, que será uma coletânea de crônicas de não-ficção publicadas nesse espaço – e inéditas.

O livro não será vendido e sim distribuído nas escolas de ensino médio e bibliotecas de Jaraguá do Sul, onde resido. Vamos providenciar alguns exemplares para sorteio entre os leitores / seguidores de @umcafezinho.

A vida não é só café, mas ele está presente na minha rotina e a partir de 2020 também estará como um filho – com café no nome – acompanhando a minha biografia para sempre, algo que jamais imaginaria quando sugeri o nome de Papo no cafezinho para esta coluna, quando me inscrevi para ser voluntário a ocupar este espaço, lá em 2017.

Quando convidei a Fernanda Haddad, a idealizadora e editora do @umcafezinho para escrever o prefácio do livro, fiquei sabendo que fui o primeiro candidato que apareceu.

Sou muito grato pelo compartilhamento das vivências das pessoas que viraram personagens das crônicas que tiveram o café como estrela ou coadjuvante e que foram passadas adiante em alguma conversa acompanhada de @umcafezinho por aí.

Este é o nosso objetivo desde sempre: Verdade & Crônica & Papo & Cafezinho.

Obrigado pela companhia e que tenhamos todos boas histórias para contar em 2020 – regadas a bons cafés.

Leia também:


Marcelo Lamas autor de “Papo no cafezinho”, livro de crônicas a ser lançado em 2020, entre outros.

marcelolamasbr@gmail.com

@marcelolamasbr

Barista profissional

Estávamos em um final de semana cheio de compromissos e aqui perto de casa, em Blumenau, a Blum’s Kaffee, havia preparado um sábado repleto de atrações cafeínadas para comemorar seu primeiro aniversário.

Conseguimos reorganizar a agenda para pegar o finalzinho da festa: Um bate-papo com a Paula Varejão (Tá na hora do café – Canal Mais Globosat).

Chegamos, tomamos um suco – numa cafeteria da terra da cerveja (!) – e fomos pagar a conta. O bate-papo seria numa tenda externa e queríamos um lugar legal.

Depois de pagarmos, ganhamos 2 bilhetes para participar de um sorteio. Como havia duas urnas, a Ingrid colocou um ticket em cada uma delas.

Assistimos a palestra, tomamos os espressinhos que foram distribuídos, cantamos parabéns e ficamos um pouco mais para acompanhar o sorteio.

Quando disseram que uma urna era para os apreciadores de café e a outra para os “profissionais” do café, a Ingrid me olhou com os olhos castanhos arregalados. Não somos profissionais! E um de nós poderia ser sorteado. Até brinquei com ela, eu sou “meio” profissional do café, sou cronista do @umcafezinho.

No primeiro sorteio “não-profissional” alguém levou o prêmio. No segundo… ouvimos: “Ingrid é a vencedora!”. Lá foi ela fazer a foto oficial com a Varejão e receber as congratulações pelo prêmio (dois cursos de barista).

Por sorte, ninguém lembrou de perguntar: “Profissional de onde? Faz o quê?”.

Sempre achei o café dela excelente. É estudiosa, segue receitas a risca e tem alguns cursos da nossa bebida preferida no currículo. Depois da especialização que está por vir, ninguém sabe onde iremos parar. Voluntário e cobaia para experimentar os cafés, ela já tem.

Leia também

Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis”, entre outros.

marcelolamasbr@gmail.com
@marcelolamasbr