Metas

Estava no trânsito e começaram a chegar mensagens de um número desconhecido. Já em casa, ouvi os áudios:

“Oi Lamas. Aqui é o Guilherme. Peguei teu número com o pessoal”.

O sujeito era um novato na empresa e na cidade. Eu tinha trocado uma ideia com ele na apresentação corporativa e – como sempre faço – recomendado uns lugares para comer. Coisa de taurino. Nem conheço as pessoas e já vou sugerindo comilança.

Lembrei da minha história com outro colega que na minha chegada perguntou se eu gostava de bolos. Pensei que ia ter um convite para ir à casa dele, para conhecer a família e de quebra matar uma fome. Mas ele puxou um bilhetinho e fez um mapa de onde ficava uma famosa loja de cucas da cidadezinha. E ficou nisso. Achei estranho à época. Mas me aculturei e faço a mesma coisa hoje em dia.

Voltando aos áudios do rapaz:

“O pessoal me disse que era melhor falar contigo. Estou com uma dor no joelho. Os caras me disseram que tu já fizeste várias cirurgias e que poderias me ajudar”.

Me enganei. Ele não queria saber o endereço da cafeteria que recomendei.

Facilmente, respondi ao novato, com as melhores referências da cidade e dos arredores. Tinha todos os contatos na agenda e sabia quais atendiam pelo plano de saúde. Acho que os colegas que passaram o meu nome para o novato estavam certos. Melhor dizendo, “meio certos”. Nunca fiz cirurgia alguma, apenas frequentava os ortopedistas por causa das entorces do futebol. 

Naquela mesma semana minha irmã me telefonou solicitando orientações para amenizar dores na panturrilha. Preciso mudar essa fama. Aí está uma boa meta…

Aproveitando que estamos começando um novo ano, vou assumir um compromisso: passarei a convidar os novos colegas de trabalho para irem lá em casa tomar um café. Nem que o motivo seja conhecer a nossa nova chaleira ou o novo moedor de café. Para comprar este último fizemos um pequeno desvio de 60 km no roteiro de férias, para ir à loja de fábrica. Chegando lá custava bem mais caro que no site.

Um bom 2019 à todos. Teremos boas novidades por aqui. Não posso dizer que vou “tirar” um projeto do papel, porque há papel envolvido no meu principal projeto. Aguardemos. 

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Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis”, “Arrumadinhas” e “Mulheres casadas têm cheiro de pólvora”.
marcelolamasbr@gmail.com

Foto: Depositphotos

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Açúcar ou adoçante?

Na semana passada trabalhei em três estados diferentes: Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Na maior parte do tempo, dentro das usinas de açúcar.

Na maioria delas, aquele @umcafezinho corporativo já vem adoçado, com açúcar, logicamente – vide crônica publicada neste espaço sobre esta modalidade de café.

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Como treinei meu paladar para tomar o pretinho sem açúcar, faço um esforço e tomo o pretinho adocicado, quando não há opção.

Quando tenho duas opções: açúcar ou adoçante? Eu fico com a terceira: “Não precisa. Obrigado”.

Estando sozinho, passa batido. Mas se estou perto do Dr. Flávio, que é um engenheiro, professor, cientista e consultor – uma autoridade respeitada no setor sucroenergético – ele me repreende: “Rapaz, você tem que fazer como eu: colocar dois sachês de açúcar, para ajudar os usineiros”.

Ele fica rindo e eu fico vermelho. Porém, enquanto o professor completava a sua frase, eu tratava de secar a xícara: “Já era doutor, agora tomei sem açúcar”.

Nesta jornada recente, consegui achar uma cafeteria que ficava aberta à noite e que servia Illy. Fui até lá.

Fiz uma foto da xícara e coloquei no meu “story”. Um amigo comentou: “Tenho uma curiosidade. Quantas cafeterias e quantas xícaras de café você já conheceu e ingeriu?? #espanto”.

Fiquei sem resposta. Realmente não sei.

Porém, se eu fizesse a mesma pergunta ao Dr. Flávio – um senhor quase septuagenário – ele pegaria uma caneta e um guardanapo, faria umas contas e responderia em 15 segundos, inclusive com a quantidade de sachês de açúcar. Temos que respeitar esses caras mais velhos.

Cápsula de @umcafezinho – O que eles disseram…

“Dize-me com quem andas e te direi se vou contigo”. Barão de Itararé

 

Marcelo Lamas é cronista. Autor de Indesmentíveis.
@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Foto: Depositphotos

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Gisele

Há alguns meses comecei a programar minha participação na 64ª Feira do Livro de Porto Alegre. Em meados de junho, cheguei em casa avisando: “Olha, vamos ter somente um dia e meio na feira do livro, teremos que deixar a expedição cafezeira para outra ocasião”. Minha namorada respondeu: “Tudo bem, Marcelo, vamos aproveitar a feira”.

Tenho várias listas no bloco de notas, intituladas com nomes de cidades com um monte de lugares – principalmente cafeterias – a serem explorados oportunamente. A de Porto Alegre era grande. Mas nem fiquei sugerindo nada, já que eu mesmo tinha inventado a regra “foco na feira”.

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Na semana passada, dias antes de embarcar para o RS, fui olhar o que estaria acontecendo naquele final de semana, e tive que mudar o discurso, com a namorada: “Eu estava olhando o que fazer lá em Porto Alegre, durante a feira…”. Ela emendou: “Marcelo, não íamos só na feira?”.

Não toquei mais no assunto. Aos poucos fui revelando o novo plano. Chegamos em POA e fomos de mala e cuia (literalmente) direto ao Quiero Café, uma cafeteria que também serve almoço, incluindo uma deliciosa “A la minuta”, prato tradicional do sul do mundo, cujo sabor estava a altura da imagem do cardápio. E o cafezinho espresso – para acompanhar – era cortesia.

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Dali fomos direto para a exposição “Museu do futebol na área”, uma amostra itinerante. Para minha sorte, a guria parecia mais interessada do que eu. O numero de fotos que ela fez me convenceu disso.

Depois, cumprimos o roteiro inicial, de banca em banca, fuçando no que nos interessava e vez por outra, colocando mais um volume na mochila. Visitamos uma exposição incrível em homenagem ao Fernando Pessoa, assistimos uma palestra cuja escritora, não parecia a mesma pessoa da foto de divulgação – a gente também envelhece e não percebe. No meio da feira havia um carrinho de pipoca que também servia café moído na hora.

Confira aqui:

No dia seguinte, antes de voltar pra casa, passamos em um shopping em busca de @umcafezinho. Escolhemos o que tinha também uma livraria que nos interessava. Percebemos que a segurança estava reforçada. Havia uma fila enorme de pessoas com livros para autografar. Procurei ver de quem seria a obra. Era o livro da Gisele. Não sei quantas “giseles” você conhece, lá no RS só tem uma. Ela não precisa de sobrenome. Se quiser confirmar, olhe lá no @gisele.

 

Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis”.
@marcelolamas
marcelolamas@gmail.com

Foto: Depositphotos

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