Cidade fantasma

Estava em férias e voltei para a pequena/média cidade do interior onde vivo, pois precisava resolver uns problemas burocráticos. Fui ao cartório e a Jéssica – sim, aqui as pessoas se conhecem pelos nomes – já avisou que eu teria problemas para conseguir pagar uma taxa da prefeitura.

E foi o que aconteceu. A pessoa responsável pelos tributos estava em férias. Vou ter que esperar ela voltar. Também tentei fazer uma doação de sangue e advinhe? Hemocentro com as luzes apagadas. Fiquei bem chateado com isso. Aliás, a cidade toda estava assim, com plaquinhas de FECHADO, penduradas nas portas. As empresas encerram as atividades antes do Natal e só abrem no meio de janeiro. Como há várias praias num raio de 80 km, parece que boa parte da população migra pra lá. Só tinha uma barbearia funcionando e tive que esperar um bom tempo na fila para cortar o cabelo.

Com tudo isso, só não pensei em enforcamento – alternativa comum nos arredores – porque a melhor cafeteria da cidade só fez uma pausa entre as datas festivas, coincidentemente enquanto eu não estava.

Aqui, o condado é naturalmente protegido por morros e rios, o que impede as ações criminosas, além de ter uma polícia bem equipada pelo empresariado. Tudo isso rendeu o título oficial de cidade mais segura do país.

Certa vez, solicitei à prefeitura que desligasse os semáforos (e as máquinas de multa) na madrugada, para não ficar parado como “presa” debaixo do sinal vermelho. A resposta foi que não havia ocorrências desse tipo nesta latitude. Para essa negativa do poder público não fiquei estressado.

Parafraseando Mario Quintana (1906-1994): “Uma boa frase acaba com qualquer desentendimento”.

Que tenhamos bons cafezinhos em 2018!

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Marcelo Lamas é cronista. Reside em Jaraguá do Sul (170 mil habitantes), no norte de Santa Catarina, estado no qual metade dos municípios não tiveram mortes violentas em 2017.
@marcelolamasbr
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Foto: depositphotos

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