Um dia de barista

Quando eu era de Marketing e Comunicação, achava um pouco complicado explicar para algumas pessoas o que eu fazia e a importância daquilo tudo para a empresa. Então, comecei a trabalhar com mídias sociais. Aí piorou… Tinha gente que achava que eu ficava o dia todo no Facebook aleatoriamente. Naquela época, que não é tão distante assim, eu mal podia imaginar que mudaria para uma profissão mais incompreendida ainda e mais desvalorizada. Afinal, o que faz um barista? Como é o dia de barista? 

No primeiro curso que fiz, já descobri um mundo totalmente novo e encantador. Ali mesmo eu percebi o longo caminho que eu teria que percorrer se eu realmente quisesse mudar de vida. Hoje, atuando na área, eu tenho a certeza de que, para ser um ótimo barista, é necessário muita dedicação e estudo constante.

Um dia algo muito curioso, digamos, aconteceu… Recebemos um cliente para passar o sábado com a gente na operação. Ele pode sentir na pele como é o dia-a-dia de um desses profissionais do café. Foi muito legal e ele se saiu super bem!

O nome dele é Fábio e ele vai contar agora um pouquinho de como foi essa experiência:

Como é o dia de barista

“Antes de chegar aos detalhes da minha experiência e do meu dia de barista, acho interessante fazer uma pequena introdução. Eu me chamo Fábio. Assim como a Cinthia, antes de passar pelo dia de barista, eu nunca tive nenhum contato com o atendimento em restaurantes e afins. Sou advogado, então toda a minha experiência profissional foi vivida em uma realidade totalmente diferente.

Fábio com o avental e a bandana no dia de barista na cafeteria.

Assim que cheguei ao café, me deram um espaço no armário, um avental oficial da cafeteria. Coloquei a minha bandana na cabeça e aí o coração começou a acelerar. Deu aquele nervoso na barriga… Exatamente o mesmo de quando se mudava de escola, de emprego ou de quando se vai apresentar algo em público, sabe?

Para a minha sorte, antes mesmo da abertura das portas, a primeira tarefa foi regular o espresso. Assim que as baristas me ensinaram o procedimento, extraíram a primeira dose de café e explicaram quais as características sensoriais eu tinha que sentir. Notei logo de cara que era uma atividade que eu conseguia me relacionar bem. Eu já tinha passado por isso em cursos, conversas e testes em casa. Essa familiaridade fez com que o nervosismo fosse embora quase por completo.

Com o espresso regulado, as portas se abriram e, aos poucos, os primeiros clientes foram chegando. Bem no início, me pediram para preparar o “café da casa”, que é um café coado preparado em um Hario V60, com um dos grãos torrados pela própria cafeteria. Ou seja, totalmente na minha zona de conforto!

Acontece que a zona de conforto não durou muito tempo. Logo, mais mesas foram ocupadas e eu já estava auxiliando com preparo de bebidas frias, separação de ingredientes e utensílios, lavagem de louças… E como lavei louça!

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O dia seguiu dessa forma, correria em todo momento e quase sem nenhum tempo para descanso ou conversas. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que você fica totalmente focado nas suas responsabilidades, técnicas e limpeza. O tempo voa!

Só depois do expediente encerrado e de toda a arrumação é que consegui começar a digerir tudo que foi feito. Demora até para cair a ficha do cansaço, de tanto que fiquei estimulado pela rotina verdadeiramente dinâmica. Em retrospectiva, consigo notar que o conjunto de habilidades do barista está muito além do preparo e conhecimento do café.

No dia-a-dia você tem várias outras responsabilidades e interações. Notei que o entrosamento e confiança no resto do time são absolutamente necessários, assim como a atenção e o traquejo social no atendimento ao cliente.

Foi no meio dessa loucura toda que conheci um pequeno pedaço da rotina de um barista. Se tivesse que resumir, diria que foi a mesma sensação de quando tomei meu primeiro espresso com cafés especiais. Foi como tomar a pílula vermelha retratada no filme Matrix”.

Gostou de saber como é o dia de barista profissional? Deixe seu comentário.

 

Cinthia Bracco é filha e neta de boleira e salgadeira. Atuou por 9 anos nas áreas de Marketing e Comunicação, mas não conseguiu fugir de seu destino. Assim como a mãe e a avó ingressou na área de gastronomia depois de ter se apaixonado pelo café. Em Novembro de 2016 tornou-se barista profissional e hoje está trabalhando em um dos maiores projetos de sua vida: ter a própria cafeteria. É vegana, adora comer, tem um Bull Terrier chamado Tofu e é fã de ficção científica, especialmente Battlestar Galáctica.

Fotos: Cinthia Bracco

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