Gordinhos assumidos

Desde o final do ano passado resolvi mudar minha qualidade de vida. Embora soubesse que a base seria uma boa alimentação aliada aos exercícios frequentes, fui em busca de orientação profissional.

Na primeira consulta com a coach, perguntou se eu tinha ido a pé: “Não!”, respondi. E pela cara que ela fez entendi o recado. Depois perguntou o que eu poderia fazer no dia seguinte, ou seja, não era para esperar a segunda-feira. Pensei: “Amanhã? Já? Não dá pra fazer nada!”. Ela ficou me olhando nos olhos, com aquele sorriso permanente dos coachs. Eu não podia deixa-la sem resposta: “Posso fazer exercícios e cortar as bolachas”.

Contei minha história de amor com elas e a orientadora já me aconselhou a me livrar das bolachas e não(!) comer tudo primeiro e começar a dieta depois. Levei todo o meu estoque para o pessoal do trabalho. Quando alguém reclamava de fome, eu entregava um pacote de bolachas. Por alguns dias, fui considerado a melhor pessoa do mundo.

Atualmente participo de um grupo com encontros semanais cujas camisas têm a estampa: “Emagrecimento Saudável”. Particularmente não gostei do nome, mas deve ter algum efeito subliminar. Parece-me sinônimo de “Gordinhos Assumidos” (GA). Mas o que importa é que o projeto tem sido muito importante como aprendizado, reeducação e principalmente com o convívio e compartilhamento de experiências.

Com as restrições sugeridas – porque ninguém é obrigado – pude perceber a quantidade de pessoas / páginas gastronômicas que sigo. Não passo fome cumprindo o plano alimentar, mas passo muita vontade vendo aquele monte de comida na timeline. Vou ter que deixar de seguir algumas dessas gordices.

No último encontro do “GA”, nossa nutricionista – que já foi apelidada de Barbie – recomendou o desafio de cortar totalmente o açúcar. Alguns colegas indagaram: “Mas até no café?”. E a resposta foi “Sim! Até no café!”. Por sorte, o cronista aqui já tinha adotado esse hábito seguindo broncas familiares e dicas de baristas.

O difícil foi cortar os docinhos que acompanhavam os cafezinhos, sempre na proporção de um para um.

PS: Na véspera da Páscoa, nossa coach enviou para o grupo uma sugestão de ovo trufado, daqueles para comer de colher: Era a foto de um mamão papaia, cortado ao meio e cheio de linhaça e aveia por cima. Providenciei um igualzinho e o comi pensando em um Kit-Kat.

Leia também:

 

Marcelo Lamas é cronista e relata o cotidiano desde 1994. Autor de “Indesmentíveis”, “Arrumadinhas” e “Mulheres Casadas têm Cheiro de Pólvora”. Em 2015 descobriu que é hipertenso e recebeu ordem médica: “Não deixa teu peso subir”.
@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Foto: Pixabay

Compartilhe com seus amigos:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *