Café 1 – Menos é mais? Uma reflexão sobre minimalismo

Menos é mais? Minimalismo pode até parecer (ser) modinha, mas vejo mais como o único caminho para não surtar nesse mundo louco e viciado em insatisfação. Esse mesmo, onde eu e você vivemos. No último fim de semana, tive o prazer de assistir ao documentário “Minimalismo: um documentário sobre as coisas que importam” no Netflix. Um alento.

Foto: Reprodução

O filme traz a história de dois amigos Joshua e Ryan, já conhecidos por espalhar os conceitos e práticas do minimalismo por aí. Eles são os autores do site The Minimalists e vivem o que escrevem. O documentário conta com outros relatos, tanto de especialistas como de outros personagens praticantes do minimalismo, com o objetivo de tentar nos fazer enxergar o que é que nós nos tornamos.

Minimalismo, no dicionário*, significa predisposição para redução e simplificação dos elementos que compõem um todo. Nos tornamos o oposto disso. Somos viciados em novidades e excessos. Vivemos imersos na ilusão criada pelas redes sociais. As campanhas publicitárias estão cada vez mais agressivas, inclusive para o público infantil. As revistas fazem questão de nos colocar como fora de moda, fazendo com que a gente se sinta sempre inadequado. Sem-pre. É uma busca sem fim e, muitas vezes, a gente nem se dá conta. E sofre.

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Hoje em dia, a moda, por exemplo, trabalha não pensando nas 4 estações do ano e sim em 52 coleções para produzir uma necessidade desnecessária, que está deixando o mundo doente. Se você nunca parou para pensar nisso, recomendo também que veja The True Cost, outro documentário interessante sobre o impacto social, econômico e ambiental do voraz fast fashion no mundo todo – também tem no Netflix.

O que me conforta é saber que temos alternativa, mas precisamos estar atentos porque é uma armadilha, sim. E não falo de radicalismos, gente! Não precisa quebrar o iPhone, viver com duas trocas de roupa de segunda a sexta e mais uma um pouco mais arrumadinha para sair no final de semana. Não é nada disso.

Também não acho que seja condenável usar maquiagens da M.A.C nem bolsas Chanel, ou seja lá o produto ou marca que você preferir, se você tem condições para isso. A questão é o erro de achar que dentro de uma bolsa caríssima tenha um “certificado de felicidade”. Pior ainda: quando a solução para ter a bolsa da moda é pagar o mínimo do cartão de crédito esse mês e ver se dá para parcelar a parte que a sua poupança de anos não conseguir completar, tem algo errado.

O grande problema não é o dinheiro nem ter muito dinheiro. Talvez seja o excesso de tudo o que achamos que precisamos e a forma como lidamos com o dinheiro. Ou ainda: o grande problema talvez seja o preço que estamos dispostos a pagar quando nosso principal objetivo na vida é ganhar cada vez mais dinheiro – e poder – para ter mais coisas. O preço é alto e requer tempo, inclusive aquele que dedicamos aos nossos amigos e familiares. É uma conta que não fecha. Não tem como dar certo lá na frente, já que o preço que pagamos pela busca da “felicidade” causa esse desequilíbrio, que parece satisfazer, mas colabora com a insatisfação no médio e longo prazo.

“Bem no fundo, nós realmente não queremos mais coisas, mais brinquedos, mais carros. Queremos o que eles trarão para nós. Queremos nos sentir completos. Queremos nos sentir satisfeitos” – Rick Hanson, neuropsicólogo (Ph.D)

O que eu quero mesmo é conseguir enxergar o caminho do meio. E tenho certeza de que preciso de muito menos para isso. E você? Você acha que menos é mais? Conte sua opinião nos comentários.

 

*Definição encontrada no dicionário Michaelis.

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Café número um

Estou escrevendo da sala da minha casa em São Paulo. Dia 8 de maio de 2017, às 16h03.

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Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

Foto de destaque: Pixabay

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