Passagem só de ida e muito café durante 5 meses

Não tinha prazo definido. Tinha só uma vontade de viver um dia de cada vez, sair do automático, estar no presente. Foi por isso que resolvi comprar passagem só de ida para a Itália e viver na Europa. A ideia era morar em Milão. Eu gosto do ambiente urbano, a locomoção dali para outros lugares era mais fácil, na minha visão. A facilidade com o idioma e a cultura do café ajudaram muito na escolha também.

Eu já tinha morado numa pequena cidade na Itália para fazer o meu processo de cidadania italiana. Nessa época, eu já tinha começado a trabalhar por conta própria. Era só colocar o computador na mala e ficar atenta ao fuso e aos prazos dos clientes.

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Com o passaporte europeu em mãos, voltei para o Brasil para mais 8 meses até chegar a hora de comprar passagem só de ida e viver assim literalmente – só comprando passagens de ida mesmo – por 5 meses para vários lugares, entre Itália, França e Suíça. Eu nunca sabia o dia de ir embora. Achava uma promoção ou uma oportunidade e ia. Vivi intensamente um dos períodos mais especiais da minha vida, com muitos cafés. Muitos mesmo.

Como consegui comprar passagem só de ida durante 5 meses?

Essa coisa de comprar passagem só de ida parece fácil e até coisa de filme, mas não é bem assim, especialmente quando você ouve as seguintes frases de TODOS os lados:

Ah, mas tendo dinheiro é fácil. Só tendo muito dinheiro para sair trabalhando e viajando assim.  

Claro que é preciso ter o mínimo de planejamento financeiro, mas você está enganado se pensa que precisa ser rico para realizar. No meu caso, o planejamento foi longo. Tudo começou para ir para Itália com passagem de ida e volta para fazer a cidadania. Fiquei lá por 3 meses na casa de uns primos, que me ajudaram muito (se você já tentou fixar residência na Itália para começar o processo, sabe do que eu estou falando).

Para isso, saí do apartamento onde morava com uma amiga e vendi tudo o que eu tinha lá. Só fiquei com as roupas e um saca-rolhas que eu adoro. Desapego total! Fui para a casa dos meus pais, comecei a guardar o dinheiro que antes ia para o aluguel e, passado um tempo, pedi demissão do emprego que já não me fazia feliz – importante reforçar que fiquei nele até conseguir cumprir o mínimo da meta financeira.

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Ainda lá na Itália – já considerando esse retorno sem prazo que durou 5 meses -, fiz economia e voltei para o Brasil com dinheiro. Aí, foram mais 8 meses no Brasil, sem saber se eu ia ou não me jogar nessa aventura. Detalhe: tinha deixado minhas roupas de inverno todas na Europa. Inevitavelmente, eu precisaria voltar pra buscar (ou pra ficar) em algum momento.

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Qual o melhor moedor de café para ter em casa?

Qual o melhor moedor de café para usar em casa? Essa é a dúvida do Fabiano Rampazzo, que enviou uma mensagem pelo Instagram pedindo uma ajudinha antes de comprar o seu.

Moer o café antes do preparo faz muita diferença no resultado da bebida e proporciona uma experiência completamente diferente quando se trata de qualidade de aromas e sabores. Se você não acredita, te convido a fazer o teste. Aí, você me pode me dizer: “ah! Não tenho moedor de café e é muito caro”.

Olha, existem boas opções a preços acessíveis. Para se ter uma ideia, a partir de R$ 60 você consegue comprar um produto legal e arrisco dizer que talvez nunca mais consiga tomar café de outra forma.

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Vamos fazer um comparativo de alguns produtos disponíveis no mercado para te ajudar a escolher a opção de melhor custo-benefício para o seu uso:

Compare e descubra qual o melhor moedor de café para ter em casa

Quando se trata de tipos de moedores, temos o moedor manual, que exige mais paciência e disposição, e o moedor elétrico, que ganha pela praticidade, mas deixa escapar um pouco das características sensoriais do café, já que produz mais calor durante o processo. Confira 5 opções:

1 . Moedor de café manual em inox e cerâmica 

Essa é uma opção de moedor de café manual interessante para os iniciantes, para os que não querem investir muito logo de cara e para viajantes também porque é portátil e não precisa de energia elétrica.

Ele é de aço inoxidável e o uso é simples: basta colocar o café, ajustar a lâmina de acordo com a granulometria desejada, fechar e girar  a manivela. Se você gosta de curtir o ritual do café e fazer isso manualmente não é um problema, vá em frente.  | Clique aqui para comprar

2 . Moedor de Café di Grano, Cadence MDR302-127, Marrom

A segunda opção também é compacta, portátil e tem um bom custo-benefício para iniciantes. Esse produto moí 50 gramas de café por vez e atende bem a quem vai usar em casa ou mesmo levar pra viajar.

A diferença com relação ao primeiro é que ele é elétrico e, por isso, mais prático para usar todos os dias. | Clique aqui para comprar

3 . Moedor de Café Manual Hario Slim

Aqui, temos uma alternativa de moedor de café manual para quem pode pode pagar um pouco mais, mas nem tanto. É portátil e dispensa o uso de energia.

Se você gosta de café, é possível que já tenha ouvido falar da qualidade dos produtos Hario. O ponto forte aqui são os níveis de moagem, que podem ser comparados aos elétricos de alto custo. | Clique aqui para comprar

4 . Moedor de Café 220V, Bialetti

Esse já é um moedor de café elétrico também para quem está disposto a pagar um pouco mais, mas nem tanto assim. A Bialetti é uma marca italiana, que leva o nome do inventor da cafeteira mais popular lá na Itália, a moka.

Ele é portátil, de aço inoxidável, pintura eletrostática e comporta até 50g de café por vez. Aqui paga-se um pouco mais pelo design e pela marca. | Clique aqui para comprar

5 . Moedor Express 127V, Tramontina

Esse aqui é um sonho para ter em casa e exige um investimento maior, mas não é impossível. É um moedor elétrico em aço inox escovado, com funil de 450 gramas para grãos, tela em LCD para exibir o número de doses ou xícaras, possibilidade de configuração do tipo e do tempo de moagem, além de ter o moedor com brocas cônicas.

São 60 configurações de moagem e um limitador de dosagem que ajuda a precisar a quantidade de café na hora do preparo da bebida. | Clique aqui para comprar

Agora já dá para saber qual o melhor moedor de café para você, certo? Avalie considerando o que cada um oferece frente à sua necessidade hoje. O que achou das recomendações? Você usa algum desses em casa? Compartilhe sua experiência aqui.

Se você tem alguma dúvida ou sugestão, faça como o Fabiano e escreva pra cá. Quem sabe sua questão não rende um post aqui também e ajuda mais pessoas? 

Foto de destaque: Depositphotos

Fake news

Nem tinha eu nascido direito e já tinha um primeiro causo para contar. Diz a lenda que minha mãe foi para a maternidade no carro da funerária, o único por perto e à disposição. Ou seja, a coisa já começou invertida, o que costuma ser o último veículo de todo mundo, aquele que não importa a marca, a cor, o ano ou o modelo, foi praticamente o meu primeiro.

Adiante, houve uma época da minha infância em que uma das minhas funções era ler a seção de necrologia do jornal para minha avó Alice. Uma vez por semana, eu pegava a organizadíssima agenda telefônica dela e pescava lá dentro o nome completo de uma de suas amigas. Depois, era só abrir o jornal e substituir o nome na notícia.

A vovozinha reagia rápido – e alto: “Morreu a Duduca”. Embora eu tivesse dito “Olga Caruccio”, ninguém daquela geração era chamado pelo nome de batismo. Depois ela começava a rir, pois não tinha como um guri de 12 anos enganar uma comerciante de 72. Até porque ela sabia de cabeça a idade das “migas” e nunca fechava com o que eu lia. E caso uma delas morresse a notícia chegava antes do impresso. Mas toda semana eu tentava aplicar o golpe.

Recentemente mudei de endereço e fui morar ao lado do cemitério. Toda vez que passo na calçada, não resisto a tentação de ler o painel de LED que mostra o nome dos(as) falecidos(as). E lembro do bom humor da minha avó numa longínqua manhã de quinta-feira (#tbt) em que levantei os dados completos da Tusnelda, digo, da dona “Zilda Doceira” e marquei um pontinho na batalha das fake news com a vovozinha.

Já deixei muito bem registrado no meu testamento – crônicas têm valor legal – que não quero saber de velório. Até já falei que era para não ter ninguém desmentindo minhas histórias, mas na verdade, não quero que saiam de lá reclamando do café, ou dizendo que estava frio. Até hoje, nunca vi alguém sair desses lugares elogiando alguma coisa, a não ser alguma prima que era uma criança desajeitada e que virou um mulherão. Ou o moleque espinhento que ninguém dava bola e que agora as mina pira no rapazote.

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CÁPSULA DE UM CAFEZINHO – O que eles disseram…

O velório é um defunto cercado de piadas por todos os lados”.

Max Nunes

 

Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis”, entre outros. O seu bisavô português Manoel Martins, tinha uma fita preta que costumava ser usada para comunicar falecimentos para a vizinhança. Vez por outra, ele escolhia um amigo e colocava a fita na frente da casa do sujeito, sem motivo, só pra ver a confusão.
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