Café descafeinado: como são os processos?

O café descafeinado é uma ótima saída para matar a vontade de mais uma xícara tarde da noite. Mas você já parou para pensar como são os processos utilizados para realizar esse feito? 

A cafeína é a responsável por nos dar aquela energia extra, mas, em excesso, pode causar ansiedade, insônia, tremores musculares e taquicardia.

Para quem deseja diminuir o consumo de cafeína durante o dia (ou durante a noite), sem abrir mão do seu cafezinho, pode recorrer ao café descafeinado.

Continue a leitura e você vai conhecer como são os processos para tirar a cafeína dos grãos e saber também sobre sua eficácia e segurança.

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A história do café descafeinado

O café descafeinado surgiu por acidente. Foi em 1903, quando uma carga de café foi inundada pela água do mar, fazendo com que a cafeína dos grãos fosse liberada em um processo de dissolução química.

O alemão Ludwig Roselius, chefe da empresa Kaffee HAG, iniciou, então, um estudo para reproduzir o processo através de um método industrial.

Roselius cozinhou os grãos com vários ácidos até usar o solvente de benzeno e atingir seu objetivo.

Algum tempo depois, descobriu-se que o benzeno era um possível agente cancerígeno e novos processos precisaram ser desenvolvidos e implementados.

Foto Jeffrey Wegrzyn/ Unsplash

Processos atuais para o café descafeinado

Hoje em dia, pode-se dizer que existem vários processos para se chegar ao café descafeinado. E eles são absolutamente saudáveis e seguros…

Confira a seguir 4 processos:

1 . Solventes

Como em todos os métodos, aqui a cafeína é retirada dos grãos verdes, ou seja, antes da torra.

O café é embebido de água e depois fica de molho em um solvente, que pode ser o cloreto de metileno ou o acetado de etila. Essas substâncias se ligam às moléculas de cafeínas extraindo-as dos grãos.

Como o solvente nunca é completamente removido do café, seu sabor sofre uma pequena alteração, mas isso não compromete a segurança da bebida.

Os solventes utilizados são aprovados pela FDA (The Food and Drug Administration), a agência federal americana que regula remédios e alimentos.

Foto: The Lazy Artist GalleryPexels

2 . Método suíço

O segundo é o método suíco, que foi criado na década de 30 e foi o primeiro a não utilizar solventes. 

Os grãos ficam de molho em água, fazendo com que a cafeína se dilua e as moléculas de sabor boiem. 

A solução, então, passa por um filtro de carvão ativado que retém só a cafeína.

Em seguida, a água é devolvida aos grãos, que reabsorvem as moléculas de sabor.

Foto: Karolina Grabowska / Pexels

3 . Solução saturada

A solução saturada para o processo no café descafeinado é uma adaptação do método suíço.

Basicamente, os grãos são mergulhados em água quente cheia das substâncias químicas do café, menos a cafeína.

Como a solução está saturada com os mesmos compostos dos grãos, as moléculas de sabor não são absorvidas pela água, só a cafeína. Dessa forma, ela é dissolvida e, depois, descartada.

Foto cottonbro / Pexels

4 . Dióxido de carbono

O quarto método é o de Dioxido de carbono. Funciona assim: os grãos são embebidos e amolecidos em água.

Aí, eles são colocados em uma caldeira de alta pressão para a injeção de gás carbônico. O gás se liga às moléculas de cafeína, extraindo-as dos grãos.

O gás, enfim, é retirado e a pressão é reduzida. Depois disso, a cafeína é armazenada em uma câmara separada.

Como as moléculas com o sabor do café são maiores, elas são preservadas. A desvantagem desse processo, porém, é o seu alto custo.

Foto: Elle Hughes / Pexels

O café descafeínado é completamente livre de cafeína?

Mesmo com todos esses métodos para retirar a cafeína do café, é fato que nenhum deles consegue tornar a bebida completamente descafeinada.

Um café descafeinado tem cerca de 97% menos cafeína do que uma xícara comum. Ou seja, QUASEEEE…

Agora você já sabe como é feito o café descafeinado e conhece os vários processos existentes para isso. Se esse conteúdo foi útil para você, compartilhe. Talvez ele seja útil também para aquele seu amigo que ama tomar um cafezinho antes de dormir.

Marcia Kamijo é jornalista, feminista, amante de bons cafés, cinema, TV e cachorros.

Foto de Destaque: Coffee with Joshua / Unsplash

O (anti) isolamento social e o café

O meu pai, o seu Paulo, é uma pessoa extremamente social. Foi jogador de futebol e nunca deixou o hábito de andar uniformizado. Por conta disso, sempre tem alguém que puxa conversa com ele, para saber como anda o time.

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Ele tem uma considerável coleção de trajes no armário. Sempre brinco que minha mãe tem uma grande “vantagem” em relação as amigas da mesma geração: não precisar passar roupas!

As demais senhoras sexagenárias vivem passando camisas e calças sociais dos maridos, isso sem falar, no tempo de secagem, que é bem mais demorado.

Outro dia, ela rebateu meu comentário, dizendo que nunca falo da desvantagem, pois, tanto o meu pai, quanto as etiquetas dos fabricantes de roupas esportivas e os colecionadores de camisetas de futebol – que são muito mais do que se imagina – recomendam a lavagem à mão: “Não se lava camiseta de futebol na máquina!”, diz ele.

O isolamento social vem caindo assustadoramente. Eles medem através dos sinais dos celulares. Todos os dias, o seu Paulo pega a bicicleta e atravessa a cidade para fazer seu exercício diário.

Segundo ele, vai e volta sem falar com ninguém. Ontem perguntei como estava o movimento no Café Aquários, ponto tradicional no interior do RS, que costuma ter muitos idosos da idade dele: “Não sei! Não vou para aqueles lados. Se passar lá, alguém vai me parar para conversar.”.

Meu pai sempre teve (tinha) o hábito de visitar os parentes nos finais de semana. Às vezes a visita demorava e noutras era rapidinha.

Um dia descobri que naquelas casas que serviam café solúvel, ele não ficava o tempo suficiente para oferecerem alguma bebida, só cumpria a tabela pra não ficar mal falado na família e voltava pra tomar o seu café passado em casa.

O seu Paulo costuma fazer listinha para tudo, mas aquela das casas onde se tomam café solúvel ele tem na memória.

Marcelo Lamas é cronista. Autor de Papo no Cafezinho, leia gratuitamente AQUI. marcelolamasbr@gmail.com | @marcelolamasbr 

Foto Jeff Sheldon on Unsplash

50 cafezinhos

Este é o nosso Papo no Cafezinho número 50. Até aqui foram muitas conversas acerca da nossa bebida preferida, a do dia-a-dia, aquela você pode desgustar nos momentos de prazer, de relaxamento ou até mesmo para ajudar no trabalho – pra combater aquele sono das 14h, no meu caso.

Quando assumi o compromisso para escrever crônicas nesse espaço, com a Fernanda Haddad, a nossa editora, fiz uma lista particular de histórias vivenciadas acerca do café, vendo ali uma garantia de que não me faltaria assunto por algum tempo.

Acontece que nesses 3 anos(!) de parceria com o @umcafezinho não precisei lançar mão do meu acervo. Sabe por quê? A explicação está lá na primeira coluna publicada. Encontrei enquanto relia todas as crônicas, neste período de isolamento social. Lá eu disse que falaria do quotidiano.

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E é justamente o dia-a-dia que completa todos os caracteres necessários para contar um causo, como se diz aqui no sul: Foi olhando para a mesa da cafeteria de uma livraria, que avistei pela primeira vez a morena de óculos que viria a constituir uma família comigo, depois de uma conversa fiada, ela – a Ingrid – pediu mais um café. Pensei: “Estamos indo bem!”.

Só depois fui descobrir que ela era viciada em café. Pedir mais uma bebida era só uma necessidade dela. Nada tinha a ver com o meu papo furado, e naquela época eu nem tinha um currículo com 50 papos no cafezinho.

Acho que essa pequena história, ainda não tinha contado por aqui. Só escrevo porque tenho convicção de que em algum lugar essa história vai bater, vai arrancar algum sorriso, trazer alguma reflexão, motivar alguém a replicar o acontecido puxando conversa com outrem.

Agradeço a Fernanda pela oportunidade de compartilhamento, a Ingrid que sugeriu que eu me inscrevesse a vaga no site e aos leitores pela companhia em algum desses nossos 50 cafezinhos. Um café é bom. Mas um café acompanhado é bem mais gostoso.

Marcelo Lamas é cronista. Autor de Papo no cafezinho, livro a ser lançado, entre outros.
@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Photo by Nathan Dumlao on Unsplash