Crema do café espresso: o que é, para que serve e como avaliar?

Hoje eu vou falar sobre a crema do café espresso. Uma das coisas mais emocionantes para um barista é fazer a extração de um espresso em xícara de vidro e observar cada detalhe daquela maravilha. Pode até parecer exagero, mas admito que mesmo em meu mau humor matinal, quando pego um espresso bem tirado,  eu consigo esboçar um sorriso e ainda dizer: “Gente, olha essa crema!”.

Todo mundo fica feliz com um bom café, mas você deve estar se perguntando o que essa tal de crema tem a ver com tudo isso. Lendo esse texto você vai perceber o quanto ela é importante e, ainda, arrisco a dizer que você nunca mais olhará para o seu espresso com os mesmos olhos.

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O que é exatamente a crema do café espresso?

Crema do café espresso: duas xícaras de vidro com crema na máquinaA palavra crema vem do italiano e nós a traduzimos para o português como creme. De forma simples e direta, ela seria aquela espuminha que fica na parte de cima do espresso. Porém, como nada é tão fácil assim quando falamos sobre café, podemos dizer que crema é o resultado de uma alquimia entre quatro elementos: café, água, pressão e temperatura. É a emulsão de microscópicas gotículas de água e óleo, de textura densa, com coloração de avelã.

Para que serve a crema?

Além de dar indícios de qualidade sobre o café, a crema tem como função preservar os aromas do espresso até que ele seja bebido. Por isso, quando você diz que não quer açúcar e mesmo assim o barista deixa uma colherzinha, ele apenas quer que você misture o café. Sim, isso mesmo! Dessa forma, o aroma e óleos essências vão se misturar e você vai sentir todas as características da bebida.

Como avaliar a crema do café espresso?

Crema ideal. Foto: Cinthia Bracco

A crema deve ter uma coloração que lembra avelã, quase que dourada. Além disso, deve ter uma certa espessura e não se desmanchar (ou “quebrar”, como nós falamos). Você vai notar que mesmo misturando com a colher, ela vai se refazer.

Se for muito escura, é sinal de um espresso super-extraído. Isso significa que a extração levou mais tempo que o necessário devido a alguma variável. Pode ser o excesso de pó de café no porta-filtro, por exemplo. Xícaras ou máquina muito aquecidas também podem “queimar” a crema, dando a ela esse aspecto mais escuro e sabor amargo.

Crema fina. Foto: Cinthia Bracco

O contrário também acontece: a sub-extração. Quando isso ocorre, a gente vai notar uma crema fina, que se desmancha rapidamente. Muito provavelmente esse espresso terá pouco corpo e sabor.

Bom, agora você já sabe qual é a primeira coisa a ser observada em sua xícara de espresso. Faça uma experiência visual e sensorial em diferentes lugares. Lembre-se também de questionar o barista. Alguns de nós adoramos falar sobre café e passar nosso conhecimento.

 

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: Pixabay

Eurobike Café traz nova experiência cafeinada para SP

Como você gosta do seu café? Ao começar o seu pedido, essa é a primeira pergunta que você vai ouvir na Eurobike Café. A proposta da nova cafeteria de São Paulo é proporcionar uma experiência única para quem ama cafés especiais. “Partimos do princípio que o cliente não entende sobre grãos e pode experimentar a bebida que ele gosta de uma forma diferente”, explica Flavia Fabbi, idealizadora e sócia da Eurobike Café.

O que você vai encontrar na Eurobike Café

Espaço interno da Eurobike Café, sofás de couro marrom, mesa grande com banquetas ao centro e balcão ao fundo.O espaço é super moderno, aconchegante e tem um toque rústico. Localizado dentro da concessionária da Audi, no bairro da Vila Nova Conceição, o lugar é todo de vidro e tem saída para a rua. Ou seja, não é preciso passar pelos carros para apreciar o seu café. Aliás, vamos falar mais sobre as delícias do cardápio.

Flávia conta que buscou as melhores referências de espaços norte-americanos e trouxe as comidas e bebidas mais emblemáticas e gostosas, sem deixar de ser saudável. Para se ter uma ideia, não usam nada industrializado e os chocolates dos produtos são sem açúcar. Além disso, trabalham com salgados funcionais, vários tipos de leite e têm opções para celíacos e veganos.

Na cafeteria estão disponíveis 3 tipos de grãos de café, sendo um orgânico e os outros dois de lotes variáveis, o que garante sempre uma novidade por lá. Vale destacar o Black Latte (R$ 15), considerado uma tendência no Reino Unido e na Austrália. A bebida é feita com carvão vegetal ativado, um ingrediente saudável, que ajuda a eliminar substâncias toxicas do organismo. Tem na versão quente e gelada. Provei e gelada, que vem com chantilly de café. Surpreendentemente bom!

Para acompanhar o cafezinho espresso, servem uma pipoca gourmet caramelizada deliciosa, inspirada na Garrett Popcorn, que é um sucesso em Chicago (a favorita da Oprah Winfrey). Além disso, tem o copo de cookie, que você pode adicionar qualquer bebida do cardápio e comer depois.

E tem mais: Waflle de Liège (referência nova-iorquina) (R$ 10,50), o Cinnamon Roll (R$ 10,50), cookies (R$ 6,50), donuts (R$ 8,50) e um sanduíche de presunto de parma com queijo da Serra da Canastra de comer de joelhos (R$ 20).

Tudo o que está no cardápio pode ser adaptado ao gosto do cliente e tem a opção “to go”, ou seja, dá para pedir e levar. Aprovadíssimos: cardápio e atendimento. Vale a pena conhecer!

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Eurobike Café

Rua Clodomiro Amazonas, 1012 – Vila Nova Conceição
De segunda a sexta, das 8h às 19h; Sábados, das 9h às 14h.
Telefone: (011) 2924-8995.

*Os preços foram checados na data de publicação desta matéria e podem sofrer alterações.

O que achou da Eurobike Café? Conte nos comentários e compartilhe com seus amigos usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo. 

Fotos: Divulgação/Fotos do Instagram: Fernada Haddad (Um cafezinho©)

Brunch Weekend vai até o dia 29 de outubro em SP

Até o dia 29 de outubro, a cidade de São Paulo recebe a quarta edição do Brunch Weekend. O festival reúne 22 casas badaladas da cidade servindo um cardápio especial dessa refeição, que mistura de café da manhã e almoço. Ideal para aqueles dias de preguiça, sabe?

Como funciona o Brunch Weekend

O brunch é uma refeição original da Inglaterra e super popular nos Estados Unidos. O “pequeno” café ou almoço tardio, traz itens típicos de café da manhã, como pães, bolos, sucos, frutas e geleias. Tem também os clássicos do brunch americano, como panquecas, muffins, french toast e cinnamon rolls. Além disso, as casas servem pratos mais reforçados, como batatas, ovos com bacon, ovos Benedict, salada com salmão, etc.

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Para o evento, cada casa montou uma sugestão diferente à la carte. Por R$ 55 por pessoa, incluindo uma taça de espumante Chandon ou um drinque feito com Chandon, dá para se deliciar.

Dentre os estreantes desta edição, estão a hamburgueria Chip’s Burger, em Santana, e o francês Le Bou Bistrô, no Itaim Bibi. O festival ocorre sempre aos fins de semana de outubro, das 11h às 17h, considerando o horário de funcionamento de cada casa.

Para saber a lista completa e montar o seu roteiro, acesse a página no Facebook ou o perfil no Instagram dedicados ao evento.

O Brunch Weekend já começou! Conte pra gente os seus preferidos e compartilhe com os amigos pelas redes sociais usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo. 

Fotos de destaque: Divulgação

Foto 1 | Restaurante Ovo e Uva
Entrada – Crudités (legumes orgânicos crus) com delicioso molho de queijo.
Prato Brunch – linguiça fresca espanhola, ovos estrelados, bacon, tomate assado com alecrim, pão rústico e batata gratinada. Acompanha drinque Mimosa com Chandon. Sobremesa – Pain au Chocolat.

Foto 2 | Restaurante Pomodori

Ovo beneditino, Cappuccino, Gnocchi de funghi com creme de queijos e o famoso bolo de chocolate com muito chocolate. Acompanha drinque Mimosa com Chandon.

Cafeterias em Nova York: Bruna, do NYC Tips, dá as dicas

Se você é do tipo que começa qualquer roteiro de viagem pelas cafeterias que tem vontade de visitar e está de malas prontas rumo à Big Apple, está no lugar certo. As cafeterias em Nova York são um charme e opções não faltam. Tem para todos os gostos e estilos.

Confesso para vocês que, se estou viajando sozinha, troco o almoço e até o jantar pela oportunidade de conhecer mais uma cafeteria bacana. Se for daquelas históricas ou dentro de museus… Pode me esquecer. Fico o máximo de tempo que puder. E, se precisar carregar o celular, é a desculpa perfeita para entrar em mais alguma pelo caminho.

Eu estive em Nova York em 2014 e tomei muito café, mas na época não existia esse espaço e não fiquei tão atenta aos detalhes. Sabendo que tem muita coisa legal por lá, conversei com a Bruna Paraiso, uma das responsáveis pelo NYC Tips, e ela deu ótimas dicas.

NYC Tips te ajuda a encontrar o melhor em Nova York

A Bruna mora em Nova York há quase 5 anos e conta que o NYC Tips começou sem pretensão nenhuma: “Uns amigos meus vieram para cá e passamos a semana inteira andando pelos bairros, indo a restaurantes, etc… No último dia, estávamos jantando e eles falaram: ´Bru, nós só fomos em lugar legais. O que pode não ser mais novidade para você, para gente ainda é. Você devia divulgar essas dicas´”.

Em pouco tempo, ela sentiu os resultados e decidiu criar um site e as dúvidas não paravam de chegar! Além disso, ela faz roteiros personalizados. “Elaboro tudo de acordo com o perfil de cada cliente, desde os que nunca vieram até aqueles que já vieram 10 vezes e buscam algo diferente, aos olhos de quem vive aqui”. (Tem, inclusive, um canal no Youtube super legal!)

Agora que você já sabe um pouco sobre o trabalho da Bruna e percebeu que ela entende bem do que está falando, vamos tomar um cafezinho?

Ela disse pra gente que ama café e que toma, pelo menos, duas vezes por dia. “O meu dia não começa se não tomo um cafezinho preto. Tomo de manhã e depois do almoço para dar aquela acordada (risos). Após as 17h, eu não posso tomar de jeito nenhum, tenho insônia. O que é uma pena porque, muitas vezes, me dá uma super vontade depois do jantar”.

Para mim acordar e já sentir o cheirinho de café me faz lembrar que tenho mais um dia pela frente e fico feliz! Meu dia melhora muito depois do meu cafezinho.

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Confira a seguir as dicas dela de cafeterias em Nova York:

Cafeterias em Nova York: o que não dá para perder?

Se você vai para Nova York e ama café, a dica da Bruna é andar pelo West Village. “Lá tem diversas opções deliciosas e tem até uma loja chamada Porto Rico Importing Co.(aberta desde 1907), com diversos tipos de grãos”, indica. Segundo ela, os funcionários explicam tudo sobre os cafés e é super bacana.

Agora, veja mais 3 recomendações:

1 . Bakeshop by Woops

548 Driggs Ave.
Brooklyn, NY 11211
Phone: 718-384-4410

(Esse é o endereço da unidade de Williamsburg. É só clicar no link ali em cima, no nome da cafeteria, que dá para consultar os outros).

Dica da Bruna: “Meu coffee shop preferido de NY e a melhor unidade é a de Williamsburg. É MUUUUITO charmoso, o café delicioso, e os docinhos e macarons são de comer rezando. Amo trabalhar de lá”.

2 . TAP NYC

267 Columbus Avenue.
New York, NY – 10023

Dica da Bruna: “É um coffee shop “brasileiro”. Tem tapiocas, o melhor pão de queijo, açaí… E o melhor: o cafezinho pode vir acompanhado até de um brigadeiro. Não tem melhor combinação”.

3 . Blue Bottle Coffee

São 12 unidades em Nova York. Consulte aqui o mais próximo de você.

Dica da Bruna: “Esse coffee shop é mais descolado, costuma até ser mais simples que os outros, mas eles tem um café gelado que eu adoro durante o verão. Café gelado para nós brasileiros pode parecer estranho, mas depois que experimentei fiquei viciada”.

No blog Cappuccino e Cia, tem mais dicas de cafeterias em Manhattan.

O que achou das dicas de cafeterias em Nova York? Conhece alguma delas ou quer acrescentar dicas na lista? Escreva nos comentários. Compartilhe nas redes sociais usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo. 

Fotos: Reprodução/Instagram/NYC Tips

Aprecie com moderação

Naquela época não era comum crianças gostarem de café. O “pretinho” era coisa para adultos. A turminha era chegada no achocolatado – que hoje migrou para a listinha dos vilões, aquela que começou com a carne e já chegou na farinha branca.

Quando criança, só tomava café na casa da tia Manoela. Ninguém entendia direito aquela pré-disposição, principalmente minha mãe, enciumada. Vai ver a tia Manoela usava café especial e ninguém sabia ou tinha feito curso de barista. Dizem que um terço do sucesso do café está na habilidade deste profissional.

Ano passado, o cardiologista me recomendou diminuir a dosagem de café. Usei o mesmo expediente de um amigo, cujo ortopedista recomendou-lhe parar com o jogo de futebol dos sábados. Troquei de médico!

Nessa semana, na sala de espera da dentista resolvi seguir o que o Carpinejar disse: fazer as crônicas no bloco de notas e não ter ritual pra escrever. Saquei meu telefone e comecei a fazer este texto, com o aparelho na horizontal. Uma moça que estava na minha frente deve ter pensado que eu estava na jogatina, pois mal olhei pra ela quando me cumprimentou.

Ali, lembrei da infância, quando ia ao dentista e como prêmio por bom comportamento ganhava uma Coca-Cola no boteco da frente. Ainda não havia aquela listinha do mal. Ao longo dos últimos 20 anos como paciente da Dra. Mariluci, poucas vezes ela sugeriu a redução do consumo de bebidas que podem escurecer os dentes, o que facilita o nosso “relacionamento”. Mal sabe ela: assim que saio de lá, vou tomar uma dose grande de espresso com leite e comer um pastel de nata na padaria da esquina, não importa o produto que a Mariluci tenha aplicado ou a recomendação que tenha dado.

Um dos pensamentos mais difundidos do poeta Mario Quintana (1906-1994) resume tudo isso: “O passado não reconhece seu lugar, está sempre presente”.

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MARCELO LAMAS é cronista. Trocou o vício de Coca-Cola por café. A tendência é que não mude mais, pois há muitas marcas a serem experimentadas e cafeterias a serem conhecidas por aí.

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Foto: Pixabay

O cliente tem sempre razão?

Quem é que nunca ouviu a frase: o cliente tem sempre razão? Eu concordo, mas até certo ponto. Creio que para qualquer relacionamento dar certo é necessário que todos os lados façam a sua parte. Na relação cliente-estabelecimento não é diferente.

A gente se esforça bastante para oferecer um bom atendimento, mas sabemos que sempre é possível melhorar. Inclusive, algumas atitudes dos clientes podem nos ajudar – e muito!

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Vejam algumas dicas:

Decida primeiro, peça depois

É normal ter dúvidas sobre o cardápio, mas se você não faz a menor ideia do que pedir, não chame o atendente para ficar ao seu lado enquanto você escolhe. Outras mesas precisam de atendimento e o garçom sempre tem serviço. Para pedidos no balcão, é a mesma coisa. Lembre-se que há outras pessoas logo atrás de você.

Alterações no cardápio, sim. Criar novas receitas, não

Não se chateie se a gente não puder atender as quatro alterações que você pediu na bebida. Além de existir um cálculo para se chegar ao preço final, a gente trabalhou duro para desenvolver uma receita saborosa e equilibrada. Pequenas mudanças, muitas vezes, por alguma restrição alimentar são bem-vindas!

Adoramos conversar, mas estamos trabalhando

A nossa obrigação é dar o máximo de atenção ao cliente. Alguns, até viram nossos amigos e isso é muito legal! Porém, bom senso é tudo. Se a gente já fez o seu café com todo amor e carinho, mas não conseguimos ouvir a história do seu final de semana na praia, não encare como hostilidade. Guarde a aventura para contar numa outra hora que a cafeteria estiver mais vazia. 😉

Cortesia é só de vez em quando

Muitas vezes agradamos os clientes com algum tipo de cortesia. Um docinho, uma porção de leite, um pouquinho de geleia. Isso não significa que isso tenha que virar hábito. Pode parecer que um pedaço de bolo de graça não faz diferença, mas se a gente der uma fatia para cada cliente todos os dias…

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Jamais peça para abrir a porta depois que fechou

Depois que as portas da cafeteria se fecham, a gente ainda tem muito trabalho. Limpamos as máquinas, o ambiente, lavamos a louça, tiramos o lixo. A gente tem família, estuda, treina para se desenvolver, temos amigos e também gostamos de ir tomar café ou simplesmente descansar, porque nossa rotina é exaustiva. Tenha empatia sempre, em qualquer situação.

Respeito é tudo

Se nós sorrimos para você e falamos com educação, retribua com gentileza, não custa nada. Assim, o seu atendimento vai ser ainda melhor porque vamos reconhecer isso em você. Estamos lá para te servir, mas isso não quer dizer que a gente precisa ser mal tratado.

Pediu a conta? Pague

Na hora da conta, chame o atendente ou vá até o caixa e pague. Não fique conversando ou olhando no celular enquanto a gente está ali, em pé, com a máquina de cartão na mão esperando você terminar de falar sobre o cara do Tinder. Sério, pode ser constrangedor.

A gente espera que vocês tenham encarado essa DR de uma forma bem positiva! Como já foi dito, relacionamento é uma via de duas mãos. Por isso, faça suas críticas e conta pra gente o que ainda se pode melhorar quando o assunto é atendimento.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto: Pixabay

O preço do café especial

Você já questionou o preço do café especial? Na cafeteria onde trabalho é só o que servimos. Sempre que aparece um cliente novo, a gente tenta explicar a proposta da loja e passar o máximo de informações sobre a bebida. Mesmo assim, algumas pessoas não entendem o motivo de termos uma pacotinho de café de 250g custando R$ 65. Alguns reclamam até do valor do espresso (R$ 5,50). Muitos locais servem café gourmet ou, pior, de commodity, e cobram mais que isso.

No final das contas, tudo acaba sendo uma questão de prioridade. Mas, é legal que as pessoas entendam a razão do preço do café especial. Vou compartilhar uma experiência que tive no Espírito Santo, na fazenda onde é cultivado esse café de R$ 65, o queridinho Paraíso.

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Preço do café especial: entenda o caminho do cafezal à xícara

Eu e mais três pessoas saímos de São Paulo numa manhã de sexta-feira. Depois de 14 horas de estrada, chegamos à região de Castelo. No dia seguinte, acordamos bem cedinho para continuar a nossa aventura. Nos encontramos com o Edmilson. Ele nos apresentou ao proprietário da fazenda, Rondineli Sartori, que também já tinha sido guia turístico lá.

O nosso destino era a fazenda do Paraíso. No caminho, foram nos contando um pouco sobre aquele cenário lindo e montanhoso, lotado de pés de café. Fizemos uma parada e tivemos o prazer de conhecer o Carlos Alberto Altoé, produtor do Café Vale do Caxixe, também especial.

Entramos numa sala com um balcão com diversos métodos, equipamentos para embalar e uma máquina de torra de 10 kg. É nela que o Carlos desenvolve os perfis de torra da sua produção. Ele fez questão de preparar uma café pra gente, na Hario V60. Pela janela, a gente conseguia ver um pequeno terreiro suspenso cheio de grãos de Catuaí Vermelho.

Saindo de lá, fomos ao Sítio Bateia. Conhecemos o irmão do Rondineli, sua cunhada e sobrinhos. Nós, um pouco tímidos, preocupados por estar incomodando em pleno sábado. Eles, orgulhosos, explicavam pra gente tudo o que podiam, das variedades às técnicas de poda. Até almoço nos ofereceram! Depois de comer, fomos morro acima conhecer o cafezal.

Lá eles fazem colheita manual seletiva, vão colhendo somente os frutos maduros. Isso significa que as pessoas da colheita precisam passar várias vezes em um mesmo pé de café. Feito isso, eles separam os lotes em seus dois pequenos terreiros para os processos de pós-colheita.

Toda a família participa da produção. As crianças estudam e ajudam nas tarefas do sítio. Até a sobrinha do Rondineli, de 10 anos, me disse toda feliz que é ela a pessoa que mexe o café no terreiro. Depois disso, vocês podem imaginar que minha responsabilidade aumentou na hora de extrair o café deles lá na cafeteria, não é?

Esse café, que teve cuidados minuciosos para que pudesse desenvolver as características de um grão especial, vai para a cafeteria onde trabalho. O mestre de torra desenvolve um perfil para que nós, baristas bem treinados, tenhamos a possibilidade de extrair o melhor desse café. É um cuidado que se tem desde a plantação até a extração. É muita dedicação e estudo para que a gente possa oferecer a xícara perfeita.

Existe ainda uma escala de pontuação que vai até 100. Para ser considerado especial, o café precisa atingir no mínimo 80 pontos. O Paraíso foi pontuado com 92. Esse é o resultado de toda uma cadeia de produção que justifica o preço do café especial na prateleira.

Como tudo acaba em pizza, o nosso dia por lá não foi diferente. Jantamos em uma pizzaria e, conversando sobre tudo o que tinha acontecido, concluímos que todas as partes desse processo possuem uma importância enorme. O barista tem uma tarefa que vai além de tirar um bom espresso. Ele é quem deve fazer o papel de contar ao cliente tudo o que envolve a produção de um café especial e como as pessoas que se mantém nesse ramo simplesmente amam o que fazem. E isso tem um valor que não se calcula.

Eu tive um dos dias mais legais da minha vida. O melhor foi saber que eles também gostaram de nos receber. Acho que foi uma troca bem interessante. Hoje agradeço imensamente por ter a sorte de viver em um país produtor de cafés tão bons e ter a possibilidade de ver de perto a origem disso.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Fotos: Cinthia Bracco

Carta de condolências

Embora escreva há mais de duas décadas, tenho dificuldade para fazer textos pessoais e intransferíveis, aqueles com sentimentos envolvidos, como homenagens de aniversários e de dia das mães.

Meses atrás, faleceu um cliente de uma das empresas que presto serviços. Fui acionado para escrever a carta de condolências. Antigamente havia um padrão de carta – fiz alguns desses – agora elas são customizadas.

Por sorte, conhecia o sujeito e fiz umas cinco linhas com os pesares. Também usei a técnica do reconhecimento de todas as virtudes – depois que a pessoa morreu.

Outro dia, me ligou a secretária de outra companhia, solicitando uma cartinha em homenagem póstuma ao pai falecido de um cliente. Ela não sabia o nome do homem, não sabia a causa mortis, tampouco a profissão. Quando a questionei, alegou que só tinha a informação sobre o falecimento do pai do Sr. Celso Alberto e que queria antecipar-se, deixando o documento pronto para o chefe despachar, assim que retornasse de uma reunião. Enviei a sugestão e a secretária proativa me ligou:

– Oi Marcelo!
– Oi Lucy!
– Obrigado pela carta. Tenho duas perguntas pra te fazer:
– Pode falar.
– São só essas três linhas mesmo?
– Sim, é isso! Não temos informações sobre o finado, se era operário, bancário ou professor? Se estava doente ou se foi mais uma vítima do transito…
– Ah! Tá bom!
– E a outra pergunta?
– Marcelo, o nome dele era Alberto? Como você descobriu?
– Deduzi.
– Deduziste?
– Sim. Se o nome composto do filho é Celso Alberto, e esta combinação não combina, certeza que o segundo nome foi uma auto-homenagem do pai dele.
– Acho que tu não és muito certo das ideias.
Rimos, nos despedimos e até hoje não sei o nome daquele falecido.

EM TEMPO:

Após os acontecimentos da crônica acima, o autor participou de um encontro de pessoas enlutadas (ONG Movimento Marcha do Silêncio). Espera ter melhor argumentação numa próxima carta de pêsames. Visite o site www.vamosfalarsobreoluto.com.br.

Parafraseando Mario Quintana no livro “A cor do invisível”:

Inscrição para um portão de cemitério
Na mesma pedra se encontram,
Conforme o povo traduz,
Quando se nasce – uma estrela,
Quando se morre – uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
“Ponham-me a cruz no princípio…
E a luz da estrela no fim!

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Marcelo Lamas é cronista e só tem uma exigência póstuma: Pular a etapa do velório. Não quer deixar a última impressão de que “O café estava frio no velório do Marcelo…”.

@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com
Facebook: @marcelolamasescritor

Foto: Pixabay

Um dia de barista

Quando eu era de Marketing e Comunicação, achava um pouco complicado explicar para algumas pessoas o que eu fazia e a importância daquilo tudo para a empresa. Então, comecei a trabalhar com mídias sociais. Aí piorou… Tinha gente que achava que eu ficava o dia todo no Facebook aleatoriamente. Naquela época, que não é tão distante assim, eu mal podia imaginar que mudaria para uma profissão mais incompreendida ainda e mais desvalorizada. Afinal, o que faz um barista? Como é o dia de barista? 

No primeiro curso que fiz, já descobri um mundo totalmente novo e encantador. Ali mesmo eu percebi o longo caminho que eu teria que percorrer se eu realmente quisesse mudar de vida. Hoje, atuando na área, eu tenho a certeza de que, para ser um ótimo barista, é necessário muita dedicação e estudo constante.

Um dia algo muito curioso, digamos, aconteceu… Recebemos um cliente para passar o sábado com a gente na operação. Ele pode sentir na pele como é o dia-a-dia de um desses profissionais do café. Foi muito legal e ele se saiu super bem!

O nome dele é Fábio e ele vai contar agora um pouquinho de como foi essa experiência:

Como é o dia de barista

“Antes de chegar aos detalhes da minha experiência e do meu dia de barista, acho interessante fazer uma pequena introdução. Eu me chamo Fábio. Assim como a Cinthia, antes de passar pelo dia de barista, eu nunca tive nenhum contato com o atendimento em restaurantes e afins. Sou advogado, então toda a minha experiência profissional foi vivida em uma realidade totalmente diferente.

Fábio com o avental e a bandana no dia de barista na cafeteria.

Assim que cheguei ao café, me deram um espaço no armário, um avental oficial da cafeteria. Coloquei a minha bandana na cabeça e aí o coração começou a acelerar. Deu aquele nervoso na barriga… Exatamente o mesmo de quando se mudava de escola, de emprego ou de quando se vai apresentar algo em público, sabe?

Para a minha sorte, antes mesmo da abertura das portas, a primeira tarefa foi regular o espresso. Assim que as baristas me ensinaram o procedimento, extraíram a primeira dose de café e explicaram quais as características sensoriais eu tinha que sentir. Notei logo de cara que era uma atividade que eu conseguia me relacionar bem. Eu já tinha passado por isso em cursos, conversas e testes em casa. Essa familiaridade fez com que o nervosismo fosse embora quase por completo.

Com o espresso regulado, as portas se abriram e, aos poucos, os primeiros clientes foram chegando. Bem no início, me pediram para preparar o “café da casa”, que é um café coado preparado em um Hario V60, com um dos grãos torrados pela própria cafeteria. Ou seja, totalmente na minha zona de conforto!

Acontece que a zona de conforto não durou muito tempo. Logo, mais mesas foram ocupadas e eu já estava auxiliando com preparo de bebidas frias, separação de ingredientes e utensílios, lavagem de louças… E como lavei louça!

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O dia seguiu dessa forma, correria em todo momento e quase sem nenhum tempo para descanso ou conversas. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que você fica totalmente focado nas suas responsabilidades, técnicas e limpeza. O tempo voa!

Só depois do expediente encerrado e de toda a arrumação é que consegui começar a digerir tudo que foi feito. Demora até para cair a ficha do cansaço, de tanto que fiquei estimulado pela rotina verdadeiramente dinâmica. Em retrospectiva, consigo notar que o conjunto de habilidades do barista está muito além do preparo e conhecimento do café.

No dia-a-dia você tem várias outras responsabilidades e interações. Notei que o entrosamento e confiança no resto do time são absolutamente necessários, assim como a atenção e o traquejo social no atendimento ao cliente.

Foi no meio dessa loucura toda que conheci um pequeno pedaço da rotina de um barista. Se tivesse que resumir, diria que foi a mesma sensação de quando tomei meu primeiro espresso com cafés especiais. Foi como tomar a pílula vermelha retratada no filme Matrix”.

Gostou de saber como é o dia de barista profissional? Deixe seu comentário.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Fotos: Cinthia Bracco

Como funciona uma fazenda de café?

Sempre tive vontade de saber como funciona uma fazenda de café, de conhecer mais a fundo como é todo o processo e o percurso do grão até chegar à xícara. Algumas oportunidades surgiram e não consegui comparecer. Até que no dia 23 de agosto deu certo, finalmente.

Litiene Andrighetti, do blog Cappuccino e Cia, e eu.

A convite da illy fui visitar uma das fazendas fornecedoras de café de qualidade para a marca italiana, aqui no Brasil. O destino era Pardinho, uma pequena cidade próxima de Botucatu, no interior do estado de São Paulo. Lá fica o Sítio Daniella, propriedade familiar da produtora Daniella Pelosini.

Sítio Daniella produz café de qualidade e premiado

A história do Sítio Daniella começou a ser escrita em 1977 pelo pai de Daniella, que chegou priorizar o investimento na produção de leite. Mas, foi só por um período até que o café voltasse a ser cultivado com força total por ali. Ainda bem.

Ainda bem porque estamos falando de 174 mil pés dos cafés Catuaí Amarelo e Vermelho a mil metros de altitude. A dedicação de Daniella rendeu alguns prêmios. Entre outros, ela é campeã do Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café Para “Espresso” do Estado de São Paulo nos anos de 2016 e de 2017.

Daniella Pelosini e o marido, os anfitriões da visita

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Agora, confira mais um pouquinho sobre a visita e entenda melhor como funciona uma fazenda de café:

Dia no Campo com illycaffè: como funciona uma fazenda de café?

Chegamos ao Sítio Daniella e fomos conhecer os processos pós-colheita, antes de ver o cafezal. Eles trabalham com Natural e Cereja Descascado.

O Natural é um dos processos mais comuns no Brasil porque o clima favorece e o custo é menor. Depois de colhidos, os grãos de café são lavados e espalhados nos terreiros expostos ao sol para a secagem. É um processo mais lento, com risco um pouco maior de fermentação quando comparado com o Cereja Descascado. Exige mais cuidado na hora de separar os grãos verdes dos cereja.

Cereja Descascado é um processo mais caro, com baixo risco de fermentação, que exige investimento em máquinas específicas e mão de obra treinada. Essas máquinas lavam e separam os grãos verdes dos maduros. Nesse processo, os maduros são descascados facilmente e, em seguida, e passam por um cuidadoso processo de secagem e beneficiamento.

 

Depois, seguimos para o cafezal. No Sítio Daniella, eles têm uma máquina que passa duas vezes pelos pés de café para colher os grãos maduros. Por último, os frutos maduros restantes são colhidos manualmente. A ideia é garantir o aproveitamento máximo da safra.

 

Do cafezal, fomos para a casa da fazenda da anfitriã, onde havia uma linda mesa de café da tarde com degustação dos cafés illy.

Café na cafeteira italiana (moka), no Hario V60, na French Press e também o espresso na máquina, com as cápsulas exclusivas da marca, foram preparados e apresentados pelo Piero de Farias, barista da illy.

 

Confira o vídeo do passeio feito pela Litiene, do Cappuccino e Cia:

Visite uma fazenda de café em Itu, perto de São Paulo

Você quer conhecer uma fazenda de café? A Fazenda Santo Antônio da Bela Vista, em Itu, também no interior de São Paulo, recebe grupos de pessoas para o tour “Do cafezal ao cafezinho”. Para saber mais detalhes desse passeio, confira o texto no blog Cappuccino e Cia.

O caminho do café até a xícara é longo. Que bom que temos tanto empenho e dedicação de pessoas tão apaixonadas por cafezinho quanto nós, não é?

(*) Viajei a convite da illycaffè.

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Fotos: Maurício/MP Produtora