Reutilização de filtro de café faz parte do trabalho deste poeta

O nome dele é Carlos La Terza. Esse mineiro, de São Lourenço, no sul de Minas Gerais, tem 31 anos e escreve poesias desde os 13. Do ano passado para cá, ele tem se dedicado mais intensamente a um projeto literário com reutilização de filtro de café para abrigar suas palavras. “Sempre foi algo que cultivei e procurei levar em frente. Sou professor de redação e Inglês também. Sinto que nunca vou conseguir parar de escrever, é uma terapia. Escrever me emociona, muito”, conta.

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Confecção de livros com reutilização de filtro de café

La Terza diz que já perdeu as contas de quantos livros escreveu usando filtros de café. E tudo é feito de forma artesanal, usando máquina de escrever. O primeiro deles, intitulado de Leite de Pedra, vendeu mais de 500 exemplares.

O poeta Carlos La Terza (Divulgação)

Tudo começou porque ele estudou o mercado e a cultura, as tendências do universo literário contemporâneo, e percebeu a oportunidade. “Busquei o formato e o material por algum tempo, passando por papel de pão, guardanapos, entre outros. Como sou viciado em café, os filtros aqui em casa se acumulavam de 3 em 3″, conta.

Do filtro sujo ao livro foi um pulo. A tinta de café foi a solução para a capa, também provinda do vício e dos fundos de xícara com aquele restinho, sabe?

O mais legal é que a iniciativa sustentável acabou ganhando colaboradores, contagiou as outras pessoas. Muitas delas, sabendo do projeto, deixaram de jogar fora seus filtros de café sujos e passaram a enviar para ele. “Eu lavo e prenso os filtros. No final desse processo, eles estão prontos para serem páginas. Os poemas são datilografados em máquina de escrever, um a um”.  A máquina foi presente de um querido tio, que a usava em seu escritório nos anos 90.

O livro vem com cheirinho de café. Isso porque a capa, também artesanal, é pintada com tinta feita da bebida. “O livro é fechado com lã ou com linha encerada. A cada edição tento mudar algo no fechamento mas de forma sutil. Gosto do formato simples”, reforça.

Segundo ele, a temática varia. “Pode surgir de uma conversa, de um encontro ou de um sentimento que exige sair para o mundo de alguma forma. Desde o amor e as relações humanas como amizade e confiança, apego… Passando por temas políticos ou simples observações despretensiosas do cotidiano, em pequenos Haikais”, completa.

Além de livros, Carlos também faz quadros com poemas, usando a máquina de escrever e os filtros de café. “Faço outros trabalhos em parcerias com artistas sul mineiros e logo lançarei uma linha de camisetas com meus poemas”.

Foto: livro e quadro feitos com reutilização de filtro de café, com a ajuda da máquina de escrever. (Divulgação)

Hora do cafezinho

La Terza contou na entrevista que nem sabe quantas xícaras consome por dia. “Conhecido como um ativador de memórias, o cafezinho me acompanha desde a escrita até o trabalho manual nos livros, o que nos torna uma dupla. Eu e o café, o café e eu”.

Tomar café é ativar a mente com prazer e poesia. Meu tipo preferido é o expresso curto. Tenho uma paixão por café de qualidade coado também, creio que pela lembrança familiar da coisa.

Onde comprar

O projeto de livros e quadros com reutilização de filtro de café funciona de forma independente. Quer conhecer mais de perto? Acesse o perfil no Instagram @poetalaterza. Os livros custam R$ 35 cada e são enviados sem frete para a região Sudeste.

O que achou do trabalho do poeta com reutilização de filtro de café? Conhece mais algum trabalho bacana que envolva o café? Conte nos comentários. Compartilhe usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo.

Foto de destaque: Divulgação

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