Tipos de café: conheça quais são eles

Hoje em dia a gente ouve falar muito do café arábica. Talvez seja o primeiro que muitos imediatamente se lembram quando pensam sobre os tipos de café. Para algumas pessoas, só essa informação é sinônimo de alta qualidade. O café, no entanto, é mais que isso. Ele tem sua origem e determinados processos até chegar à nossa mesa.

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Sempre que vou falar sobre esse assunto lembro da minha viagem ao Espírito Santo. Ouvi falar que lá há um produtor de Robusta que, em uma sessão de cupping, teve seu café pontuado com mais de 80, ou seja, classificado por eles como café especial.

No Brasil, a classe de cafés especiais é, sem dúvida, composta basicamente por Arábica e a BSCA certifica apenas cafés dessa origem. Essa história nos permite pensar que precisamos analisar outras variáveis para saber se o que estamos consumindo realmente tem tanta qualidade assim.  O que vai definir se um café é bom pra gente, independente de pontuação, vai ser o nosso paladar. Porém, vale dar uma olhada no pacotinho se há informações como: produtor, fazenda, região, altitude, torra e variedade. E é nesse ponto que eu queria chegar. Vamos desmistificar um pouquinho alguns dos nomes relacionados ao café que a gente ouve por aí.

Conheça um pouco mais sobre os tipos de café

Coffea

O café é uma árvore da família Rubiaceae e do gênero Coffea, do qual algumas de suas espécies nos possibilitaram criar uma bebida incrível. Foram classificadas 124 espécies, mais do que há 20 anos, o que significa que outras variedades estão surgindo.

As espécies Coffea são encontradas principalmente na África, Ásia e Austrália, mas apenas duas delas são cultivadas para o mercado consumidor: C. Arabica e C. Canephora – mais conhecidas por nós como Arábica e Robusta.  

Robusta

A C. Canephora é nativa da África Ocidental. Primeiramente, suas mudas foram plantadas em Java e, posteriormente, espalhadas praticamente para todos os países produtores.

Assim como o Árabica, o Robusta também desenvolveu diversas variedades, sendo que muitas são resultado do cruzamento com o Arábica. Plantadas geralmente em altitudes mais baixas, pois é onde elas melhor se desenvolvem. Estão mais sujeitas às pragas, o que influencia o seu teor de cafeína, que é mais alto se comparado ao Arábica.

Ao contrário de países como Indonésia e Índia, onde cafés Robusta são conhecidos por sua alta qualidade, no Brasil é cultivada a variedade Conilon, usada principalmente para baratear o custo dos cafés industrializados. Visto por muito tempo como sinônimo de baixa qualidade, esse cenário vem mudando nos últimos anos e gerando uma certa discussão no mercado.

Em agosto deste ano, na Feira Sabores da Terra que aconteceu em Vitória (ES), a Fazenda Venturim apresentou seu café 100% Conilon. Os irmãos Isaac e Lucas acreditam que um Robusta de origem conhecida e de produção feita com foco na qualidade, pode, sim, levar ao consumidor uma ótima bebida. Através do projeto Robusta Especial, eles vêm aperfeiçoando seu processo produtivo.

O Coffee Quality Institute possui em seu programa de identificação e classificação de cafés de qualidade uma vertente focada em cafés Robusta chamado Q Robusta. Para mais detalhes, visitem o site dedicado ao programa.

Arábica

As informações sobre como a C. Arabica se espalhou pelo mundo são divergentes, o que torna incerta a sua verdadeira história. Sabe-se que, das árvores nativas da Etiópia e do Sudão, somente algumas foram levadas para fora da África. Chegaram ao Iêmen para depois se espalharem pelos outros países. As árvores eram da variedade Typica, também conhecida na época como o café comum. No Brasil, era chamada de Café Nacional ou Crioulo.

Em nosso país, são produzidas muitas variedades de Arábica, como Catuaí, Bourbon, Mundo Novo, Catucaí, entre outros. O Arábica é conhecido por sua complexidade aromática e acidez. Os brasileiros, destacam-se principalmente por sua doçura e corpo marcante.

São cultivadas em altitudes mais altas, acima de 800m. Seu teor de cafeína é de 1%, enquanto o Robusta apresenta mais de 2%. Considerando a safra 2016/2017, o Arábica representa cerca de 62% da produção mundial e teve um aumento de 32% na última década. O Robusta cresceu quase 22%.

Devo admitir que quando se trata dos tipos de café tenho bebido bem mais Arábica a Robusta, até mesmo pela praticidade, já que este chega com mais qualidade às nossas xícaras de uma maneira mais fácil. Porém, escrever esse texto me deixou curiosa e com a mente mais aberta.

Costumo dizer que não existe uma verdade única e absoluta quando o assunto é café. Cada produtor utiliza de uma técnica. Cada mestre de torra desenvolve o perfil de um jeito. Cada cafeteria desenvolveu ou aderiu a uma certa maneira de preparar os cafés e assim por diante. Falar sobre tipos de café, para mim, comprova mais uma vez essa forma de pensar. O próximo passo agora é tentar comprar um pacotinho de Conilon pra experimentar.

O que vocês acharam dos tipos de café? Será que realmente tem Robusta de alta qualidade no Brasil? Alguém aqui já provou um café 100% Conilon?

 

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: depositphotos

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Pontuação do café

Você sabia que, assim como os vinhos, os cafés também são classificados e pontuados? É dessa forma que a gente sabe se um café entra  para a categoria de especiais, por exemplo. No texto de hoje, vou explicar como funciona a pontuação do café.

A avaliação é feita por especialistas que analisam todos os aspectos do café. Essa prova é feita através de um procedimento o qual chamamos de cupping.

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Cupping

Essa técnica garante que não haja interferência do método utilizado e nem do filtro. Além disso, há padronização de moagem e proporção e, para esse ritual, são necessárias algumas amostras. Pode ser que a ideia seja avaliar um único café, mas é interessante ter também exemplares de outros tipos para que possa haver uma comparação.

Fazer uma boa análise requer muito treino, pois é necessário um sensorial bem desenvolvido para entender as qualidade do café e, principalmente, seus defeitos, que podem passar despercebidos por quem não tem experiência.

O passo a passo do cupping a gente pode falar em uma outra ocasião. Apesar de isso ser utilizado mais entre os profissionais, é legal fazer o teste em casa, pelo menos para perceber as diferenças entre os tipos de café e ir aprimorando o paladar.

O que é avaliado no cupping?

Basicamente, são avaliados 10 itens, com notas de 0 a 10. Ao final, é feita a soma de cada um desses aspectos, que vai resultar na nota final do café. Para ser especial, ele precisa atingir o mínimo de 80 pontos. Para auxiliar, existe um formulário de avaliação sensorial, desenvolvido pela SCA (Specialty Coffee Association), que também utilizamos aqui no Brasil.

  1. Fragrância/Aroma

Nada mais é do que o cheirinho do café. Bom, talvez seja um pouco mais complexo que isso, já que o café pode desenvolver inúmeras fragrâncias, desde frutas, especiarias e flores até aromas não tão bons assim como borracha e fumaça . Em um processo de cupping, deve-se sentir o aroma dos grãos, do café moído e depois de umedecido.

  1.  Sabor

São as sensações que o café vai fazer a gente sentir na boca. Nessa parte do processo deve-se pegar uma quantidade de café com uma colher própria para cupping e sugar o líquido. Você pode cuspir depois de provar, pois no caso de uma quantidade grande de provas, ingerir muito café pode fazer mal.  Aqui, além do gosto em si, a gente começa a ter uma percepção dos demais aspectos.

Foto: Reprodução
  1. Finalização (aftertaste ou sabor residual)

É o sabor que permanece na boca depois do consumo da bebida. Se for bom e permanecer por um tempo considerável, maior a nota.

  1. Acidez

Sim, acidez no café é algo muito bom. Desde que não lembre vinagre… Acidez como a de frutas cítricas, por exemplo, é muito bem-vinda em uma prova de cafés.

  1. Corpo

É aquela sensação de contato tátil que a bebida causa na língua. Um bom corpo faz com que você sinta o café passando suave e vagarosamente.

  1. Uniformidade

Analisamos se todas as amostras de um mesmo café possuem exatamente as mesmas características. Se uma delas estiver diferente, é necessário descontar pontos.

  1. Balanço/Equilíbrio

Nesse quesito devemos avaliar se algum aspecto se sobressai ou se há o equilíbrio na bebida como um todo. Quanto mais equilibrada, maior sua pontuação. Deve haver acidez, por exemplo, mas também precisaremos encontrar doçura em proporção similar.

  1. Xícara limpa

É a ausência de defeitos nas amostras, os quais podemos citar odor ou sabor de remédio, impurezas, falhas no processamento o que pode ocasionar uma bebida fermentada em excesso, entre outros.

  1. Doçura

Café de boa qualidade é naturalmente doce. Por isso, alguns baristas que trabalham com bebidas desse nível, sugerem aos clientes para, pelo menos, provarem o primeiro gole sem colocar açúcar.

  1. Geral

Aqui é uma avaliação geral e pessoal do café. Quanto mais cafés a gente prova, mais referências criamos.

A ideia não é que você vire um especialista depois de ler este texto, mas sim que entenda um pouco mais sobre o mundo dos cafés e o que está por trás de uma pontuação. O importante é você apreciar sua bebida da forma que você mais gosta. Porém, de vez em quando, permita-se experimentar novos aromas e sabores.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

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As ondas do café: conheça cada uma delas

Tudo evolui e com o café não poderia ser diferente. Por isso, para você entender um pouquinho mais sobre essa trajetória, vamos falar de três momentos que definem bem as mudanças que ocorreram no decorrer do tempo: as ondas do café.

Primeira onda do café

O considerável aumento do consumo de café em todo o mundo ao final do século XIX e inicio do século XX, marca a primeira onda do café. Nessa mesma época, o Brasil vivia o seu melhor momento relacionado ao produto, já que esta era a sua principal mercadoria de exportação.

O consumidor preocupa-se não com a origem e qualidade do grão, mas com seus efeitos sobre o corpo: concentração, energia, estímulo. O café era apenas o coadjuvante que acompanhava as refeições, poderia ser qualquer um.

Nesse meio tempo, as máquinas de espresso estavam sendo desenvolvidas, mas somente por volta dos anos 60 esse método se popularizou, dando às pessoas uma nova opção de consumo da bebida. Em 1966, Alfred Peet abre a primeira Peet’s Coffee, em Berkeley, CA, o que mais para frente viria a inspirar a Starbucks.

Segunda onda do café

Através dos conceitos da Peet’s e Starbucks, nascia também uma nova maneira de beber café. Grãos recém-torrados, de diferentes partes do mundo, levava uma nova experiência ao consumidor, que começava a perceber como os cafés poderiam se diferenciar entre si.

Um público mais jovem também foi atraído pela variedade de bebidas a base de café que surgiram na época e pelos perfis sensoriais que ofereciam um novo mundo de aroma e sabores.

A segunda onda do café também é responsável por destacar a profissão de barista. A área do café começou a sentir a necessidade de se especializar e esses profissionais apareceram munidos de técnicas e conhecimento que completariam a experiência do cliente, sendo o responsável pela conclusão de todo o trabalho.

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Terceira onda do café

A massificação dos cafés que aconteceu na segunda onda do café, fez com que o mercado sentisse que era preciso se reinventar. Assim, chegamos no momento atual.

Cafés exclusivos provenientes de microlotes, perfis de torra únicos, alta qualidade dos grãos, profissionais super especializados e um consumidor cada vez mais informado e exigente que questiona origem, variedade, proporção utilizada (água x café) e técnicas.

Para atender a essa demanda e se sobressair com relação a concorrência, as cafeterias entenderam que também é necessário dar valor a experiência que o cliente tem no local. Entram aí questões como pessoas muito capacitadas tecnicamente – sejam mestres de torras, baristas ou qualquer outro que faça parte do sistema – e a singularidade no serviço.

As lojas valorizam o preparo artesanal para cada cliente, especialmente os coados como Hario, Kalita, Prensa Francesa e até o cold brew. Alguns locais ainda dão oportunidade ao barista para conversar com os frequentadores sobre os mais diversos assuntos que envolvem a cadeia, fazendo com que esse profissional seja não somente o responsável pela xícara perfeita, mas também o porta-voz de um trabalho árduo e cheio de valor.

Clubes de Café, dos pacotinhos para coados até garrafinhas de cold brew que chegam em casa, marcam essa etapa, pois disponibilizam ao consumidor uma nova maneira de contato com o produto. Do mesmo modo, não poderíamos deixar de falar dos coffee lovers, os quais muitas vezes saem do ambiente da cafeteria para irem à  sala de aula aprender mais sobre o café.

Eles querem ter a possibilidade de preparar uma boa bebida em casa e chegar mais informado à loja sabendo exatamente o que o estabelecimento ou o barista tem a oferecer. Isso está relacionado também à onda de consumo consciente, que está acontecendo não somente com o café, mas com qualquer tipo de item.

Quarta onda do café

Sim, já se fala sobre a quarta onda do café e eu me arrisco a dizer que ela está diretamente ligada, principalmente, à tecnologia. Seja na fazenda, através do controle da plantação e novas técnicas de processamento, ou na casa do consumidor, que terá cada vez mais acesso a equipamentos.

Em alguns locais da Ásia, por exemplo, as pessoas torram o café em casa, momentos antes do café da manhã. Esses consumidores, que hoje já possuem muito conhecimento, estarão sempre atualizados, os permitindo fazer café de alta qualidade no conforto de seu lar, sempre que desejarem.

Esse cenário deve criar uma movimentação econômica positiva no mercado de cafés. Eu, como barista, me sinto otimista nessa relação horizontal que estar por vir, pois a partir do momento em que as pessoas têm um maior entendimento sobre o café de qualidade, haverá também a valorização desse produto. Porém, sendo o barismo ainda pouco reconhecido e o público ganhado cada vez mais possibilidades, devo admitir que isso me faz pensar um pouco mais de forma realista no futuro dessa profissão.

A verdade é que somente o tempo vai mostrar o que acontecerá na próxima onda do café. Ela está chegando e cabe a nós da área nos adaptarmos às novas exigências. No entanto, uma coisa é certa: o café continuará nos conectando.

Gostou de conhecer mais sobre as ondas do café? Deixe seu comentário.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto: Pixabay

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Como fazer café na prensa francesa

Imagine uma boa xícara de café coado, com bom corpo, equilibrado e intenso. Se a ideia te agrada, é sinal de que french press é um método de prepado indicado para você. Hoje eu vou falar sobre como fazer café na prensa francesa. Além dessas características, esse é um equipamento não requer filtro de papel e nem troca das peças, o que faz dele um dos produtos mais ecologicamente correto para extração de café.

No entanto, os pontos fracos, para algumas pessoas, seriam a presença de resíduo na xícara e a limpeza, que não é difícil, mas acaba dando um pouquinho mais de trabalho do que simplesmente descartar o filtro de papel no lixo. Vamos falar um pouco mais sobre isso e também algumas dicas de preparo.

Para o preparo, além da prensa em si, que você encontra em diversos tamanhos, modelos e preços – que variam de R$ 40 a R$ 400 – será necessário também água quente, uma colher ou mexedor, café em grão, moinho e xícaras.

Na minha receita, eu usei 40 g de café, o que equivale a ½ xícara, e 400 g de água, o que vai dar um pouquinho mais de 400 ml ou pouco mais de dois copos americanos. Essa é apenas uma sugestão, sinta-se livre para criar sua própria receita.

Se você não tiver moinho em casa, várias cafeterias hoje em dia, moem o café na hora para o método que você pedir. No caso da prensa francesa, isso é importante porque a moagem deve ser mais grossa. Os cafés moídos que vendem no supermercado não são indicados. O pó é muito fininho, o que vai resultar em uma bebida com resíduo em excesso na xícara. Veja o comparativo do café já moído e da granulometria que precisamos para esse método:

Veja agora como fazer café na prensa francesa

Para ajudar a manter a temperatura da bebida, vamos tirar a tampa da prensa e escaldar o recipiente. Em seguida, descartamos a água e colocamos o café, já moído na granulometria adequada.

Feito isso, o próximo passo é fazer a pré-infusão, que consiste em jogar uma pequena quantidade de água sobre o café moído, suficiente apenas para cobrir e umedecer todo o pó. Esse procedimento, além de já liberar os primeiros aromas e óleos essenciais do café, vai permitir maior homogeneidade na extração.

Aguarde cerca de 30 segundos e complete com o restante da água, fazendo movimentos circulares. Misture com a colher – três “mexidas” é suficiente – e coloque a tampa, sem empurrar o êmbolo. Aguarde 3 minutos.

Passados 3 minutos em infusão, empurre o êmbolo com cuidado. Fazendo isso, você estará extraindo o café, separando o pó do líquido. Pronto! Aí é só servir as xícaras e aproveitar.

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Agora que você já sabe como fazer café na prensa francesa, confira algumas dicas de limpeza e manutenção para aplicar em casa:

Dicas para limpar a french press

Antes de tirar a tampa, vire o recipiente na xícara ou na pia. Deixe escorrer a maior quantidade de líquido possível. Depois, retire a tampa e, com a ajuda de uma colher, descarte a borra no lixo ou a utilize como adubo.

O recipiente pode ser lavado apenas com água quente. A parte onde fica o filtro, na outra extremidade da tampa, deve ser desmontada para uma boa limpeza, que também pode ser feita com água quente. No máximo, use esponja, sem sabão mesmo. Depois que secar, é só montar de novo.

A desmontagem/montagem não é difícil, as partes são presas com rosca.

Com esses pequenos cuidados e não tendo um marido desastrado em casa (estou na minha 4ª prensa), o seu equipamento pode durar para sempre. Eu gosto muito desse método. Junto com a Hario V60, é um dos meus favoritos. E você? Qual o seu método preferido? Gostou de aprender como fazer café na prensa francesa?

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Fotos: Cinthia Bracco

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Tomar água com gás antes ou depois do café?

E aí, o certo é tomar água com gás antes ou depois do café? Eu poderia acabar com essa dúvida escrevendo apenas duas linhas: a água com gás vem antes do café. Porém, essa questão não é tão simples quanto parece, ainda mais porque existe uma terceira opção: nem antes, nem depois.

A ideia da água com a gás é limpar e aguçar as papilas gustativas, fazendo com que você tenha uma experiência melhor ao beber o seu café. Por outro lado, o seu paladar estará mais sensível e isso pode não ser exatamente algo positivo, já que ele é acostumado a provar alimentos e bebidas de uma maneira mais natural, sem que seja estimulado dessa forma.

Isso quer dizer que, ao invés de ajudar, a água com gás pode atrapalhar o seu sensorial e, assim, você não conseguirá sentir todo o potencial da sua xícara.

Há quem afirma que água gelada também entra nessa mesma situação. Por isso, alguns profissionais da área do café indicam água sem gás e em temperatura ambiente para limpar a boca.

Eu devo confessar que já tomei muita água com gás em dias de dificuldade na regulagem do espresso. Começava com água filtrada, mas depois de um tempo provando, o paladar não sentia mais nada e aí eu acabava apelando para o gás, dando uma boa limpada no paladar. Até hoje, dependendo do que eu tiver comido antes de tomar café – já que gosto de comidas bem condimentadas e sabores intensos – aceito a água com gás. Em uma situação casual, às vezes prefiro comprometer um pouco meu sensorial a criar uma miscelânea na minha boca.

Agora, falando da terceira opção, há um outro grupo de pessoas que acredita que o café deve ser o destaque da experiência, sem coadjuvantes. Nenhum tipo de água e sem biscoitos. O conceito é que o café seja tão bom, que qualquer outro item perca a importância. Sem contar que tudo isso, querendo ou não, gera um custo para a cafeteria. Por esses motivos, alguns locais optam por não servirem o copinho com a água.

Como a minha curiosidade é inquieta – algumas amigas dizem que isso se deve ao fato de eu ser geminiana – tentei procurar uma explicação científica para essa questão, mas não encontrei. Então, acho válida as nossas próprias descobertas, provando muito café e, nesse caso, muita água também. A partir daí, vamos descobrir a nossa maneira de beber café, aquela que mais nos agrada.

No fim das contas, eu tenho a impressão que eu não ajudei muito. Ao invés disso, levantei mais questionamentos. Por isso, se eu tivesse que dar uma dica sobre por onde você deve começar, eu diria o seguinte: beba água sem gás e em temperatura ambiente antes do espresso. Se ele for ruim, beba água com gás logo em seguida. Se ele for incrível, da próxima vez, esqueça a água.

Você gosta de tomar água com gás antes ou depois do café? Como costuma tomar o seu espresso? Conte nos comentários.

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Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto: Pixabay

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Crema do café espresso: o que é, para que serve e como avaliar?

Hoje eu vou falar sobre a crema do café espresso. Uma das coisas mais emocionantes para um barista é fazer a extração de um espresso em xícara de vidro e observar cada detalhe daquela maravilha. Pode até parecer exagero, mas admito que mesmo em meu mau humor matinal, quando pego um espresso bem tirado,  eu consigo esboçar um sorriso e ainda dizer: “Gente, olha essa crema!”.

Todo mundo fica feliz com um bom café, mas você deve estar se perguntando o que essa tal de crema tem a ver com tudo isso. Lendo esse texto você vai perceber o quanto ela é importante e, ainda, arrisco a dizer que você nunca mais olhará para o seu espresso com os mesmos olhos.

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O que é exatamente a crema do café espresso?

Crema do café espresso: duas xícaras de vidro com crema na máquinaA palavra crema vem do italiano e nós a traduzimos para o português como creme. De forma simples e direta, ela seria aquela espuminha que fica na parte de cima do espresso. Porém, como nada é tão fácil assim quando falamos sobre café, podemos dizer que crema é o resultado de uma alquimia entre quatro elementos: café, água, pressão e temperatura. É a emulsão de microscópicas gotículas de água e óleo, de textura densa, com coloração de avelã.

Para que serve a crema?

Além de dar indícios de qualidade sobre o café, a crema tem como função preservar os aromas do espresso até que ele seja bebido. Por isso, quando você diz que não quer açúcar e mesmo assim o barista deixa uma colherzinha, ele apenas quer que você misture o café. Sim, isso mesmo! Dessa forma, o aroma e óleos essências vão se misturar e você vai sentir todas as características da bebida.

Como avaliar a crema do café espresso?

Crema ideal. Foto: Cinthia Bracco

A crema deve ter uma coloração que lembra avelã, quase que dourada. Além disso, deve ter uma certa espessura e não se desmanchar (ou “quebrar”, como nós falamos). Você vai notar que mesmo misturando com a colher, ela vai se refazer.

Se for muito escura, é sinal de um espresso super-extraído. Isso significa que a extração levou mais tempo que o necessário devido a alguma variável. Pode ser o excesso de pó de café no porta-filtro, por exemplo. Xícaras ou máquina muito aquecidas também podem “queimar” a crema, dando a ela esse aspecto mais escuro e sabor amargo.

Crema fina. Foto: Cinthia Bracco

O contrário também acontece: a sub-extração. Quando isso ocorre, a gente vai notar uma crema fina, que se desmancha rapidamente. Muito provavelmente esse espresso terá pouco corpo e sabor.

Bom, agora você já sabe qual é a primeira coisa a ser observada em sua xícara de espresso. Faça uma experiência visual e sensorial em diferentes lugares. Lembre-se também de questionar o barista. Alguns de nós adoramos falar sobre café e passar nosso conhecimento.

 

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto de destaque: Pixabay

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Eurobike Café traz nova experiência cafeinada para SP

Como você gosta do seu café? Ao começar o seu pedido, essa é a primeira pergunta que você vai ouvir na Eurobike Café. A proposta da nova cafeteria de São Paulo é proporcionar uma experiência única para quem ama cafés especiais. “Partimos do princípio que o cliente não entende sobre grãos e pode experimentar a bebida que ele gosta de uma forma diferente”, explica Flavia Fabbi, idealizadora e sócia da Eurobike Café.

O que você vai encontrar na Eurobike Café

Espaço interno da Eurobike Café, sofás de couro marrom, mesa grande com banquetas ao centro e balcão ao fundo.O espaço é super moderno, aconchegante e tem um toque rústico. Localizado dentro da concessionária da Audi, no bairro da Vila Nova Conceição, o lugar é todo de vidro e tem saída para a rua. Ou seja, não é preciso passar pelos carros para apreciar o seu café. Aliás, vamos falar mais sobre as delícias do cardápio.

Flávia conta que buscou as melhores referências de espaços norte-americanos e trouxe as comidas e bebidas mais emblemáticas e gostosas, sem deixar de ser saudável. Para se ter uma ideia, não usam nada industrializado e os chocolates dos produtos são sem açúcar. Além disso, trabalham com salgados funcionais, vários tipos de leite e têm opções para celíacos e veganos.

Na cafeteria estão disponíveis 3 tipos de grãos de café, sendo um orgânico e os outros dois de lotes variáveis, o que garante sempre uma novidade por lá. Vale destacar o Black Latte (R$ 15), considerado uma tendência no Reino Unido e na Austrália. A bebida é feita com carvão vegetal ativado, um ingrediente saudável, que ajuda a eliminar substâncias toxicas do organismo. Tem na versão quente e gelada. Provei e gelada, que vem com chantilly de café. Surpreendentemente bom!

Para acompanhar o cafezinho espresso, servem uma pipoca gourmet caramelizada deliciosa, inspirada na Garrett Popcorn, que é um sucesso em Chicago (a favorita da Oprah Winfrey). Além disso, tem o copo de cookie, que você pode adicionar qualquer bebida do cardápio e comer depois.

E tem mais: Waflle de Liège (referência nova-iorquina) (R$ 10,50), o Cinnamon Roll (R$ 10,50), cookies (R$ 6,50), donuts (R$ 8,50) e um sanduíche de presunto de parma com queijo da Serra da Canastra de comer de joelhos (R$ 20).

Tudo o que está no cardápio pode ser adaptado ao gosto do cliente e tem a opção “to go”, ou seja, dá para pedir e levar. Aprovadíssimos: cardápio e atendimento. Vale a pena conhecer!

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Eurobike Café

Rua Clodomiro Amazonas, 1012 – Vila Nova Conceição
De segunda a sexta, das 8h às 19h; Sábados, das 9h às 14h.
Telefone: (011) 2924-8995.

*Os preços foram checados na data de publicação desta matéria e podem sofrer alterações.

O que achou da Eurobike Café? Conte nos comentários e compartilhe com seus amigos usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo. 

Fotos: Divulgação/Fotos do Instagram: Fernada Haddad (Um cafezinho©)

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O cliente tem sempre razão?

Quem é que nunca ouviu a frase: o cliente tem sempre razão? Eu concordo, mas até certo ponto. Creio que para qualquer relacionamento dar certo é necessário que todos os lados façam a sua parte. Na relação cliente-estabelecimento não é diferente.

A gente se esforça bastante para oferecer um bom atendimento, mas sabemos que sempre é possível melhorar. Inclusive, algumas atitudes dos clientes podem nos ajudar – e muito!

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Vejam algumas dicas:

Decida primeiro, peça depois

É normal ter dúvidas sobre o cardápio, mas se você não faz a menor ideia do que pedir, não chame o atendente para ficar ao seu lado enquanto você escolhe. Outras mesas precisam de atendimento e o garçom sempre tem serviço. Para pedidos no balcão, é a mesma coisa. Lembre-se que há outras pessoas logo atrás de você.

Alterações no cardápio, sim. Criar novas receitas, não

Não se chateie se a gente não puder atender as quatro alterações que você pediu na bebida. Além de existir um cálculo para se chegar ao preço final, a gente trabalhou duro para desenvolver uma receita saborosa e equilibrada. Pequenas mudanças, muitas vezes, por alguma restrição alimentar são bem-vindas!

Adoramos conversar, mas estamos trabalhando

A nossa obrigação é dar o máximo de atenção ao cliente. Alguns, até viram nossos amigos e isso é muito legal! Porém, bom senso é tudo. Se a gente já fez o seu café com todo amor e carinho, mas não conseguimos ouvir a história do seu final de semana na praia, não encare como hostilidade. Guarde a aventura para contar numa outra hora que a cafeteria estiver mais vazia. 😉

Cortesia é só de vez em quando

Muitas vezes agradamos os clientes com algum tipo de cortesia. Um docinho, uma porção de leite, um pouquinho de geleia. Isso não significa que isso tenha que virar hábito. Pode parecer que um pedaço de bolo de graça não faz diferença, mas se a gente der uma fatia para cada cliente todos os dias…

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Jamais peça para abrir a porta depois que fechou

Depois que as portas da cafeteria se fecham, a gente ainda tem muito trabalho. Limpamos as máquinas, o ambiente, lavamos a louça, tiramos o lixo. A gente tem família, estuda, treina para se desenvolver, temos amigos e também gostamos de ir tomar café ou simplesmente descansar, porque nossa rotina é exaustiva. Tenha empatia sempre, em qualquer situação.

Respeito é tudo

Se nós sorrimos para você e falamos com educação, retribua com gentileza, não custa nada. Assim, o seu atendimento vai ser ainda melhor porque vamos reconhecer isso em você. Estamos lá para te servir, mas isso não quer dizer que a gente precisa ser mal tratado.

Pediu a conta? Pague

Na hora da conta, chame o atendente ou vá até o caixa e pague. Não fique conversando ou olhando no celular enquanto a gente está ali, em pé, com a máquina de cartão na mão esperando você terminar de falar sobre o cara do Tinder. Sério, pode ser constrangedor.

A gente espera que vocês tenham encarado essa DR de uma forma bem positiva! Como já foi dito, relacionamento é uma via de duas mãos. Por isso, faça suas críticas e conta pra gente o que ainda se pode melhorar quando o assunto é atendimento.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Foto: Pixabay

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O preço do café especial

Você já questionou o preço do café especial? Na cafeteria onde trabalho é só o que servimos. Sempre que aparece um cliente novo, a gente tenta explicar a proposta da loja e passar o máximo de informações sobre a bebida. Mesmo assim, algumas pessoas não entendem o motivo de termos uma pacotinho de café de 250g custando R$ 65. Alguns reclamam até do valor do espresso (R$ 5,50). Muitos locais servem café gourmet ou, pior, de commodity, e cobram mais que isso.

No final das contas, tudo acaba sendo uma questão de prioridade. Mas, é legal que as pessoas entendam a razão do preço do café especial. Vou compartilhar uma experiência que tive no Espírito Santo, na fazenda onde é cultivado esse café de R$ 65, o queridinho Paraíso.

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Preço do café especial: entenda o caminho do cafezal à xícara

Eu e mais três pessoas saímos de São Paulo numa manhã de sexta-feira. Depois de 14 horas de estrada, chegamos à região de Castelo. No dia seguinte, acordamos bem cedinho para continuar a nossa aventura. Nos encontramos com o Edmilson. Ele nos apresentou ao proprietário da fazenda, Rondineli Sartori, que também já tinha sido guia turístico lá.

O nosso destino era a fazenda do Paraíso. No caminho, foram nos contando um pouco sobre aquele cenário lindo e montanhoso, lotado de pés de café. Fizemos uma parada e tivemos o prazer de conhecer o Carlos Alberto Altoé, produtor do Café Vale do Caxixe, também especial.

Entramos numa sala com um balcão com diversos métodos, equipamentos para embalar e uma máquina de torra de 10 kg. É nela que o Carlos desenvolve os perfis de torra da sua produção. Ele fez questão de preparar uma café pra gente, na Hario V60. Pela janela, a gente conseguia ver um pequeno terreiro suspenso cheio de grãos de Catuaí Vermelho.

Saindo de lá, fomos ao Sítio Bateia. Conhecemos o irmão do Rondineli, sua cunhada e sobrinhos. Nós, um pouco tímidos, preocupados por estar incomodando em pleno sábado. Eles, orgulhosos, explicavam pra gente tudo o que podiam, das variedades às técnicas de poda. Até almoço nos ofereceram! Depois de comer, fomos morro acima conhecer o cafezal.

Lá eles fazem colheita manual seletiva, vão colhendo somente os frutos maduros. Isso significa que as pessoas da colheita precisam passar várias vezes em um mesmo pé de café. Feito isso, eles separam os lotes em seus dois pequenos terreiros para os processos de pós-colheita.

Toda a família participa da produção. As crianças estudam e ajudam nas tarefas do sítio. Até a sobrinha do Rondineli, de 10 anos, me disse toda feliz que é ela a pessoa que mexe o café no terreiro. Depois disso, vocês podem imaginar que minha responsabilidade aumentou na hora de extrair o café deles lá na cafeteria, não é?

Esse café, que teve cuidados minuciosos para que pudesse desenvolver as características de um grão especial, vai para a cafeteria onde trabalho. O mestre de torra desenvolve um perfil para que nós, baristas bem treinados, tenhamos a possibilidade de extrair o melhor desse café. É um cuidado que se tem desde a plantação até a extração. É muita dedicação e estudo para que a gente possa oferecer a xícara perfeita.

Existe ainda uma escala de pontuação que vai até 100. Para ser considerado especial, o café precisa atingir no mínimo 80 pontos. O Paraíso foi pontuado com 92. Esse é o resultado de toda uma cadeia de produção que justifica o preço do café especial na prateleira.

Como tudo acaba em pizza, o nosso dia por lá não foi diferente. Jantamos em uma pizzaria e, conversando sobre tudo o que tinha acontecido, concluímos que todas as partes desse processo possuem uma importância enorme. O barista tem uma tarefa que vai além de tirar um bom espresso. Ele é quem deve fazer o papel de contar ao cliente tudo o que envolve a produção de um café especial e como as pessoas que se mantém nesse ramo simplesmente amam o que fazem. E isso tem um valor que não se calcula.

Eu tive um dos dias mais legais da minha vida. O melhor foi saber que eles também gostaram de nos receber. Acho que foi uma troca bem interessante. Hoje agradeço imensamente por ter a sorte de viver em um país produtor de cafés tão bons e ter a possibilidade de ver de perto a origem disso.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Fotos: Cinthia Bracco

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Um dia de barista

Quando eu era de Marketing e Comunicação, achava um pouco complicado explicar para algumas pessoas o que eu fazia e a importância daquilo tudo para a empresa. Então, comecei a trabalhar com mídias sociais. Aí piorou… Tinha gente que achava que eu ficava o dia todo no Facebook aleatoriamente. Naquela época, que não é tão distante assim, eu mal podia imaginar que mudaria para uma profissão mais incompreendida ainda e mais desvalorizada. Afinal, o que faz um barista? Como é o dia de barista? 

No primeiro curso que fiz, já descobri um mundo totalmente novo e encantador. Ali mesmo eu percebi o longo caminho que eu teria que percorrer se eu realmente quisesse mudar de vida. Hoje, atuando na área, eu tenho a certeza de que, para ser um ótimo barista, é necessário muita dedicação e estudo constante.

Um dia algo muito curioso, digamos, aconteceu… Recebemos um cliente para passar o sábado com a gente na operação. Ele pode sentir na pele como é o dia-a-dia de um desses profissionais do café. Foi muito legal e ele se saiu super bem!

O nome dele é Fábio e ele vai contar agora um pouquinho de como foi essa experiência:

Como é o dia de barista

“Antes de chegar aos detalhes da minha experiência e do meu dia de barista, acho interessante fazer uma pequena introdução. Eu me chamo Fábio. Assim como a Cinthia, antes de passar pelo dia de barista, eu nunca tive nenhum contato com o atendimento em restaurantes e afins. Sou advogado, então toda a minha experiência profissional foi vivida em uma realidade totalmente diferente.

Fábio com o avental e a bandana no dia de barista na cafeteria.

Assim que cheguei ao café, me deram um espaço no armário, um avental oficial da cafeteria. Coloquei a minha bandana na cabeça e aí o coração começou a acelerar. Deu aquele nervoso na barriga… Exatamente o mesmo de quando se mudava de escola, de emprego ou de quando se vai apresentar algo em público, sabe?

Para a minha sorte, antes mesmo da abertura das portas, a primeira tarefa foi regular o espresso. Assim que as baristas me ensinaram o procedimento, extraíram a primeira dose de café e explicaram quais as características sensoriais eu tinha que sentir. Notei logo de cara que era uma atividade que eu conseguia me relacionar bem. Eu já tinha passado por isso em cursos, conversas e testes em casa. Essa familiaridade fez com que o nervosismo fosse embora quase por completo.

Com o espresso regulado, as portas se abriram e, aos poucos, os primeiros clientes foram chegando. Bem no início, me pediram para preparar o “café da casa”, que é um café coado preparado em um Hario V60, com um dos grãos torrados pela própria cafeteria. Ou seja, totalmente na minha zona de conforto!

Acontece que a zona de conforto não durou muito tempo. Logo, mais mesas foram ocupadas e eu já estava auxiliando com preparo de bebidas frias, separação de ingredientes e utensílios, lavagem de louças… E como lavei louça!

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O dia seguiu dessa forma, correria em todo momento e quase sem nenhum tempo para descanso ou conversas. São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo, que você fica totalmente focado nas suas responsabilidades, técnicas e limpeza. O tempo voa!

Só depois do expediente encerrado e de toda a arrumação é que consegui começar a digerir tudo que foi feito. Demora até para cair a ficha do cansaço, de tanto que fiquei estimulado pela rotina verdadeiramente dinâmica. Em retrospectiva, consigo notar que o conjunto de habilidades do barista está muito além do preparo e conhecimento do café.

No dia-a-dia você tem várias outras responsabilidades e interações. Notei que o entrosamento e confiança no resto do time são absolutamente necessários, assim como a atenção e o traquejo social no atendimento ao cliente.

Foi no meio dessa loucura toda que conheci um pequeno pedaço da rotina de um barista. Se tivesse que resumir, diria que foi a mesma sensação de quando tomei meu primeiro espresso com cafés especiais. Foi como tomar a pílula vermelha retratada no filme Matrix”.

Gostou de saber como é o dia de barista profissional? Deixe seu comentário.

 

Cinthia Bracco atuou quase 9 anos nas áreas de Comunicação e Marketing, mas não conseguiu fugir do que realmente queria o seu coração. Em novembro de 2016 tornou-se barista profissional e trabalha em uma cafeteria, em São Paulo, onde vem aprendendo e se desenvolvendo em sua nova profissão. É vegana, tem um Bull Terrier chamado Tofu, fã de Battlestar Galactica e simplesmente adora comer. Em seu tempo livre, vai a cafeterias (sim, o barismo acaba fazendo parte da vida), brinca com o cachorro, cozinha, assiste séries/filmes e cuida de suas plantas.

Fotos: Cinthia Bracco

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