Barista profissional

Estávamos em um final de semana cheio de compromissos e aqui perto de casa, em Blumenau, a Blum’s Kaffee, havia preparado um sábado repleto de atrações cafeínadas para comemorar seu primeiro aniversário.

Conseguimos reorganizar a agenda para pegar o finalzinho da festa: Um bate-papo com a Paula Varejão (Tá na hora do café – Canal Mais Globosat).

Chegamos, tomamos um suco – numa cafeteria da terra da cerveja (!) – e fomos pagar a conta. O bate-papo seria numa tenda externa e queríamos um lugar legal.

Depois de pagarmos, ganhamos 2 bilhetes para participar de um sorteio. Como havia duas urnas, a Ingrid colocou um ticket em cada uma delas.

Assistimos a palestra, tomamos os espressinhos que foram distribuídos, cantamos parabéns e ficamos um pouco mais para acompanhar o sorteio.

Quando disseram que uma urna era para os apreciadores de café e a outra para os “profissionais” do café, a Ingrid me olhou com os olhos castanhos arregalados. Não somos profissionais! E um de nós poderia ser sorteado. Até brinquei com ela, eu sou “meio” profissional do café, sou cronista do @umcafezinho.

No primeiro sorteio “não-profissional” alguém levou o prêmio. No segundo… ouvimos: “Ingrid é a vencedora!”. Lá foi ela fazer a foto oficial com a Varejão e receber as congratulações pelo prêmio (dois cursos de barista).

Por sorte, ninguém lembrou de perguntar: “Profissional de onde? Faz o quê?”.

Sempre achei o café dela excelente. É estudiosa, segue receitas a risca e tem alguns cursos da nossa bebida preferida no currículo. Depois da especialização que está por vir, ninguém sabe onde iremos parar. Voluntário e cobaia para experimentar os cafés, ela já tem.

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Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis”, entre outros.

marcelolamasbr@gmail.com
@marcelolamasbr

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Tenho medo de coach

Antes de escrever “medo” no título desta crônica fui checar meu dicionário Aulete:

Medo: emoção que se sente diante de um perigo ou ameaça.

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A colocação me pareceu correta, pois é realmente o que sinto quando vejo um coach por perto.

Não quero generalizar, mas tenho observado muita fluência para falar de quaisquer assuntos, passando por cima de profissionais especializados e experientes, dando a impressão de que resolvem qualquer problema, de todas as naturezas.

Quando publicamos a recente crônica “Não existe viagem perdida” em @umcafezinho, falamos sobre o hábito de ir em busca de novas cafeterias e uma leitora indagou: “Qual tipo de café vocês tomam?”.

Expliquei que era o pretinho básico – ou com leite, nada daqueles cafés cheios de “gororebas”, os que costumamos chamar de “não-cafés”.

Acontece que minha resposta não foi tão simples assim. Redigi um textão no bloco de notas e colei no comentário.

Depois fiquei com a consciência pesada, me sentindo meio coach.

Semana passada estava num restaurante com mesas muito próximas e sentou-se ao meu lado um sujeito que deixou a vida convencional e virou coach.

Eu só o cumprimentei e não olhei mais pra ele. Depois, fazendo uma analogia com outras situações de relutância social minha, matei a charada:

Há um ano, perdi uma votação caseira sobre a adoção de um pet. Como tive bronquite na infância, não podia ter bicho, nem tapete, nem cortina lá em casa.

Está escrito na cartilha que guardo até hoje. Então, partimos para resgatar uma felina cinza do OLX, a Berenice.

Desde o dia que ela chegou lá em casa, não consigo fazer nada sozinho. Nem tomar banho.

Não pude mais comprar minhas – preferidas – camisas pretas. Dizem que a gatinha me escolheu.

Imagine se me acontece o mesmo convivendo com um (uma) coach. Depois de fazer a primeira consulta não conseguir fazer mais nada sozinho?

Precisando de alguém para me ajudar a resolver um problema que eu nunca – nem – tive.

Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis”.

@marcelolamasbr

marcelolamasbr@gmail.com

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Não existe viagem perdida

Já escrevi sobre a mania lá de casa de sairmos a procura de cafeterias. É um tipo de passeio divertido porque já estamos calejados e tentamos não criar muitas expectativas, pois sabemos que os ambientes nunca serão como nos anúncios e fotografias do Instagram.

Falando em fotografias, sempre tentávamos achar o ângulo certo para pegar aquela fumacinha saindo do @umcafezinho bem quente. 

Por anos tive certeza que era a minha falta de qualificação para manusear a Nikon, embora tivesse lido todo o manual da câmera. Depois descobrimos através do programa da Paula Varejão – “Tá na hora do café” – Canal Mais Globosat – que a fumaça perfeita das fotos de café era proveniente de um cigarro escondido atrás da xícara. Um truque dos profissionais.

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Num inverno bem gelado, anos atrás, depois dos nossos expedientes, partimos para uma viagem até Curitiba. A meta era conhecer uma cafeteria no aeroporto Afonso Pena.

Se não tivéssemos imprevistos no trajeto de 180 km, daria tempo de apreciar o café da loja de uma marca bem famosa no setor. Deu certo.

Estacionamos, passamos bastante frio – o vento estava congelando até nossas almas – e entramos no saguão. Andamos nos dois andares e não avistamos a loja.

Não teve jeito. Tinhamos que perguntar no serviço de informações, pois já estávamos pensando que eu fora precipitado, que a loja nem havia sido inaugurada ou seria em outro aeroporto. Bem, cada um de nós foi montando a sua teoria.

Depois que parei de relutar – não gosto de pedir ajuda – fui me informar.

Sim! A loja já estava inaugurada.
Sim! A loja era ali naquela estação aeroviária.
O problema é que ela ficava lá na sala de embarque do aeroporto. E para acessa-la só com bilhete de voo em mãos. E nós não estávamos viajando para lugar algum.

Restou tomar nosso café num lugar escuro, com aquelas mesinhas de mármore frias e engorduradas. Sem glamour e sem fotografias para compartilhar. O café estava bom e bem quente – por isso aquela viagem não pode ser considerada “perdida”, afinal, na manhã seguinte, tomamos café da manhã em duas padarias diferentes. Comemos o salgado em uma e o doce dois quilômetros adiante. E bebemos um café em cada loja, obviamente.

Marcelo Lamas, cronista. Autor de “Indesmentíveis”, entre outros.
@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Foto: Depositphotos

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