Um café e um amor

– Você pode anotar seu e-mail aqui? – disse ele, me dando o celular, de repente.

Ele sempre fez perguntas que me pegaram de surpresa. Vai ver é justamente por isso que prestei atenção nele.

Pensei: – Quem é esse cara? Quem é que pede o e-mail de alguém em um lugar desse?

Até aquele dia eu gostava de outro, achava que esse outro era o amor da minha vida.

Rá. Mal sabia dos cafés que estavam por vir.

Sabe aquele dia que você não está a fim de sair de casa? Me contrariei e fui. Cheguei, peguei uma bebida e fiquei ali de lado a observar o ambiente, as pessoas. Era um bar badalado, gente bonita, mas eu só conseguia pensar na minha cama e no outro – com quem eu havia brigado dois dias antes.

Aí, veio ele cheio de sorriso pro meu canto e foi ficando, como quem não quer nada. Aquele dia não teve nada mesmo. Eu não queria nada. Nem sabia o que eu estava fazendo ali. Tanto era verdade que anotei meu e-mail errado.

Para a nossa sorte e dos cafés que estavam por vir, o amigo dele ficou com uma menina da minha turma. Ele me achou.

Ele estava indo passar um mês fora a trabalho, mas a conversa continuou, por e-mail, telefone, Skype, com perguntas do tipo: – Você dorme de meias? – O que você come no café da manhã? (Depois ele me contou que, assim como a pergunta do e-mail, era só para me chamar a atenção. Ele queria saber, mas a ideia era me fazer rir e me fazer estranhar mesmo cada uma delas para que, então, eu prestasse atenção. Deu certo).

Do segundo encontro em diante, teve sempre café. Acho que o que eu mais gostava era que, quando ele ia me buscar em casa, tinha sempre um copo de café mocha (meu preferido da Starbucks) no console do carro me esperando, com aquele lacrezinho verde espetado para não esfriar.

Na casa dele, a lembrança é daquele café de máquina com chocolatinho para acompanhar. Nosso último encontro não podia ser em outro lugar. Foi ali na Starbucks da Rua Gaivota, esquina com a Av. Pavão, em Moema.

Isso tudo só para dizer que dos melhores amores que tive, o que eles têm em comum é que vem sempre o momento do café na memória. No começo, no meio e no fim.

Alguns valem a pena guardar assim, só registrando as gentilezas e o cheirinho de café.

“Um café e um amor… Quentes, por favor!
Pra ter calma nos dias frios.
Pra dar colo
Quando as coisas estiverem por um fio”.

Caio Fernando Abreu

 

Tem algum amor que te lembra um café ou um café que te lembra um amor? Conte nos comentários.

Contador de cafés

Café número seis

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Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

Foto: Pixabay

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Meias-verdades

Dizer somente a verdade não é a maior virtude dos contadores de histórias. Faz parte da nossa natureza acrescentar algum detalhe ao original. Em muitos casos este já nos chega alterado, pois o interlocutor, por conta própria, tomou o cuidado de deixar o acontecido “mais fantástico” antes de compartilha-lo com o escritor.

Confesso que minha consciência pesa quando digo que escrevo sobre o cotidiano, pois a minha definição é uma soma de meias-verdades. Por vezes é uma soma propriamente dita, junto duas situações com similitude e escrevo uma crônica só.

Aconteceu com um amigo: ficou preso num motel porque faltou energia elétrica e noutra vez – com outra namorada, ficou preso porque estragou um ônibus na saída do estabelecimento. Tudo isso foi parar no meu livro e o sujeito aparece com uma noiva na noite de autógrafos, que não poderia saber da presença dele na escritura e eu tendo que disfarçar, não podendo dar aquele efusivo abraço de agradecimento, que as demais personagens receberam. Apenas seguimos a máxima do professor Leandro Karnal: “Mentir é indispensável ao convívio social”.

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Outro dia, voltei de uma viagem corrida e trouxe para a namorada um café moído, comprado por sete reais, num posto de beira de estrada. Quando perguntei se o café era bom, o fiz esperando uma resposta “social”, escapista. Porém, ela pegou a lata com o café, abriu a tampa, colocou perto de mim – de modo que sentisse um cheiro forte de queimado – e perguntou: “O que tu achas?”.

Um recente estudo da Universidade de Oakland – Califórnia, apontou que cerca de 5% das pessoas mentem para promover o humor (despertar o riso nos outros). Depois que li o artigo, passei a dormir mais tranquilo.

 

MARCELO LAMAS é de uma família com mentirosos notáveis. Se tiver uma competição caseira, o autor não alcançará o pódio. Autor de Indesmentíveis, entre outras verdades.

@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

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Café 5 – Sobre não fazer planos no banheiro

Outro dia li assim: café ajuda quem dorme pouco e sonha muito. Não encontrei a autoria, mas imediatamente me lembrei da Eva. Eu e Eva nos conhecemos na Bahia, tomando um cafezinho. E foi com ela que aprendi sobre não fazer planos no banheiro. Parece louco, mas vi algum sentido.

Explico.

Estávamos conversando sobre a vida, nada específico. Eu, ela e minha irmã. Ela, a Eva, uma mulher visivelmente forte, cuida de duas filhas adolescentes sozinha e nos contava resumidamente e com muito bom humor – o que ela tem de sobra – sobre como foi para chegar ali. Eis que, do nada, a Eva nos perguntou:

– Vocês não ficam sonhando e fazendo bons planos para a vida enquanto estão tomando banho, né?

Eu e minha irmã nos olhamos e rimos, dando a entender que sim. E ela logo continuou, séria:

– Olha, vocês não deviam fazer isso. O que tem de baixo do banheiro é esgoto. O banheiro é um lugar onde a gente se lava, se renova. A gente deixa lá o que não serve mais. Não é lugar de ficar horas e horas pensando e sonhando sobre as coisas boas que queremos para a nossa vida. Tomem banho, escovem os dentes, façam suas necessidades e só.

Fiquei pensando sobre isso naquele dia e, desde então, penso sempre que entro em qualquer banheiro. Se isso tem ou não algum efeito imediato na vida, não sei. Mas, vi algum sentido nas palavras da Eva.

Já tive muitas ideias boas enquanto tomava banho. Isso ainda acontece. Entro com uma questão, saio com uma solução. Espero que isso não mude. Vai ver é porque, ao sair do banho, tudo fica mais limpo, inclusive as ideias. Meu compromisso, a partir de agora, é de tirá-las dali o mais rápido possível.

Continuo dedicando os meus minutos sonhando acordada e fazendo planos para a vida tomando um cafezinho ou antes de dormir. No banheiro, me concentro naquilo que não preciso mais, naquilo que não quero mais. Afinal, é legal fazer planos e sonhar com aquilo que a gente deseja, sim. Mas, também é tão ou mais importante ter bem definido aquilo que não queremos mais. Se água e sabão resolve, pode ser. O exercício é interessante.

Conte aí: você tem esse hábito de fazer planos no banheiro? Divida sua opinião nos comentários. 

 

Contador de cafés

Café número cinco

Esse texto foi escrito no aeroporto de Salvador, na Bahia, no dia 25 de maio, na volta na viagem em que conheci a Eva.

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Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

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Café com açúcar

O apreciador(a) de cafés mais erudito pode nem chegar ao final desta linha. Pode desistir da leitura achando ofensa a suposta sugestão deste cronista (Açúcar ou adoçante, senhor?). Não é bem isso.

Na semana passada visitamos a Fenadoce, em Pelotas / RS. A tradição começou logo na fundação da cidade, quando os navios levavam o charque (carne salgada) para o nordeste e de lá traziam grandes volumes de açúcar que eram transformados em doces finos, confeccionados à base de gemas de ovos – as claras eram usadas para engomar – no interior dos casarões dos barões e baronesas e servidos em festas, banquetes e saraus. A origem doceira portuguesa foi se transformando com a criatividade das etnias africana, alemã, italiana, polonesa, libanesa, francesa e árabe do sul do Brasil.

A combinação de um bom café com o quindim -estrela principal da Fenadoce – é imbatível. Só experimentando para sentir. Você também pode escolher outros doces da enorme lista com indicação de procedência e selo do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) que garante e padronização e qualidade.

Em Pelotas não há chimarródromo, como se poderia imaginar para uma cidade do extremo sul. Em contrapartida, o Café Aquários é patrimônio histórico e cultural da cidade de cerca de 350 mil habitantes. Ali é servida uma essência de café concentrado que é misturada com água quente em xícaras previamente escaldadas numa caldeira gigante, num ritual típico das residências pelotenses.Outro lugar de destaque é o Espaço 35, que serve cafés de torrefação própria com tradição de várias décadas e cuja moderna cafeteria tem um ambiente que é referência nacional.

Como a próxima Feira Nacional do Doce só acontecerá daqui a um ano, quem quiser aparecer antes para uma aventura gastronômica, não irá se arrepender. É só chegar e baixar o aplicativo Pelotas Tem! Palavra de Pelotense.

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Marcelo Lamas é apreciador de cafés e de doces. É gaúcho com cidadania catarinense e bairrista, como se vê. Autor de Indesmentíveis (Camus Editora), entre outros livros.

@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Foto: Marcelo Lamas

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Café corporativo

Recém-chegado ao mercado de trabalho, como estagiário em um escritório, consegui deixar a Termolar azul deslizar das minhas mãos e cair no chão. Lembro bem da cena: o café preto se esvaindo no carpete marrom – e junto dele minha chance de ser contratado.
Fiquei assustado e congelei diante da cena, mas uma moça que sentava pertinho do cafezinho da firma, viu a situação, tirou um pano não sei de onde, e rapidinho estancou a sangria.

E foi justamente a moça que mais me zoava, que nunca pronunciava meu nome e só usava a alcunha “o estagiário”. Tinha a impressão de que era a mais mal humorada do escritório.

Depois daquele ocorrido, percebi que a aparente indiferença não passava de uma brincadeira, a qual não tinha maturidade para perceber.

Foram muitos cafezinhos até que se iniciasse uma amizade que já passa de duas décadas. Sei de casos de conversas por ali que foram parar em altares.

Ouvi um empresário dizer que conseguia medir a situação do mercado pelo consumo de café do escritório, nos meses em que havia mais consumo o pessoal estaria com menos trabalho, ou seja, o setor econômico que ele atuava estava em baixa.

Falando em café de firma, encerro com a frase famosa de Abraham Lincoln (1809-1865): “Se isto for um café, por gentileza, me traga um chá; mas se isto for um chá, por favor, me traga um café”.

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Marcelo Lamas é cronista. Seu trabalho no escritório e suas viagens corporativas são regadas pelos cafezinhos de firma (de todos os naipes). Autor de “Indesmentíveis” (Camus Ed.), entre outros. Aqui, escreve quinzenalmente, sempre às quintas-feiras.  

@marcelolamasbr
marcelolamasbr@gmail.com

Foto de destaque: Pixabay

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Café 4 – Sobre a capacidade de ouvir o outro

Seja na rede social ou na vida real, estamos vivendo no meio de um diálogo de surdos. (Li esse termo em um artigo e tenho observado muito). Todo mundo só quer falar – ou berrar – o que convém na hora que deseja, quase sempre de si. Só falar. Já reparou?

Estamos perdendo a capacidade de ouvir o outro. Falamos o tempo todo sobre nossas opiniões, sobre o que somos, sobre o que sabemos, sobre o que é importante para nós e nos esquecemos de nos interessar pelo que o outro diz. Uma atitude simples e complementar que pode nos fazer rever conceitos, mudar de ideia e progredir está desaparecendo.

Essa falta da capacidade de ouvir talvez possa ser o motivo de tantos discursos de ódio que circulam por toda parte, especialmente na internet. Se você nunca parou para ler os comentários de matérias que circulam pela rede, nem sei se seria uma boa da minha parte sugerir. As pessoas, que se acham blindadas pelas telas dos seus computadores, vomitam grosserias, palavrões, preconceito, ódio. Tudo isso por nada, de graça, refletindo fortemente aquilo que elas têm dentro de si.

Se lembra do caso da Maju, a moça do tempo do JN, ou da atriz Taís Araújo, que foram atacadas com palavras racistas em seus posts?

A comunicação em geral está cada vez mais violenta, não só pela web, e isso é um problema. No nosso próprio dia a dia, muitas vezes, respondemos com ataque a qualquer tentativa de diálogo. Atacamos sem ouvir o outro porque julgamos rapidamente qualquer que seja o discurso sem atenção. Não escutamos com a intenção de entender e sim com a intenção de responder.

Pegando a responsabilidade das nossas ações para nós mesmos, e se a gente começar a prestar mais atenção para o que o interlocutor está falando e parar de reagir de imediato? Cada um tem seu certo e seu errado. Cada um foi criado de uma maneira. Podemos começar com respeito, no sentido literal da palavra. Segundo esse mesmo artigo que citei no início, a palavra respeito significa “olhar de novo”. “Re” significa que algo vai acontecer de novo; “spect” significa ver.

“As pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelo modo que as veem”, Epicteto.

A perda da capacidade de ouvir genuinamente o outro está calando os diálogos. Será que o interlocutor está com os dias contados?

Como anda a sua capacidade de ouvir? Já pensou sobre isso? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe nas redes sociais usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo. 

 

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Café número quatro

Esse texto foi escrito durante vários dias, em vários lugares e vários cafés.

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Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

Foto: Pixabay

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Café 3 – Como você usa seu tempo?

O segredo da vida é saber desfrutar da passagem do tempo. Recebi um cartão com essa frase no meu aniversário de 28 anos no quarto do hotel onde eu estava com a família, em Gramado. Ao procurar pela autoria enquanto escrevia esse texto, achei o trecho na música Secret o´ Life, do James Taylor.

Você desfruta bem da passagem do seu tempo? Pergunto porque foi a partir desse cartão que eu passei a pensar conscientemente sobre isso. Antes, com os pensamentos desorganizados, eu só sabia me expressar sobre isso em forma de reclamação.

Eu achava bonito estar sempre ocupada, trabalhando sempre aos feriados e finais de semana. Nos raros dias em que eu não precisava trabalhar, tudo o que eu queria era ficar na cama para compensar as horas de sono perdidas. Sempre dizia: “faz parte do ofício. Escolhi ser jornalista ciente disso”.

Para qualquer programa que não fosse trabalho, era constante dizer:

– Estou cansada, não tenho tempo. Na semana que vem eu vou.

– Hoje não posso, vou trabalhar até tarde.

– Queria ir, mas não vai dar. Troquei meu plantão e vou trabalhar todo o final de semana.

– Hoje não vai dar. Esse é o único final de semana livre, preciso dormir.

Estava tudo errado. Eu vivia esgotada e achava que era o trabalho que fazia isso. Até o dia em que me dei conta de que a responsável era eu mesma. Eu mudava de trabalho e o problema era o mesmo. Era eu que deixava isso acontecer. Afinal, o tempo é meu, né, gente?

Se pergunte: como você usa seu tempo hoje?

Hoje, depois de mudar muita coisa (isso é assunto para outro texto), minha relação com o tempo vem mudando.

Parei de valorizar a pressa. Valorizo cada cafezinho, seja sozinha ou acompanhada. Procuro ouvir atentamente cada pessoa que se dirige a mim, sem ficar pensando no que tenho que fazer depois. Parei de brigar com o relógio ou com as pessoas quando estou inevitavelmente atrasada para algo. Isso acontece. Se posso, vou a uma exposição que quero muito ou ao cinema no meio da tarde e no meio da semana, sem culpa. Pratico o ócio sem culpa. Faço o que gosto sem culpa.

“Tempo é o tecido da nossa vida, é esse minuto que está passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais próximo da morte. Portanto, eu tenho direito a esse tempo. Esse tempo pertence a meus afetos. É para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis. Isso é o tempo”. Antonio Candido

E você, tem tempo para fazer as coisas que te deixam feliz? Ou vive dizendo que não tem tempo para nada? Tá na hora de pensar em como você usa seu tempo, não? Conte sua opinião nos comentários. 

 

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Café número três

Estou escrevendo de Itaparica, na Bahia. Dia 21 de maio de 2017, às 16h03.

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Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

Foto: Pixabay

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Vício

O sujeito chegou perto do meu posto de trabalho e mandou:

– Bem acompanhado, hein? Está saindo com a viciadinha?

– Ãh!?

Antes que esse diálogo acabasse, alguém o chamou para atender um telefonema e a conversa ficou inacabada.

Fiquei assustado com a acusação feita pelo sujeito, mas não quis voltar ao assunto para não parecer desinformado. Naquela noite que saí com a Ingrid, ela disse que não bebia álcool e pediu um suco de melancia. Qual vício seria? Certeza que era ilícito!

Quanto a mim, tinha omitido a coleção de camisas de futebol. Se soubesse disso, talvez a gata tivesse me desclassificado. Preferi falar da perseguição às livrarias e bibliotecas, o que contaria mais pontos para a conquista, pois a conheci numa livraria, sentada, empunhando uma xícara e sorrindo pra mim (ou de mim), acompanhada de uma amiga em comum.

Cheguei a pensar em puxar conversa com meu colega e descobrir o vício dela, mas resisti, pois tínhamos combinado um happy hour.

Curioso e preocupado, após as formalidades das saudações, mal tínhamos sentado, fui direto:

– Nem falamos de vícios no sábado, né?

Ela deu um sorriso amarelo e rebateu:

– Vícios?

– Sim, vícios! Eu, por exemplo, coleciono camisas de futebol. E você, é viciada em que?

– Ahmmm… Até pegam no meu pé por causa disso…

– Sério! E o que é?

– Café!

– Café? E café pode ser vício?

– Pode sim! Além de apreciar a bebida, coleciono tudo que há a respeito: xícaras, bules, embalagens vazias, latas, quadros, revistas, livros, fotografias, coadores, guias e até minha caricatura na parede feita com café.

No dia seguinte, chequei com meu colega, se o vício era mesmo a bebida que só perde para água em consumo. Ele confirmou! Sendo sabedor de que era algo lícito, dentro de semanas, atamos um namoro sério.

Com a convivência estou descobrindo um mundo novo, desconhecia até as válvulas para apreciar os diferentes aromas de cafés nas prateleiras dos supermercados. Quando viajo a trabalho, não deixo de procurar um café regional para apreciarmos seja feito no coador de pano, sifão, aeropress, prensa francesa ou na Hario V60.

Aos poucos estou me familiarizando com os termos dos “Coffee Lovers”. Estou treinando o meu paladar, até o distinto café do jacu experimentei – e só depois ela me contou a origem. Fizemos algumas viagens para atestar as sugestões e a minha avaliadora particular é bem rigorosa com o tratamento que os baristas dão aos grãos.

Frequentamos semanalmente um cinema que tem uma ótima loja de cafés ao lado. Ainda não sei se ela me acompanha porque pegou gosto pelos filmes – outro vício meu – ou se vai por causa do espresso que tomamos antes da sessão.

Outro dia, conversávamos sobre o futuro e combinamos: se tiver matrimônio, os convidados serão agraciados com um bom café no cardápio.

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Marcelo Lamas é cronista há 20 anos. Autor dos livros Indesmentíveis, Mulheres Casadas têm Cheiro de Pólvora e Arrumadinhas. Aqui, escreve quinzenalmente, sempre às quintas-feiras. E-mail: marcelolamas@globo.com

Foto: Pixabay

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Café 2 – Vamos falar sobre postar fotos nas redes sociais

Pega um cafezinho aí e vamos falar sobre postar fotos nas redes sociais. Não vou me estender muito. As fotos nas redes sociais refletem, na maioria das vezes, uma ilusão de como gostaríamos que fosse a vida todos os dias, mas a gente sabe que não é bem assim, né? Se não sabe, deveria.

Veja esse vídeo antes de continuar:

A gente precisa se lembrar que ninguém é feliz 24 horas por dia, 365 dias no ano. A vida não é toda essa paisagem e ostentação, não. Vida que é vida tem altos e baixos, dias bons e ruins. Quem posta sabe disso. Quem posta sabe que, às vezes, é aquele #tbt de quinta-feira que traz alegria para uma semana ou dia que não foi tão bom assim, só pela oportunidade de lembrar do momento. Mas quem vê precisa ser lembrado, especialmente quando julga as fotos do amiguinho.

O que eu quero dizer com isso é que essa é uma questão que, na minha opinião, precisa ser trabalhada muito mais na cabeça de quem vê do que de quem posta. É bem aquilo de ter responsabilidade pela própria vida e pelas atitudes, sabe? Sinceramente, eu não gosto de ver fotos feias em rede social nenhuma. Quero mais é ver gente feliz, paisagens lindas, viagens incríveis, pratos de comida de restaurantes legais e por aí vai.

A nossa felicidade e autoestima não pode nem deve ser medida pela timeline do amigo que a gente julga ser mais bonito e interessante e que já teve a oportunidade de conhecer mais lugares pelo mundo. Talvez não seja ele que deva diminuir ou parar de postar o que bem quiser. Talvez seja o nosso olhar que precise ser melhor treinado para observar com mais carinho para as coisas boas que acontecem na nossa própria vida. Aposto que esse treinamento pode, inclusive, render fotos bacanas, sabia?

 

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Café número dois

Estou escrevendo do meu quarto, em São Paulo. Dia 14 de maio de 2017, às 20h03.

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Fernanda Haddad é idealizadora e editora do projeto @UmCafezinho. Formada em jornalismo, tem uma empresa de conteúdo e estratégia digital. Trabalhou no Grupo Bandeirantes por quase 5 anos, gerenciou o conteúdo do Universo Jatobá nos primeiros 2 anos de portal e trabalhou em outros projetos de Content Marketing para grandes marcas, em startup. Também é locutora e apaixonada por bulldogs e chocolate. Nas horas vagas, toma café, lê, vê um filme ou outro e escreve um pouquinho. Fernanda escreve às terças-feiras.

Foto: Pixabay

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Quotidiano

Semanas atrás, recebi da namorada um direct de uma postagem de @UmCafezinho dizendo que havia espaço para novos colunistas. Percorri todo o mapa do site, conheci o projeto e após trocar mensagens com a editora, a Fernanda, combinamos publicar textos nesse espaço.

E aonde iremos? Bem, a minha bússola aponta para o quotidiano. Este é o meu norte há mais de duas décadas colaborando com a mídia escrita. Prefiro grafar assim, com “qu”, já que a nossa língua portuguesa permite. Essa escolha tem motivo, pois assim como uma # (hashtag) apontaria para algo digital, o “quotidiano” me remete a uma história contada por outrem, que viu, ouviu ou, até mesmo, imaginou o acontecimento. E o passou adiante.

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O poeta – e jornalista – Mario Quintana (1906-1994) dizia: “Antigamente os cafés eram sentados e conversados e hoje não são mais”. Dizem que um café do seu Mario durava horas, no cantinho da redação. Depois de muita conversa ele redigia sua coluna (Caderno H) que ficava pronta na hora “h”, ou seja, quando a edição estava praticamente fechada.

A minha intenção é contar histórias que possam ser compartilhadas ali, na hora do café, seja na empresa, na cafeteria, na calçada ou na padaria. Nos encontraremos para um (Papo no) cafezinho quinzenalmente, às quintas-feiras.

 

Marcelo Lamas é cronista. Autor de “Indesmentíveis”, “Arrumadinhas” e “Mulheres Casadas têm Cheiro de Pólvora”. Colabora há mais de duas décadas com jornais e revistas do sul do País e aqui escreve quinzenalmente, sempre às quintas-feiras. Acredita que um café e um quindim é a combinação mais pedida na cafeteria do paraíso. E-mail: marcelolamas@globo.com

Foto: Marcelo Lamas (Quindim Imperatriz Doces Finos + Café 35. Este quindim é o original de Pelotas, tem selo de procedência e é sobremesa no Itamaraty. Dizem que já foram remessas encomendadas para a corte inglesa).

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