Loja Merci em Paris tem um café literário lindo

Café, livros, floricultura, moda, design e sustentabilidade na cidade luz. A loja Merci em Paris une tudo isso em cerca de 1500 metros quadrados. Quem me apresentou o lugar foi uma amiga que mora por lá e que sabe que eu amo cafés interessantes.

Na entrada, um Fiat 500 vermelho abarrotado de objetos chama a atenção e já é a marca registrada do lugar. A boutique vende peças de roupas multimarcas, acessórios, perfumes, móveis, obras de arte, livros, etc., desde 2009, mas o seu grande diferencial é a pegada solidária por trás do negócio.

Mornin’ coffee at the Used Book Cafe #coffeetime #usedbookcafe #merciparis #mercifiat500 #fiat500

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Loja Merci em Paris tem café e promove a compra de itens exclusivos com responsabilidade social

Marie-France Cohen e o marido, Bernard Cohen (falecido em 2010), são os fundadores da loja de moda infantil francesa Bonpoint. Tudo ia bem no negócio, mas eles buscavam algo com propósito.

A solução foi unir o que sabiam e amavam fazer com um projeto solidário. Criaram a Merci Foundation com o intuito de financiar, com parte das vendas da loja Merci, uma escola que ajuda crianças e mulheres em Madagascar. Era de lá que eles importavam os tecidos bordados usados na Boinpoint. A criação do projeto foi nada mais que a forma que encontraram de retribuir.

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Grandes nomes da moda como Stella McCartney, YSL, Azzaro, Alexis Mabille, Marni, Kris Van Assche e Paul Smith chegam a vender peças com valor 40% menor do que o das lojas próprias. Uma série delas são produzidas com exclusividade para a loja Merci em Paris.

Tem muita coisa com a pegada Vintage também. Para quem gosta de decoração, pode encontrar peças do Philippe Stark e cadeiras Bugatti, por exemplo. Há uma seleção de tudo o que é vendido ali e existem profissionais que se dedicam a isso com afinco. Os produtos precisam ter história, serem raros…

Depois de ver tudo isso, e comprar se você quiser, por favor pare para tomar um cafezinho.

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Uma pausa para o cafezinho no Le Used Book Café

Dentro da loja Merci em Paris você encontra um lugar super aconchegante para tomar um café ou um chá, ler um livro, conversar e descansar. Tem restaurante também, mas o que eu recomendo é o Le Used Book Café (aqui no link tem o cardápio), uma cafeteria entre mais de 10 mil livros.

Você pode ir para fazer um lanche com um amigo, para um almoço rápido antes de continuar a turistar, para descansar das suas compras… Não importa, mas vá. Você pode comprar livros usados ali por 2 euros.

Será que você já viu?

Uma das coisas que eu mais amo em Paris é que tem metrô fácil em todos os cantos. O Le Used Book Café funciona das 10h às 18h. 

Comprar coisas para levar em viagens não é muito o meu forte (a menos que seja café, chocolate e vinho), gosto mesmo é de usar meu dinheiro para experiências. Como muitas delas têm a ver com café, é para compartilhá-las que eu uso esse espaço aqui.

Merci

111, boulevard Beaumarchais, Paris (estações de metrô: Filles du Calvaire, Oberkampf e Saint-Sébastien-Froissart)
hORário de funcionamento: de segunda a sábado, das 10h às 19h30.
Telefone:  01 42 77 79 28

O que achou da loja Merci em Paris? A cidade luz é cheia de atrações incríveis e esse é um dos lugares mais legais que conheci. Você já tem planos de fazer uma viagem para a França em breve? Faça sua pesquisa de passagens e hospedagens diretamente aqui. Tem uma caixinha do Booking logo aqui do lado (se você está lendo pelo computador) ou aqui em baixo (se você está lendo pelo celular). Compartilhe nas suas redes sociais usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo. Ah, e comenta aqui se você gostou. Vou adorar saber. 

Fotos: Fernanda Haddad ©

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Xícaras feitas com borra de café são feitas por startup alemã

A borra de café pode ser reaproveitada de muitas maneiras. O designers por aí estão usando e abusando da criatividade para nos oferecer soluções lindas e sustentáveis. Essa é, aliás, uma característica forte desses produtos porque a matéria-prima vem de um material que iria para o lixo. Engana-se quem pensa que, por isso, a estética é prejudicada, como é o caso dessas xícaras feitas com borra de café. Vou falar sobre esse e outros produtos a seguir:

Acessórios, louças e xícaras feitas com borra de café

Sendo o café a segunda bebida mais consumida do mundo, dá pra imaginar o quanto de borra de café é descartada todos os dias no mundo? A startup alemã Kaffeeform é a responsável pela criação dessas louças e xícaras feitas com borra de café desde 2015.

O designer Julian Lechner passou 3 anos desenvolvendo o produto, que é composto também de serragem de madeira sustentável e cola natural. Além de resistir à máquina de lavar louça, os itens têm um leve cheirinho de café.

Assista:

Os preços variam de 15 a 20 euros, mas, por enquanto só são vendidos na Europa.

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Marca brasileira investe em biojoias e itens de decoração feitos à partir da borra de café

A Recoffee Design é uma marca brasileira que aposta na borra de café para fazer seus produtos. O café que iria para o lixo é misturado com aglutinantes naturais para a confecção de biojoias, peças de decoração e até revestimentos para acabamento de construção.

A Recoffee Design tem um e-commerce e os produtos são entregues em todo o Brasil. O preço dos brincos, por exemplo, varia de R$ 95 a R$ 185. Itens de decoração estão disponíveis a partir de R$ 35.

A criatividade e a inovação podem nos fazer ver até um simples cafezinho de outra forma, nos ajuda a enxergar além. Quem disse que material reaproveitado não pode ter design de qualidade? Não são lindas esses produtos e xícaras feitas com borra de café? Conte sua opinião nos comentários. 

Fotos: Divulgação

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Café e sustentabilidade

Já diziam nossos avós: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. Esse sábio ditado, que facilmente pode ser usado nos dias de hoje, se aplica não somente às pessoas, mas também aos lugares que frequentamos.

Outro dia fui à uma cafeteria  que abriu num shopping perto de casa. É uma gracinha e tem uma vitrine de doces de encher os olhos, mas também tem atendente bufando porque nitidamente está sobrecarregada e quando fui ao balcão pagar, a pessoa que aparentava ser o dono, permaneceu no celular sem olhar para a minha cara. Quando a atendente deu um toque nele, sem tirar os olhos do aparelho, fez sinal para a gente esperar. Depois de terminar o que estava fazendo, foi me atender e deu bronca na funcionária, na minha frente, por ela ter escrito meu nome errado na comanda.

O que quero dizer com essa história é que, no meu ponto de vista, uma cafeteria para ser boa de verdade deveria se preocupar além do café. Isso porque, hoje em dia, temos consumidores mais atentos e mais conscientes, além da concorrência crescendo. Não apenas isso, mas pensar em um negócio sustentável, por exemplo, é querer que todas as partes se deem bem simplesmente por uma questão ética e justa.

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Você sabe o que é sustentabilidade?

Outro dia vi uma live de uma grande figura do mundo café, que tinha ido à um simpósio internacional, e estava compartilhando sua experiência. Entre outras coisas, ela contou que um dos temas abordados foi a sustentabilidade e, com isso, ela percebeu que o conceito ainda é confuso na cabeça da maioria.

As pessoas e empresas têm esse tema relacionado unicamente ao meio ambiente. Dessa maneira voltam seus esforços para projetos como troca de sacola de plástico pela de papel, por exemplo. Algumas até fazem isso aleatoriamente apenas para se encaixarem em algo que está sendo muito discutido.

No entanto, a sustentabilidade é mais que isso. Há um modelo chamado Triple Bottom Line que engloba três pilares: ambiental (como já sabemos), econômico e social. Assim, para uma empresa – no nosso caso, uma cafeteria – ser sustentável, ela deve fazer com que esses três pilares interajam e convivam de forma harmoniosa, dentro de suas possibilidades, claro.

Tripé da sustentabilidade – Meio ambiente, sociedade e economia. Foto: Depositphotos

O café e os pilares da sustentabilidade na prática

Ambiental

Minimizar ao máximo os impactos ambientais. Isso não se refere apenas ao que está dentro da cafeteria aos olhos do cliente, como abolir os canudos e colocar lixeiras de coleta seletiva. Essas atitudes são importantes, sim, mas para ser sustentável precisamos ir além.

É necessário saber como os fornecedores trabalham. Não adianta  comprar copos de papel de alguém que descarta resíduos desenfreadamente no meio ambiente. Repare se mesmo podendo abrir janelas e persianas para usar iluminação natural, o local prefere manter as luzes acesas. É importante também que as cafeterias façam um planejamento para não desperdiçar alimentos.

Esses são apenas alguns exemplos para explicar que tudo o que envolve o negócio, direta ou indiretamente, deve estar em sintonia com a questão do meio ambiente. São muitos detalhes e, às vezes, demanda investimento de tempo e dinheiro. Trocar um fornecedor por outro ecologicamente correto pode ter um custo no final do mês e pesar no bolso.

Econômico

Buscar soluções para o desenvolvimento de um negócio sem que isso agrida os ecossistemas ao seu redor não é fácil, mas isso, ao invés de ser encarado como um problema, deveria ser um desafio.

A sustentabilidade se baseia no equilíbrio e quando falamos da parte econômica, significa que a empresa deve manter uma competitividade justa com relação aos concorrentes, de maneira que respeite a sociedade e o meio ambiente. Um bom administrador preocupado com esses temas vai saber lidar com isso de maneira que o negócio não deixe de lucrar e crescer.

Não adianta a empresa ter um preço competitivo e se desenvolver economicamente se isso é feito através de más condições de trabalho.

Social

O capital humano que está relacionado com as atividades da empresa, seja ele os funcionários, clientes, fornecedores, a comunidade e a sociedade de maneira geral, é o que define o pilar social da sustentabilidade.

Lembram da atendente da cafeteria que eu comentei ali em cima? Ela se encaixa muito bem aqui. Além de eu ser ignorada pelo dono, naquele dia eu já percebi que o local não valoriza e desrespeita seus funcionários. Por isso, nem vou mais nesse lugar.

O dono desse café deve achar que já faz muito por essa moça por pagar VR e VT, quando na verdade isso é obrigação. Uma cafeteria cuida bem de um barista, por exemplo, quando oferece um espaço decente para comer, descansar, se desenvolver e quando se preocupa com um salário um pouco mais justo ao invés de pensar somente na média.

O social não é só recolher agasalhos na época de frio para ter uma boa imagem perante o cliente. Isso é legal, ainda mais se for feito de coração, mas o social começa dentro da empresa. Como um negócio pode se preocupar com as demais pessoas se não dá valor para quem faz sua empresa funcionar? Estranho, né?

Sei que vocês gostam de dicas de lugar para conhecer ou de como preparar café em um determinado método. Eu também adoro falar sobre isso, mas sustentabilidade é algo que precisa ser dito e que a gente tem que começar a prestar mais atenção.

Se eu como barista, vocês como consumidores de café, e todo mundo que faz parte dessa cadeia deixar isso pra lá, o produtor vai ser mal pago e vai resolver plantar outra coisa. O barista ou mestre de torra sem condições descentes de trabalho vai desistir da área e a mão de obra qualificada vai ficar escassa. O serviço nas cafeterias vai decair e isso vai chegar até o cliente.

O que eu proponho é um exercício de observação nas cafeterias que vocês já frequentam. Converse com os baristas, peça para visitar a cozinha (isso é direito do consumidor), veja se há muita rotatividade de pessoas, repare quais são as preocupações com o meio ambiente e nas ações que esses locais fazem para apoiar a comunidade. Dê sugestões e faça críticas, vamos construir isso juntos. O Sofá Café tem um projeto lindo chamado Fazedores de Café, vocês conhecem?

Qual outra cafeteria tem um projeto assim? Pensando nessas questões e na relação entre café e sustentabilidade, qual cafeteria vocês indicariam ou qual fez uma ação legal? Conta pra gente!

 

Cinthia Bracco é filha e neta de boleira e salgadeira. Atuou por 9 anos nas áreas de Marketing e Comunicação, mas não conseguiu fugir de seu destino. Assim como a mãe e a avó ingressou na área de gastronomia depois de ter se apaixonado pelo café. Em Novembro de 2016 tornou-se barista profissional e hoje está trabalhando em um dos maiores projetos de sua vida: ter a própria cafeteria. É vegana, adora comer, tem um Bull Terrier chamado Tofu e é fã de ficção científica, especialmente Battlestar Galáctica.

Foto de destaque: Depositphotos

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