A verdadeira classificação do café

A diferença entre uma pessoa que escreve e outra, que não escreve, é que a primeira precisa estar atenta a tudo que acontece ao seu redor.

Mas engana-se quem pensa que essa atenção seja com os grandes fatos. É preciso estar ligado aos pormenores.

Ontem, recebi uma mensagem que trazia uma explicação sobre a importância de se fazerem listas, que ajudam na organização e  na produtividade.

A pessoa que me enviou, seguramente, já me flagrou tomando nota, no meio de uma conversa. Com certeza algum “pormenor” que poderia render uma história para este cronista.

Já disse nessa coluna, que só assinei o contrato depois de ter uma longa lista de assuntos sobre café, para não ter risco de não ter o que contar. Até hoje – quase quatro anos depois – não precisei recorrer a minha poupança.

A escritora Martha Medeiros disse em uma live que sempre tinha uns textos inéditos na manga, mas com a pandemia, aquelas crônicas da gaveta ficaram fora de contexto.

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Há muitas situações em que não foram a minha observação cotidiana ou minha lista de assuntos por escrever que preencheram o espaço da coluna. Foram os leitores que me enviam coisas incríveis, que são praticamente a crônica pronta.

Horas atrás, meu ex-colega de faculdade, Evandro, me enviou duas fotografias de vidros transparentes com café dentro. Daqueles que usamos em casa. Elas tinham fitas adesivas coladas, com uns dizeres, e a explicação a seguir (sic):

– “Lamas, fui no meu sogro e na hora de fazer o café me deparei com essas marcações. Ele disse que era o selo de qualidade que  colocava a cada café tomado, para não esquecer marcava data e marca, de um lado os bons de outro os ruins! Primeira foto são os ruins. Na segunda são os bons! Segundo o paladar dele.”. 

E os adesivos colados traziam todas as informações acima, para que o Sr. Marcos, o sogro do Evandro, pudesse tomar os melhores cafés.

Não é a classificação da ABIC, mas é a que lhe é acessível e lhe garante o prazer de melhor apreciar a sua bebida predileta.

Vamos compartilhar a foto do melhor classificado, caso o leitor queira experimentar.

A sabedoria popular não tem esse nome de “sabedoria” à toa. Aprendamos todos com os sábios que estão por aí. 

Marcelo Lamas é o autor de “Papo no cafezinho” (Design Editora), disponível aqui gratuitamente.

marcelolamasbr@gmail.com

@marcelolamasbr

Foto de destaque: Elesban Landero Berriozábal/Unsplash

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