Você conhece o seu barista?

Todo mundo sabe que o café é uma das bebidas mais consumidas no Brasil. Ele ocupa o segundo lugar no ranking, perdendo apenas para a água, de acordo com uma pesquisa divulgada pela Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café) em 2015.

O consumo do café cresce a cada ano e, além disso, novas tendências surgem, abrindo espaço para oportunidades dentro dessa área.  Um bom exemplo são os cafés especiais. Esse mercado tem crescimento aproximado de 15% ao ano e vem conquistando não apenas consumidores, mas também profissionais que descobrem um mundo envolvente de aromas e sabores.

Todas as pessoas que compõem o processo, da plantação até a xícara, possuem um papel fundamental para que você possa tomar um café de qualidade. Existe muito estudo e dedicação, horas e horas de trabalho.

Andrea, Gabriel e Cinthia

O nosso dia-a-dia é tão corrido que, muitas vezes, nem percebemos esses pequenos detalhes e não temos tempo de parar para pensar nas pessoas que, de alguma forma, fazem parte de nosso cotidiano.

Você, por exemplo, alguma vez já se perguntou quem é o seu barista? Nós achamos que não… Por isso, na estreia da nossa coluna, resolvemos contar um pouquinho de nossas trajetórias até chegarmos a ser profissionais, que amam o que fazem e que colocam muito carinho em cada xícara de café.

Cinthia, Positive Mental Attitude

Eu sou Cinthia, filha e neta de boleira e salgadeira. Cresci em uma cozinha caseira, vendo minha avó e minha mãe fazerem suspiro, coxinha, brigadeiro, bolo, empadinha. Sempre estive em contato com a área da gastronomia de certa forma, mas escolhi estudar publicidade.

Como consequência do apoio de meus pais e de meu esforço e dedicação, tive a oportunidade de trabalhar por quase 9 anos atuando em Marketing e Comunicação. Meu último emprego nessas áreas foi em uma ótima empresa, que oferecia um salário digno e diversos benefícios, inclusive GymPass, mesa de pebolim e vídeo game.

Porém, um dia parei para analisar e percebi que, mesmo tendo chegado numa posição legal, eu não me sentia completa. Então, nessa busca interior, resolvi entender um pouco mais sobre café, algo que já há algum tempo me interessava muito. Cursei o Barista Júnior no Coffee Lab. Me apaixonei, ali, naquele curso. Fui lá e fiz o Sênior. Aí, percebi que não era apenas uma paixonite de verão, era o que eu queria para a minha vida.

Entre sonhos e devaneios, um dia surgiu um post na minha timeline do Instagram, publicado pela Um Coffee Co.: Precisamos de Barista/Ajudante Geral. Eu, que já imaginava ser demais trabalhar nessa cafeteria, fiquei com aquela vaga na cabeça. Depois de muito pensar, resolvi mandar o meu CV.

Após três dias montando um currículo – afinal, como eu iria tentar explicar uma mudança dessas de carreira? -,  enviei o e-mail para o endereço indicado. Fui até a cafeteria duas vezes para entrevistas. E, desde o meu primeiro contato com eles, eu pensava todos os dias que eu ia conseguir. Eu queria muito estar lá, até troquei a senha do meu computador do escritório para UmCoffeeCo. Sério.

Então, num sábado de outubro, recebi o e-mail de um dos proprietários dizendo que eles tinham me escolhido. Eu fique tão feliz, mas tão feliz que até chorei de emoção. Juro que isso não é nenhuma técnica de storytelling, eu chorei de verdade! Assim começou minha vida como barista e a cada dia eu tenho mais certeza de que fiz a escolha certa.

Gabriel, Explorador

Escrever um texto nunca é fácil, principalmente quando ele é baseado em você. Digo isso porque antes de começar a digitar essas primeiras palavras me deparei com uma daquelas “lembranças” do Facebook. Um Gabriel com seus 25 anos, cheio de esperança, energia e praticamente fechando um acordo vitalício com o universo. Porém, como qualquer burocrata engravatado, o universo é alguém de quem você precisa duvidar. As coisas se perdem no meio do caminho, as escolhas se tornam maiores e as dúvidas crescem muito mais do que as certezas. Acho que esse pode ser considerado um dos principais motivos que faz alguém virar um barista.

Eu cresci em uma família em que todas as minhas ideias ganhavam reticências e alguém falava: “Ok Gabriel, se você quer mesmo construir uma máquina do tempo, iremos te apoiar”. Isso me deu a chance de explorar uma série de coisas, conhecer diferentes pessoas e testar o máximo de possibilidades possíveis. Foi aí que me deparei com o universo do café e, consequentemente, com o Barismo. Depois de perambular por diferentes carreiras, achei que precisava mais. Tinha que me reinventar de alguma forma e começar do zero de novo. Fiz um curso de barista e, em pouco tempo, já estava empregado. Além de conhecer pessoas incríveis as quais gostaria muito de guardar dentro de um potinho e carregar por aí, a profissão já me possibilitou expandir diferentes sensações, que estavam hibernadas dentro de mim, e até mesmo um talento despercebido.

Ainda é cedo para dizer que ficarei nesse ramo para sempre, mas no momento o café e tudo que o rodeia tem sido meu ópio durante esses últimos meses e, pelo andar das coisas, acho que esse vício ainda tem muito para render.

Andrea, Punk Rock Girl

O café apareceu na minha vida em 3 ondas. A primeira por volta dos 5 anos de idade. Nesta época eu morava num sobrado cor de rosa pastel, cujo chão era um mosaico de tijolinhos vermelhos, amarelos e pretos. Sendo a mais velha de 3 irmãos, sobrava sempre para mim ajudar nos afazeres domésticos.

Não podia tomar café porque era muito nova, mas tinha de servi-lo para as visitas e, foi numa dessas ocasiões, que acabei derrubando uma bandeja cheia de xícaras de café em mim mesma. Veja bem: minha mãe nunca respeitou o limite de temperatura da água de 90 a 100 graus, ela sempre a fervia bem antes de coar o seu café tradicional. O acidente acarretou em uma cicatriz que carrego até hoje.

A segunda onda se deu na minha adolescência quando, diagnosticada com gastrite nervosa e início de úlcera, tive de começar um tratamento médico com uma dieta bem restrita. Nessa época eu gastava todo o meu salário em CDs, revistas musicais da “gringa” e equipamentos para a minha banda riot grrrl. Lógico que sempre guardava uns 10 “conto” por semana para os meus prazeres proibidos – junk food e café de padoca.

Caro leitor, vamos esclarecer uma coisa: se você tem úlcera, beber um café preto tradicional, daqueles carbonizados mesmo, é a coisa mais punk rock do universo, cara! E eu fui uma adolescente bem punk rock.

A terceira onda foi mais uma tsunami, dessas que destroem tudo e te fazem recomeçar do zero. Sou geração X, nunca tive medo de mudar de carreira. Já fui secretária, fotógrafa, assistente pessoal, professora de inglês e tive um brechó e loja de acessórios. Quando ser dona do próprio negócio parou de ser lucrativo, acabei fazendo uns extras nos finais de semana para ajudar no orçamento. Hostess, bartender, garçonete, o que aparecesse…

Até que acabei descolando um trampo de bartender num café bar que trabalha com cafés especiais. Foi paixão ao primeiro gole. A partir daí, fiz curso de barista, de métodos de preparo e de águas (Sim! Existe um curso que explica como os diferentes tipos de águas influenciam no café, mas isso é assunto pra uma próxima coluna). O interessante é que o café é muito mais complexo do que se imagina e estar na área do barismo é ser um eterno estudante, não só da bebida, mas de tudo que a envolve: terroir, torra, variedades, etc.

Atualmente, trabalho em uma cafeteria que me proporciona as ferramentas para me aprimorar como barista. Me sinto muito realizada e aguardo ansiosamente a 4ª onda do café.

Está no ar oficialmente a coluna Litros de café, assinada por Cinthia, Gabriel e Andrea, sempre às quartas-feiras. Conte sua opinião nos comentários e compartilhe usando a hashtag #UmCafezinhoPeloMundo. 

Foto de destaque: Pixabay

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